Pois, nós também não. Nem nessa, nem nas outras. Acredito que Manuela Ferreira Leite seja uma pessoa com algumas boas ideias e alguns bons princípios, que perceba muito de Finanças e que tenha a virtude de pensar pela própria cabeça, o que não é assim tão vulgar. Mas isso não chega. Quem fala assim, sempre fraca, sempre ambígua, sempre a soar estranho, sempre enrolada e perdida em si própria, não pode nunca liderar um país. É verdade que não percebo grande coisa de política, mas acho que percebo que chegue para dizer que tamanha redundância, tamanha dificuldade em aparecer, tamanha dificuldade em falar, não pode ser suficiente. É impensável que tenhamos como Primeiro-Ministro alguém de quem só esperamos a próxima gaffe, alguém que, pura e simplesmente, não tem imagem, não têm fôlego, não inspira confiança. E à mulher de César não vai nunca bastar ser.Depois, gosto do Sócrates. Gosto da maneira como ele conhece o meio, como se sente à vontade e como se mexe num debate, gosto da fluidez e da capacidade para nunca parecer apanhado de surpresa. E gosto, sobretudo, da confiança em si próprio, da confiança na vitória, algo que, claramente, Ferreira Leite não tem. Acho que um líder é muito daquilo. Claro que tem rabos de palha e tiques totalitários e é teimoso, mas parece-me, sempre me pareceu, competente, arrojado, de boa visão e, acima de tudo, inteligente a tomar opções. E, isso sim, é raro. O resto é só normal. O que este país precisa é de ousadia, de vontade em arriscar, de vontade em andar para a frente, e o Magalhães, o TGV, o Aeroporto, qualquer um deles tem tudo a ver com isso. É claro que me identifico com ele.
Programas e ideologias e o raio à parte, também gosto do Portas e do Louçã, pela oratória, do BE em especial, pela juventude que foi capaz de conjugar à sua volta e pelas posições em temas como o da eutanásia, por exemplo. Mas o programa deles, com o cheirinho puro a comunismo, com nacionalizações para cima e para baixo, mandou-me um balde de água fria. Foi a desilusão clara desta "pré-época", apesar do meu voto estar reservado, em todas as circunstâncias, para o PS. Reservado, aqui, em pleno sentido figurado, já que os quilómetros que, a 27 de Setembro, me vão separar de casa, consumam que não exista UMA ÚNICA possibilidade de votar nas Legislativas. O que é triste num país de primeiro mundo, digo eu.

