quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Isto da sorte é fodido.

"A Arábia Saudita de José Peseiro despediu-se nesta quarta-feira da qualificação para o Mundial 2010, ao empatar 2-2, em casa, com o Bahrein, no primeiro «play-off» de acesso.

O nulo na primeira mão colocou a decisão na segunda e esta sorriu ao Bahrein em cima do apito final. Latif, aos 90, marcou o golo decisivo, um minuto depois da Arábia Saudita ter feito a festa, por Montashari. A selecção a cargo do treinador português esteve, aliás, em vantagem por duas vezes.

«Foi uma desilusão ter perdido a possibilidade de estar onde acho que merecíamos estar, reconheço», acrescentou José Peseiro, que classifica este como «um claro momento de azar»."
in MaisFutebol

Juro que não sei como é que o Real sobreviveu à dupla Queiroz-Peseiro.

(ser mais velho 14 dias, 2 horas e 50 minutos é quase pedófilo, mas...)

(...love you anyway, BOO xD)


Parabéns FOFURA!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09+09+09 = ? (ou Coisas Fantásticas #1)

"Quarta-feira, 09 de Setembro de 2009 (09-09-09), é para muitos o dia mais esperado do ano, especialmente para os chineses, que associam o número 9 a sorte e sucesso, esperando que este raro momento do calendário marque a diferença no rumo das suas vidas.

Na cultura chinesa, alguns números estão associados à sorte ou ao azar, de acordo com a ideia para a qual remete a pronunciação da palavra em chinês, e o 6, 8 e 9 são os que têm a carga mais positiva, uma vez que os seus nomes em chinês remetem para palavras com bons significados.

O número 9, quando pronunciado em chinês (gau), está associado a longa duração, sendo por isso escolhido pela maioria dos casais como o dia preferencial para darem o nó, já que é aquele que oferece, à partida, mais garantias de sorte e sucesso no futuro.

Mas o 9 tem um significado especial, e não só na cultura chinesa, mas na mitologia de diversas culturas, estando associado em quase todas à medida exacta da busca de proveito, ao corolário dos esforços, ao encerrar de um ciclo e início de outro superior, já que é o maior número singular."
in Lusa

Get busy living or get busy dying


Não sei se o Up é melhor que o Wall-E, porque, sem sequer falar do filme em si, a dimensão do que o Wall-E conseguiu, as fronteiras que abateu no universo dos filmes de Animação, confere-lhe um pedestal permanente. De qualquer maneira, seria muito injusto dizer que o Up é inferior. Será, sobretudo, a extraordinária confirmação da Pixar como uma contadora de estórias ímpar, sempre imparável na sua capacidade para as criar e para se transcender ao fazê-lo. Porque a Pixar não tem assim tanto a ver com efeitos visuais. A Pixar é ter sempre mais uma ideia.

Este Up é um filme essencialmente sobre a vida. Sobre a importância de nunca deixarmos de lhe dar tudo o que temos, de nunca deixarmos de viver. Sobre sermos felizes e ainda irmos a tempo de concretizar um sonho e ainda irmos a tempo de voltar a viver e ainda irmos a tempo de contar uma nova estória. É um filme sobre respeitar a vida, sobre reverenciá-la. No fundo, sobre nunca desistir de viver.

É facto que ainda não foi aqui que a Pixar materializou um filme mais duro, sem o escape do humor (apesar disso não ser um defeito, sublinhe-se, ainda para mais com a qualidade com que se faz), caminho para o qual invariavelmente caminha, e talvez por isso digo que a Pixar ainda não chegou ao seu auge, ainda não fez aquele filme que vai partir tudo, que vai limpar Óscares. Isto não significa que o Up, tal como no ano passado o Wall-E, não seja uma perfeita obra de arte. O apego ao mundo infantil, puro, ainda é incontornável, mas funde-se impossibilidades com poesia, e desenha-se a pequena casa do velhinho Carl perdida num céu de balões e é impossível não ficar esmagado. A simplicidade com que se cria aquilo, qual fábrica de sonhos, com que se vê um arco-íris de balões a invadir um quarto, com que se criam bonecos riquíssimos... tudo aquilo é arte. Não é óbvio, não é seco, e ainda assim, não deixa de ser simples. Arrebatadoramente simples.

