quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Isto é só coisas giras

"Individualmente, o Jornal da Madeira distingue-se do cenário médio regional, por privilegiar fontes do Poder Regional, o que, a juntar aos altos valores de Cobertura Induzida, coloca o jornal mais próximo das Fontes Oficiais e do Poder instituído e, por inerência, menos comprometido em desenvolver investigação por si. Já o Diário de Notícias Madeira, caracteriza-se pela preferência por Fontes Não Oficiais, situação que, aliada aos interessantes valores comparativos de fontes do sexo feminino e de Deep Backgrounds, e, ainda, aos valores consistentes de Cobertura por Iniciativa e à média de fontes por notícia, o coloca como o jornal diário madeirense mais distante dos círculos do Poder e com uma cobertura mais independente e pluralista."

Conclusões de "As Fontes na Imprensa Diária Madeirense: Análise ao Jornal da Madeira e ao Diário de Notícias Madeira", feito em conjunto com a Bochechas, para Relações Públicas

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um filme giro


Vi agora que a Kristen Stewart e o Jesse Eisenberg foram nomeados, nos BAFTA, para estrelas em ascensão do ano, portanto acho que é justo falar aqui do Adventureland. É um romance com gosto a comédia, como tantos outros, até discreto, apesar de ser do realizador do overrated superbad e de ter no elenco o Ryan Reynolds e a menina do Twilight, mas é um filme, acima de tudo, leve, com o seu quê de particular, e com piada, bem feito. É um filme de uma cor muito própria, enleante, não necessariamente imprevisível, mas sempre bem levado, com o Eisenberg a dar um show de todo o tamanho (tenho de ver esse faladíssimo Zombieland), e a Stewart a mostrar, a pouco e pouco, um certo encaixe para lá dos grandes ecrãs e dos blockbusters. No resto, num elenco consistente, era injusto não falar dum miúdo de 23 anos, chamado Matt Bush, que leva às costas as maiores gargalhadas do filme (entrou este ano numa merdosca qualquer chamada Halloween II e entra, para o ano, no próximo High School Musical, portanto é vê-lo aqui sem reencontro próximo).

Adventureland é, no fundo, um filme bem escrito, o que não é assim tão comum, no género (e como é reconfortante encontrar um, de vez em quando), qualquer coisa bem idealizada sem precisar de ser inovadora, ou o que seja. É que, mesmo sem ter nada fora do normal, o filme distingue-se pela sua leveza cativante, e, injusto não sublinhar, se calhar, o mais raro de tudo, por momentos genuínos de bom humor, possivelmente os maiores animais em extinção no mundo das comédias românticas. Merece ser visto.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

Em tempo de crónicas, a devida vénia

"Com que então, morreu António Sérgio. Ora muito obrigado. Obrigado, Deus, por teres decidido. E obrigado, António, por te teres deixado levar. Veio mesmo a calhar a tua morte. O teu trabalho aqui na terra estava mais do que acabado e, graças a Deus, há centenas de novos Antónios Sérgios para te substituir. Que grande pontaria.

O que andam vocês todos a tramar na afterlife? A afterlife é a mais cool de todas as after hours. Não é música toda a noite e todo o dia: é música toda a cabrona da eternidade. Já lá estava uma redacção de sonho: o Rolo Duarte, o Fernando Assis Pacheco, o Cáceres Monteiro, o Manuel Beça Múrias, o Afonso Praça, a Edite Soeiro, o Eduardo Guerra Carneiro. Com uns colaboradores que já não existem e cujos nomes são tantos e tão grandes que não nomeio sequer um, com medo de vos deprimir com a comparação com a lista dos que ficámos vivos.

Que jornal, que revista, que estação de rádio estão vocês a fazer aí no pós-vida? Não lá em cima, no céu, mas aqui ao lado, paralelamente, no after, no depois, no enquanto estamos a dormir e a viver.

A morte de tanta gente boa faz-me acreditar que, quando cada um de nós morrer, seremos bem recebidos. Haverá bons inéditos, bons jornais, boa música, bom cinema. Imaginem só Bach, Wagner, John Lennon, Ian Curtis, Stockhausen – e, para apreciar e descobrir o resultado, António Sérgio.

Como sempre, adiantaste-te. E nós vamos atrás de ti. Está certo. Foi sempre assim."

Miguel Esteves Cardoso, no Público, 4 de Novembro de 2009

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Avatar


Não me lembro de nenhum outro filme ter gerado tanta expectativa. Desde os anos no intervalo do Titanic, ao Cameron a dizer que os cinemas não iam estar preparados para o seu próximo filme, desde a convicção de que ia mudar o mundo do cinema, até à estreia avassaladora, tudo contribuíu para a lenda. Na construção do meu próprio mito pessoal, contou também o facto de, pela primeira vez, ter ficado duas vezes à parte duma sessão, com um esgotado à minha frente. A expectativa só podia ser proporcional a tudo isto.

Vale a pena dizer, desde já, que, ao contrário do que já vi em muitos bons sítios, este não é o apelidado filme da década. Pese os muitos predicados, que os tem, o Avatar é um filme globalmente pobre a nível de argumento, pouco criativo e previsível até, nesse campo. Talvez o filme não tenha sido feito para vender pela estória, tal é a riqueza a outros níveis, e talvez o argumento seja tão leve, tão senso comum (cheirinho entre Pocahontas e O Último Samurai), de propósito, mas nenhum filme, por mais revolucionário que seja capaz de se apresentar, pode chegar a certos patamares a descurar o argumento. Só com os pés assentes nisto, é que há lucidez para analisar o resto.

Esse "resto", como espectáculo em si, é provavelmente a melhor experiência cinematográfica pela qual já passei. O que falta ao Cameron em densidade de trama, compensa-o ele em contexto e envolvência de ambiente, numa espiral de criatividade, essa sim, verdadeiramente fora do normal. Os bonecos são incríveis na sua componente emocional (a Neytiri, da Zoe Saldana, é expressivamente arrepiante), a abrangência do mundo idealizado é quase Tolkienesca, à sua dimensão, e observar, com óculos 3D, toda a profusão de efeitos especiais, banhados na floresta dum admirável mundo novo, chega a ser perturbador. Este Avatar é um filme imenso, muitas vezes de encher o peito, e um verdadeiro groundbraking no que aos efeitos especiais e à ficção científica diz respeito, que vai perdurar na cabeça das pessoas durante muito tempo, tanto como se tornará uma referência para todos quantos quiserem trabalhar no género. É, indubitavelmente, um dos filmes do ano, e teria de estar numa selecção da década, se esta existisse. Só não deu, e não sejamos injustos ao acreditar que isto é avaliá-lo por baixo, para chegar ao lugar onde vivem os melhores de sempre.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A lacrimejante beleza duma redescoberta

Pensamento do Dia #1

"Three hundred lives of men I have walked this earth and now I have no time"

Gandalf (Ian McKellen), in The Lord of the Rings: The Two Towers