quinta-feira, 12 de novembro de 2009

The Illusionist (na medida em que enganei a gripe A duas vezes)

Já tive duas gripes desde que o Inverno começou. A primeira era só para me provocar, que eu já não as conheço, e espetei-lhe logo com um boost de benurons (que é um nome bué parecido ao do primeiro ministro de israel na fórmula de deus do rodrigues dos santos) e claritines, que acabaram com ela nem em 3 dias. Para repararem na qualidade da minha intervenção, nem me chegou nada à garganta. Parecia um pro, eu. Vai e tal, um gajo tenta enganar-se. Fui um gajo problemático que aos 8 aninhos teve de arrancar as amigdalas cá para fora, e que desde aí, apesar de ter deixado de correr o risco de sufocar a dormir, as gripes passaram a achar ainda mais piada em vir falar comigo. Mas um gajo tenta enganar-se, e pensa que, apesar de ter arrotado com uma gripe logo no início de outubro, não era assim tão impossível que a sacana fosse a última. Pois claro que não era. Num assomo de revolta das gripes, aposto que por ter arruinado com uma nos tais três dias, como orgulhosamente já vos fiz passar acima, e na linha do tumor que me assolou o lábio inferior em pleno verão e em plena semana dos meus 19 aninhos, sou atacado por uma outra gripe na semana do primeiro jantar de curso cá da faculdade. Os sintomas começam quase com uma semana de antecedência, mas não estamos aqui a falar de nenhum patinho, e eu decido abrir as hostilidades com uma rajada de benurons (os tais parecidos ao primeiro ministro de israel no livro do outro), porque os jabasulides fazem mal ao fígado. O resultado não foi tão efectivo, mas, pensava eu, do alto da minha experiência a enfiar merdinhas de comprimidos, que estava contido. Afinal fui forçado a perceber que não. E o que é que um gajo acaba por associar logo a isto tudo? Ora eu vivo no Porto, que é gelado como tudo, já tive uma gripe este inverno e a sacana da gripe A, tipo a raínha das gripes, anda por aí a abater toda a gente. Raisparta que desta vez fui eu. De qualquer maneira, nada de alarme, ia tentar resolver por mim mesmo. Tinha ali o assassino do claritine mesmo à mão, mas disseram-me que não, que a aposta certa era o jabasulide. Tomei. E tomei outro. Isto num espaço de 12 horas que senão o fígado ainda me saltava pela boca. E não melhorei. Faltei a uma aula e a mais outra até que acabei por medir a minha linda temperatura. Vale a pena fazer um parentesis aqui para dizer que eu nunca tenho febre. Tenho gripes como o raio, já tive uma úlcera, que ainda não sei se curei de vez, um tumor, benigno vá, mas febre nunca tenho. Deve ser porque em miúdo eu alucinava, de olhos abertos (woohooo, hehehe) com 40 de febre, e então deixem-me disso. Daí que o momento de medir a temperatura tenha sido iconográfico. Trinta e oito e meio. Foda-seeeeeeeeeeeeee, a sacana da gripe A apanhou-me. Resignado, conformei-me com a ida ao centro de saúde. Já derrotado, ainda tive de ouvir que, com gripe A, tinha de ligar primeiro para a linha e não devia sair de casa. Liguei no limite da depressão e reencaminharam-me para um centro de saúde com um spot para quarentena, com avisos de "não use transportes públicos e leve uma máscara". God, parecia a fase do Heroes em que o vírus se espalhou pelo mundo. Só que comigo e em pior! Lá fui, sem máscara, porque sou uma pessoa muito anti-segregacionismo, e entrei logo no quarentena spot, mal cheguei. Uma máscara, álcool pelas mãos abaixo, reencaminhado para uma sala isolada. Weird. Iam fazer o quê a seguir? Vestir-me uma bata branca, trancar-me num quarto e dizer que era preciso esperar pela cura?? Afinal não. Era só uma inflamação de garganta. Já não as tinha há uns tempos valentes, e a cabrona então aproveitou-se da história da gripe A para me vir meter medo. Haha, i was born ready! Acabei por evitar uma fila de todo o tamanho porque tinha gripe A, e por garantir um atestado para a semana toda, para evitar o frio do Porto, que é gelado como tudo. Não vou à mesma ao jantar de curso e tenho a garganta a arder, mas acho que ganhei. Tenho é um ror de trabalho e só me apetece jogar manager. Mas que se lixe, foi melhor que nada. E que fique claro que eu já sobrevivi à possibilidade de ter gripe A duas vezes. Beat that, motherfuckers! Bah, agora vou escrever qualquer coisa sobre o saramago.

