Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Séries 11-12: Raio-X


The Walking Dead 2, parte 2
Teve um único pecado: ter querido ser hollywoodesca no penúltimo episódio. Depois da monumentalidade de fim da primeira parte da temporada, a bitola estava alta, e a série correspondeu com mais uma fortíssima mão de episódios. Se dúvidas houvesse, The Walking Dead é mesmo a melhor série da actualidade. Só falhou, realmente, o excesso de espectáculo do clímax, ainda que o desenlace do season finale tenha sido bom, e aberto grandes perspectivas para o que está para vir. Sensacionais os desempenhos de Andrew Lincoln e Jon Bernthal.

Game of Thrones 2
Mais uma temporada de nível alto, como era de prever. A série respira grandiosidade e uma indiscutível capacidade para cativar, e, individualmente, a temporada foi colossal para o soberbo Peter Dinklage, e para o venerável Charles Dance. Ficam, contudo, em espera algumas linhas fortes da primeira temporada, e esta denota alguma dificuldade em concretizar um ou outro episódio. Também ao contrário da season 1, o tradicional episódio-clímax desiludiu um pouco, fruto de uma realização sofrível, na primeira grande batalha. As expectativas seguem, porém, muito altas.

Downton Abbey 2
Teve algumas dores de crescimento como sequela, isto é, não foi tão natural como a primeira temporada, tão bem pensada e ponteada, e algumas narrativas perderam-se aqui ou ali. O resultado global, no entanto, continuou a ser muito bom, com a reverência do romance que lhe é tão característica a ter os horrores da guerra como pano de fundo. Temporada magnífica para Michelle Dockery, muito bem secundada pelos veteranos Jim Carter e Maggie Smith.

How I Met Your Mother 7
As últimas duas temporadas foram uma desilusão. A série perdeu a frescura, a simplicidade, quis ser muitas coisas grandes ao mesmo tempo, e gastou-se. Sobrava alguma expectativa para perceber as nuances do fim da season 7, mas manteve-se a redundância, a insistência em narrativas que já vimos vezes de mais. HIMYM é a melhor sitcom que já vi, foi o meu Friends, mas, como House, não soube sair.

Modern Family 3 e The Big Bang Theory 5
Grande temporada para ambas. Estão bem e recomendam-se. Acho que Modern Family ganhou os prémios antes de os merecer, mas hoje é uma comédia de fino quilate, com uma identidade própria, que dá gosto ver. Sem presunção nem grandes malabarismos, afirmou o seu espaço plenamente (ainda que o fim de temporada tenha sido um pouco recheado de mais). A Big Bang há que reconhecer o mérito de manter a chama, e continuar a estender-se imperturbável no tempo. A história evoluiu, mas de uma forma inteligente e subtil, sem exageros, e, no fim da season 5 (muito bem conseguido) conserva-se no auge, ainda com muito para dar.

The Amazing Race 20 e Survivor 24
Opostos. Não acabei Amazing Race, não por peculiaridades da temporada, mas porque a série tem uma durabilidade reduzida, e acaba por maçar. Tinha visto duas temporadas antes, e foi inevitável a sensação de mais do mesmo. Survivor, pelo contrário, é um vício inapagável. Depois da brilhante season 23, mais uma temporada ligada à máquina, com excelentes personagens e um óptimo jogo. Não há reality-tv que se lhe compare.

Os melhores da temporada 11/12

1 - The Walking Dead
4 - Game of Thrones
5 - Downton Abbey
6 - Modern Family
7 - The Big Bang Theory
8 - Boss

O mais unânime do pódio é quem cai


Chocante a rescisão do Braga com o melhor treinador do campeonato.

Sondagens do Porto, enquanto se cozinha a saída de Vítor Pereira? As decisões que parecem abruptas costumam ser muito mais do que isso, e se Jardim estava receptivo ao Porto para essa eventualidade, é legítimo que Salvador não tenha querido continuar a preparar a época com quem pode vir a não contar em breve. Neste momento, contudo, esse é um cenário com tanto de conspiratório como outra conspiração qualquer.

Quanto ao que é público: no início da semana, a notícia era que Salvador não teria ficado agradado com o facto de Leonardo Jardim ter dito que a relação de ambos era "profissional". A polémica pareceu bacoca, mas este pode muito bem tratar-se de um caso de falta de empatia.

Aliás, a primeira sensação segura que fica é que António Salvador deixa cair um treinador de alto nível - que fez do Braga a equipa mais equilibrada do campeonato, a espaços com o melhor futebol, uma série de jogadores valorizados, um título disputado até à última, e uma qualificação para a Liga dos Campeões -, por uma certa falta de carisma e de imagem. Jardim não é um treinador da moda, não é polémico, não é uma marca, e essa esterilidade parece chocar com a imagem que o presidente do Braga deseja que o clube projecte. Nesta lógica, por exemplo, faz todo o sentido que se insista no nome de Sérgio Conceição.

Leonardo Jardim provou o que tinha a provar. É verdade que lhe faltou estaleca para jogar o título com os maiores, mas o nível táctico, a valorização de jogadores e a produtividade garantem-lhe um lugar no banco de um grande no espaço de dois anos.

Conceição fez um trabalho muito bom em Olhão - melhor, aliás, do que Jardim tinha feito em Aveiro -, e não espantará ninguém se for uma aposta bem sucedida. O problema é que mudar de treinador não é como mudar de camisa, e este é o tipo de decisões que afecta uma equipa, muito mais do que a costuma beneficiar.

Sábado, 26 de Maio de 2012

Um capitão


Lesionado, exigiu que fosse Xavi a levantar a Taça do Rei. Na Catalunha, Puyol será sempre o meu favorito.