quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Iraque nos Óscares


The Hurt Locker é um filme sobre limites. Sobre ter de viver em cima da linha, mas também mais do que isso, sobre gostar de o fazer. Foca-se no Iraque, e não é novo a esse respeito, exala violência física e, sobretudo, psicológica, o que, apesar da competência, também não será a sua maior qualidade. O forte do filme é a adrenalina, a pressão e o nervo dum desactivador de bombas e da sua equipa, que sai, todos os dias, à procura da morte (um paradoxo giro, num filme de guerra). Mais do que isso, o melhor do filme é a personagem principal. Da arrogância inicial desfecho, Jeremy Renner está em permanente crescendo, entre a habilidade extraordinária para fazer o seu trabalho, e o homem atormentado pelo seu passado e pela sua obsessão, capaz de fazer tudo o que for preciso para alimentar um vício. Um homem obcecado com a caça, incapaz de viver fora do limbo.

Apesar desses focos de interesse, não acho, sinceramente, que este seja um filme para ficar na memória, nem que mereça significativamente as nomeações que teve para os Óscares, já depois dos Globos de Ouro. Porque nem o contexto (Iraque) nem o argumento (a premissa toca no majestoso Heat, por exemplo) são originais o suficiente, porque a realização, apesar de trabalhar bem o suspense, não introduz nada que espante, nada inesperado, e porque acho que a banda sonora, a envolvência a esse nível, é muito mais pobre do que deveria, apesar das nomeações para Mistura de Som, Edição de Som e inclusive Melhor Banda Sonora chocarem a toda a linha com esta visão. Diria que, das 4 nomeações que teve (filme, realizador, actor principal e argumento original), fora as categorias técnicas, só a performance de Jeremy Renner é verdadeiramente oscarizável. De resto, parece-me que o contexto e a dureza psicológica retratados, e que vão sendo cada vez mais familiares aos americanos, contaram mais do que deveriam.

Cheguei a casa e constatei que a minha progenitora arranjou alguém para suprimir a dor da minha ausência


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Quando o Eduardo ia aviando o tornozelo no jogo com o sporting, pensei, para comigo, quem eloquentemente escolheria, o Queiroz, para titular

É só sorteios tramados

"Portugal foi sorteado na qualidade de cabeça de série, a Dinamarca não, mas Carlos Queiroz atribui o favoritismo ao adversário, até pelo passado recente. «Não há problema em dar o favoritismo à Dinamarca, porque ganharam o grupo, estão no Mundial e os resultados é que contam.»"
in maisfutebol

Notar que também vamos sofrer muito para ficar em segundo, contra a poderosa Noruega. Sem falar do super-ataque da Islândia e, até, do espírito de equipa do Chipre. Só o grande Queiroz nos poderá salvar deste grupo da morte!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

E diz que o Sócrates também o chamou "filho da puta"

Dizem as escutas que o Sócrates anda imparável. Sua excelência o Primeiro Ministro mandou a PT comprar a TVI, enquanto tentava sufocar o Público e vender o Correio da Manhã, tudo para as mãos da Ongoing, que é empresa dum genro do Cavaco, de modos a que sua excelência o Presidente da República ficasse caladinho a cuidar dos netos. Já antes, sua excelência o Presidente da República, inventou ao Público que sua excelência o Primeiro Ministro o andava a escutar em Belém, só para foder o Sócrates bem fodidinho e dar as Legislativas ao seu partido. Nisto tudo, foi despedido o assessor de sua excelência o Presidente da República, o que é fodido para quem acha que ele não fez nada, e foram despachados o Zé Manel Fernandes, a Manela e o Zé Eduardo Moniz, acabou o Jornal de Sexta e veio fazer um estardalhaço o Mário Crespo, com uma carta não publicada no JN (que, como bem sabeis, sempre foi pró-PS, tal como o DN, todos da controlinveste) a dizer que também ele foi perseguido, o que é fodido para quem acha que sua excelência o Primeiro-Ministro não tem culpa de nada. O Cavaco passou um mês sem abrir a boca e não disse nada, o que não é fixe para quem acha que ele é coitadinho, o Sócrates falou logo e não desmentiu, o que também é fodidote. Em suma, não há problema nenhum. Só havia, se um deles não percebesse o que o outro anda a fazer. Não é, evidentemente, o caso.

PS - Nem no dia em que o Queiroz foi à cara dum comentador, naquilo que ele considera "uma troca azeda de palavras" (deixando no ar se uma "troca mesmo muito amarga de palavras" teria envolvido armas, por exemplo), se sua excelência o Seleccionador Nacional consegue, sequer, abrir o Telejornal da SIC. Eu ia à cara do Nuno Santos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Keeper


My Sister's Keeper era um filme complicado de fazer. Complicado porque a premissa tinha pouco de criativa mas, sobretudo, porque é preciso ter muito jogo de cintura para saber vender tanta componente emocional duma maneira que transtorne, que dê um nó na garganta, mais do que toque ou puxe um nadinha de choro. Acho que o filme não foi além desta última. Não que My Sister's Keeper deixe de ser competente, ou fácil de agradar, um pouco com essa tal lágrima no canto do olho, só acho que, no fim de contas, tem um texto muito pobre e muito linear para o que se quereria fazer. Talvez a intenção até fosse fazê-lo um filme muito mais de interpretações, de momentos e de ambiente, do que de argumento, mas não chegou. Porque é tudo muito simples, previsível até, e porque as personagens não são tão ricas quanto isso. A fantástica Abigail Breslin (Little Miss Sunshine) tem um papel muito menos expressivo do que deveria, ainda por cima na pele virtual de protagonista. A figura paterna de Jason Patric, forte e muito explorável, tem um espaço contado, e a pequena Sofia Vassileva, com o peso da caracterização quase a falar por ela, tem um papel pouco mais do que fácil, por mais iconográfico que o seja. Fica uma boa banda sonora, alguns bons momentos de interacção entre as personagens (os momentos de confronto são quase todos muito bons) e, provavelmente, a melhor Cameron Diaz de sempre, numa personagem que é, ela própria, o ponto alto do filme.