P.S. - Admito que a dobragem não sabe tão mal como as dos Harry Potters... mas ainda não me converti.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

UP.(2009).Screener.XviD-ROAR


Estou a passar dois meses na Madeira no período exacto em que um dos filmes do ano está em exibição. Fui vezes mais do que suficientes ao cinema para ver esse filme, mas vou voltar para o Porto sem o ver, possivelmente numa altura em que ele já não vai estar em exibição em mais lado nenhum. Não foi azar, falta de companhia, falta de pontaria ou preferência por outras opções. Foi porque esse filme tem um pequeno senão: olham para ele e dizem que é para a miudagem. E como qualquer bom filme para miudagem, é dobrado (possivelmente a coisa mais irritante à face da Terra...). Portanto, como é óbvio, se é para a miudagem e se é dobrado, caga-se na versão original. Se há dobradinho em português, para quê se dar ao trabalho de ocupar um horário duma qualquer das 20 salas da Região com uma versão original, não é? É isso e os bandalhos dos downloads sempre a crescerem. Não percebo.

Everybody hates Charles

«Não acho que se deva discutir táctica entre treinadores e jornalistas»

«Em sete jogos, tivemos cinco penalties não assinalados. Só pedimos decisões justas»

Carlos Queiroz, após o Dinamarca-Portugal

Um dos muitos e intermináveis defeitos que se apontava a Scolari era a intransigência em não comentar as suas opções. Não justificava convocatórias, tácticas, substituições, não gostava de ser contestado, não admitia certas perguntas até. Fartavam-se de dizer que aquilo não era postura para um seleccionador, que era arcaico e inadmissível, que um estrangeiro pago a peso de ouro, que nunca ganhou nada por cá, não se podia dar ao luxo de pensar que mandava nisto tudo. Com o regresso de Queiroz, era suposto que tudo mudasse. O Professor sempre teve bons media, sempre cultivou uma imagem politicamente correcta, sempre apareceu como um senhor da táctica e, portanto, era suposto ser um prato apetecível para as conferências de imprensa. Afinal, a este respeito, não é tão diferente de Scolari quanto isso. Depois dum empate em mais um jogo que não podíamos empatar, Queiroz não resistiu a debitar umas pérolas. Disse que as suas opções não deviam ser comentadas pelos jornalistas, esses energúmenos da táctica. E disse também que somos a Selecção mais azarada do Mundo a rematar à baliza e que somos perseguidos pelas arbitragens. Ou seja, Queiroz é um génio na abordagem ao jogo, isso nem é comentável!, mas não pode fazer nada porque tem as piores arbitragens e o maior azar do planeta. Há gente assim, sem sorte...

Do jogo na Dinamarca é impossível não retirar duas conclusões: a primeira é que Portugal terá feito, em termos de qualidade de jogo, uma primeira parte ao nível do que de melhor alguma vez produziu. Estreámos um sistema novo mas enchemos o campo, e isso é, de facto, mérito do Queiroz. Futebol apoiado, o Tiago e o Meireles em transições perfeitas, o Deco no lugar em que parte tudo, o Ronaldo solto da ala, a respirar muito melhor. Isto, infelizmente, não foi suficiente para invalidar a segunda: o Queiroz é um dos treinadores com pior leitura de jogo do Mundo. Apesar do golo da Dinamarca em cima do intervalo, não havia razão nenhuma para pensar que fôssemos deixar de assumir o jogo com o losango até ao fim. A Dinamarca não nos estava a anular, minimamente, e aquele golo tinha sido um acaso (provocado por um admirável ser que teve a capacidade de parar no peito no meio de 5 defesas nossos e marcar sem deixar a bola bater...). E o que é que acontece? Entra o ponta-de-lança que faltava (um gajo que dizem que até está habituado a jogar em losango)... mas a equipa, por alguma razão, porque aquilo pareceu lógico a alguém, desfaz-se para o 4-3-3 tradicional, e comete a proeza de foder a segunda parte toda. Na cabeça do Queiroz o problema de estar a falhar golos era o de criar muito jogo!...