sábado, 7 de novembro de 2009

Querido, eles mudaram a nossa despensa e a nossa vida mudou para sempre

A ideia é gira. Ah e tal arranja-se uns patrocínios, recebem-se candidaturas, e depois vai-se a casa das pessoas remodelar uma divisão. Isto com uma apresentadora de olho azul, uma designer com jeitinho e um mestre falador, e um gajo até fica a pensar que a coisa só pode ter piada. Só há um problema. É que o objectivo não é ter piada. Isso de piada é para coisas sem importância, e as pessoas não gostam disso, não vale nada. Ainda por cima o programa é num canal para mulheres, e toda a gente sabe que piada é uma coisa javardona só para homens. Vai daí, qual poderia ser a solução para o dito programa? Torná-lo dramático, ÓBVIO! Aqui, impõe-se uma paragem, porque é indispensável dar uma achega a toda a gente (pelo menos a toda a gente que não vê outros programas para gajas como eu): num canal chamado people + arts (reparem na paneleiragem que é o "+"), existe um programa chamado extreme makeover, produzido pela ABC. Nesse programa também se arranjaram patrocínios, uma malta que aparece muito bem em TV, uma equipa de mão-de-obra, uma designer catita, e também se recebem candidaturas para ir a casa das pessoas trabalhar. A diferença, coisa pequenita, é que estes malucos vão a casa das pessoas para deitá-las abaixo e construí-las de raiz, do bom e do melhor. Isto significa, na maior parte das vezes, tirar gente miseravelmente pobre de roullottes, e construír-lhes uma mansão. Quando um gajo ouve isto, pensa o quê? Eh pá, eles mudam a vida das pessoas! Nem mais. Tirar uma família de 10 pessoas duma roullotte, para dar um quarto a cada uma, medicamentos se forem doentes, e carros se der pela certa, é efectivamente mudar a vida das pessoas. Ponto. É aqui que o círculo acabou de se fechar.

Ontem, depois de reformular a cozinha duma senhora cuja maior aflição na vida era achar que não era mesmo fixe fazer o comerzito ali, a apresentadora, de olhinhos azuis, saíu-se com um "mudámos a vida de mais uma pessoa". Foda-se... Pintar de fresco e decorar uma cozinha (destaque para os tampos novos, super finos!), numa casa evidente de classe média, passou a ser, a partir de ontem, mudar a vida de uma pessoa. E não fazem ideia dos nervos que aquilo foi, porque o João (esse personagem impagável, misto de pateta alegre e jogral dos nossos tempos) mesmo no fim, furou um cano de gás e ele e o seu amigo careca tiveram de ligar a milhares de senhores que consertam canos de gás (mesmo com o João a ser brincalhão e a dizer que não foi ele) até se acabar o trabalho. E isto com a apresentadora dos olhos azuis e a designer com jeitinho a proporcionarem momentos kodak únicos, Oscar-worthies, de desespero e consternação (só para quem não sabe, os americanos malucos fazem isto, meio a sério, quando têm de mudar de cidade e ainda não acabaram uma casa). Eu, por mim, só gostava de saber uma coisa: quem foi o gajo que um dia se lembrou dum "vamos fazer um extreme makeover com aquele drama todo... mas a remodelar salas de estar!". Imaginem outras ideias que ele pode ter!

P.S. - Vejam nem que seja um episódio desta saga, pelo João. Ele é mesmo mesmo mesmooooooo engraçado! :')

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Times they are a-changin'

"Daqui a pouco temos de mudar a matemática, porque o sinal mais é uma cruz"
via SIC

Tal como li um dia, sou dos que acredita em Deus, não nas igrejas. Cresci, como dizia o Saramago há tempos, empapado em valores cristãos, e à conta deles engoli 12 anos de catequese, algo cujo único resultado palpável foi um violento e radical universo de anticorpos em relação à religião. Apesar disso, e apesar de não resistir a puxar pelo passado aberrante da igreja católica, da inquisição ao fascismo, relevo sempre um ponto, que me parece incontornável: o facto da igreja ter feito coisas absurdas, não valida que todos os que a ela estejam ligados sejam lixo. A igreja católica assenta em bons valores e, acima de tudo, teve a sorte de ter a gravitar à sua volta pessoas genuínamente boas, que a marcaram e, felizmente, marcaram muitas outras, e isso não pode ser posto em causa. O que não significa que se deva esquecer o resto.

Ontem, o tribunal europeu dos direitos humanos determinou que é proibida a afixação de símbolos católicos nas escolas, na linha do que já há muito se fazia. O tempo, no entanto, passa, mas o eco é sempre o mesmo. Ouviu-se de tudo, do atentado à matriz católica da Europa, à imposição de caprichos de uma minoria. Caprichos de uma minoria, imagine-se. A igreja católica acha que as outras religiões todas são uma minoria caprichosa. Tudo isto repugna-me, sinceramente. Não porque ache que crucifixos na parede influenciem as crianças a enveredar pelo que quer que seja, nem sequer por achar que judeus ou muçulmanos se sintam mais ou menos marginalizados por terem de levar com esta ou aquela figura. O que me dá uma volta ao estômago é o caciquismo, a rudeza de ideias, a paragem no tempo. Irrita-me que, ao fim deste tempo todo, a igreja católica continue a achar que tem um palavra a dizer, continue a agir como se ainda tivesse autoridade. Mesmo enquanto estrebucha, moribunda, não é capaz de uma concessão, de uma mão na consciência. E é pena, de facto. É pena que a igreja católica opte por morrer como sempre viveu. Autista.

"Para fazer crítica cinematográfica, é preciso ter conhecimentos de semiótica fílmica"

Se eu algum dia tiver conhecimentos da coisa, cinema vai-se tornar algo chato. Mas mesmo chato chato chato. Oxalá nunca tenha. (estou a fazer por isso).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009