Disse, depois do jogo da Albânia, que não acreditava na qualificação mas que continuava a ter fé. Repito-o agora. Fé em que, nos próximos três jogos, a Senhora do Caravaggio continue a não se esquecer de que não temos treinador.

domingo, 30 de agosto de 2009

We are only entitled to one life.


Não sei se é coisa minha, mas quando decido ver um filme português, vou sempre de pé atrás. A experiência diz que, no geral, ou se apanha qualquer coisa para avacalhar com um par de famosas nuas, ou qualquer coisa muito muito intelectual (cujo objectivo não é percebermos), ou qualquer coisa simplesmente má (Corrupção!), portanto dou logo o desconto. De qualquer maneira, é justo reconhecer que se tem feito por evoluir as coisas por cá e, em vez de bater sempre só porque sim, é justo dar o braço a torcer quando há um mínimo de razões para isso. Tem-se feito muito mais cinema de grande circuito, têm havido muito mais oportunidades e não se tem tido medo de experimentar, o inglês por exemplo, portanto este é o caminho. E, entre a desconfiança genérica e o crédito progressivo, e quanto mais não seja porque é de um produto português que se trata, nunca deixo de ter interesse em espreitar.

Devo dizer que, desde o momento em que começou a ser anunciado, este Second Life me despertou uma atenção especial. Valendo o que vale, a música final do trailer apanhou-me completamente, e, vendo-o mais do que uma vez, fiquei com a sensação de que, por detrás do argumento e da própria realização, estavam boas ideias. Depois de vê-lo, a sensação é a mesma. A ideia é reflectir sobre a injustiça de termos tantos caminhos para escrever o nosso futuro e só podermos escolher um, sobre como uma única decisão pode mudar tudo, sobre a infinita questão de como teria sido se tivéssemos decidido de outra forma, e tudo isto é, de facto, um bom argumento. Ousado, amplo, complexo, bem para além do que é costume por cá. Querer concretizar uma coisa assim é, mais do que uma boa ideia, um arrojo, e isso deve ser reconhecido. Na realidade em que se insere, este Second Life é um filme claramente acima da média.

Não nego, de qualquer maneira, que a concretização de todo este ideário falhe muito. Este não deixa de ser um filme com más opções, limitado, com saloismo, e com falta de capacidade para se transcender. O final é bem mais ambíguo e vazio do que poderia ser e fizeram-se escolhas bastante tristes a nível de cast, como a Fátima Lopes, o Malato, o Figo ou o Luís Filipe Borges (para quê??), num cozidinho típicamente nosso, que retira uma certa credibilidade. É estúpido, também, que um polícia qualquer ou uma florista qualquer ou um cameraman qualquer tenham de ter caras reconhecidas por toda a gente como o Rapazote, a Ana Padrão ou o Ricardo Pereira, e já se torna bastante chato que o Nicolau Breyner tenha sempre de fazer uma perninha. Ao nível da acção, funciona mal que um círculo de amigos seja tão impessoal e é impossível que, com 7 pessoas numa casa, haja droga e 3 cenas de sexo e o raio sem que os outros presentes se cheguem sequer a aperceber... Mas, digo e repito: este Second Life não é lixo. Os grandes planos, por exemplo, são muito bons, o Adamczych e a Lúcia Moniz são excelentes actores, os momentos em voz-off funcionam e, como já disse acima, o filme, fruto do argumento, consegue criar momentos bastante consistentes. Além de que, chamem-lhe exagero ou outra coisa qualquer, tem uma das melhores bandas sonoras que eu já vi em cinema.