terça-feira, 6 de abril de 2010

O melhor do mundo? Óbvio que não

Era só para dizer que acabei de ver o Messi fazer 3 golões. Não foi um, nem dois. Foram três, em 20 minutos, nuns quartos de final da Champions, contra uma equipa que joga muito, e que estava a ganhar. Quem diz que ele é o melhor do mundo, não percebe, portanto, um caralho de futebol. Porque este senhor, meus amigos, este senhor veio obviamente de outro planeta.

Harry Brown

Harry Brown é um filme sobre a insegurança e a violência gratuita dos nossos dias, especialmente na óptica dos idosos, esses, mais do que qualquer outros, impotentes perante o que se passa à sua volta, e ainda menos, quando são eles os alvos injustificados. Tem, também, um carácter um tanto ou quanto libertador, fazendo a ponte entre o conformismo crónico e a acção propriamente dita, a tomada de uma atitude, e, nesse aspecto, sem ser um filme muito rico ou cativante, tem uma quota-parte de interesse. Pese já sentirmos o velhinho Michael Caine com pouco fôlego para estas coisas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Porque é que já não se lêem jornais? Hum? Mas porquê?

"José Sócrates foi afastado pela Câmara da Guarda, em 1990 e 1991, da direcção técnica de obras particulares de cujos projectos era autor, depois de ter sido várias vezes advertido por causa da falta de qualidade dos seus projectos e da falta de acompanhamento das obras - chegando a ser ameaçado com sanções disciplinares."


Anuncio aqui, desde já, que a capa de amanhã do Público será "Sócrates roubou goma quando tinha 9 anos!". E depois de amanhã "Sócrates mentiu à professora na 4ª classe!". E depois depois de amanhã "Sócrates passou um vermelho quanto tinha um mês de carta!". Depois perguntem porque é que estão todos a falir...

O único breathtaking de 2009


Pondo-o duma maneira simples, é o seguinte: Brothers é um dos melhores filmes de 2009, de longe melhor do que metade dos oscarizáveis deste ano. Acho que passou mais ou menos despercebido a muita gente, e, quando o apanhei perdido numa lista do imdb, olhei para o elenco e estranhei mesmo não ter ouvido falar dele. Ia à espera duma coisa decente, pese o cliché à Pearl Harbor (irmão morre, outro irmão preenche a família), mas, obviamente, nada deste nível. Brothers é um filme extraordinário, sufocante e visceralmente tenso, que tem aquela capacidade tão comum aos grandes filmes de pegar numa estória que toda a gente já viu, e pô-la de pernas para o ar, partindo a loiça toda. Brothers não é um filme poético, nem nunca procura ser bonito, ou condescendente, tendo, aliás, como um dos seus trunfos, o prolongar duma violência psicológica atroz, e tudo isto no cenário da família do soldado americano normal, que foi para a guerra. É um filme poderosíssimo, que explora o lado negro da guerra, como muitos outros, sim, mas na recriação, não do detalhe do combate, mas da incrível dureza mental que o constitui.

De resto, funciona quase tudo. A realização de Jim Sheridan, um velho caminhante que, entre Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento, já foi 6 vezes nomeado pela Academia!, é muito boa, sempre a evitar o óbvio, sempre sedenta e arrasadora nos momentos de tensão, e, individualmente, aquilo é todo um manual. Jake Gyllenhaal não tem um papel difícil, mas cumpre-o com uma envolvência muito interessante, e Natalie Portman prova porque é uma das grandes da actualidade (e, desde há uns anos, a minha actriz preferida), com uma delicadeza, um jeito e uma beleza desconcertantes (tenho, para mim, que será das poucas mulheres de Hollywood genuínamente bonitas no mundo a sério). Percebemos o seu talento, quando nos custa a crer que o que ela faz, afinal, não é a sério. Ainda assim, os louros vão, sobretudo, para o desempenho estratosférico de Tobey Maguire, por quem eu, sinceramente, nunca dei um chavo, e que faz, aqui, certamente, o melhor papel da carreira. Diria, e gostei bastante do Clooney, do Renner e do Bridges, que ele mete num chinelo qualquer um dos nomeados deste ano. Juro que não percebo como é que a Academia se esqueceu disto.


domingo, 4 de abril de 2010

Barça

"Tentem imaginar, façam-me esse large hadron collider favor, que o golo do Maradona contra a Inglaterra em 1986 era hoje recordado como uma grande jogada de equipa da Argentina, estão a ver a cena? Não estão? Mas pronto, acreditem em mim, é isso; o Barcelona de Guardiola é essa equipa.

(...)
Há coisa de 4 semanas, num jogo que opunha o Barcelona a mais uma equipa institucionalmente obrigada a ser sua adversária, vi o Xavi a trocar 6 vezes a bola com o Keita, ambos sem sair de posição, de primeira, como se tivesse tudo a correr bem; simultaneamente a este excelente espectáculo de futmington, os outros jogadores do Barcelona olhavam impávidos, serenos, parados e sem marcação. Quando eventualmente a linha que definia a direcção percorrida pela bola se tinha tranformado num sulco no relvado que os marcianos confundiriam com um canal da terra, foi decidido unanimentente mudar o eixo de troca de bola, tendo para o efeito sido realizado um sorteio com a presença dos melhores representantes dos governos civis do mundo."


um perfeito must, n'A Causa foi Modificada

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"Never compromise. Not even in the face of Armageddon. That's always been the difference between us, Daniel."*


Um Cidadão Exemplar é um filme bem feito. Transcende, dalguma maneira, o tradicional thriller mais comercial que é (duas caras conhecidas, uma premissa muito colada ao âmago de qualquer um), e abraça uma mensagem forte, que é, justamente, aquilo que o diferencia. Não é um filme, ao contrário do que o próprio trailer pode sugerir, só sobre vingança, assente em todo o espectáculo visual que vende, qual Punisher. Na essência, Law Abiding Citizen fala de compromisso, de justiça e da putrefacção de todo um sistema, e não se inibe de ser politicamente incorrecto e agressivo para o próprio espectador, para provar que certas convicções só podem ser defendidas se não existirem concessões. Se não houver um momento para parar, um limite. É sempre intenso, bem feito ao nível da gestão desses tais momentos de adrenalina, mas também sempre puro, na ideia, pese todas as explosões e todo o sangue. Sem ser perfeito, porque falta qualquer coisa àquele fim e, sobretudo, porque é individualmente pobre (quer o Jamie Foxx (Ray...), quer o Gerard Butler (300...) deixam, ali, muito pouco de si), não deixa de ser um dos melhores thrillers de 2009. Aconselhado.


*ainda uma citação via Watchmen, mas bastante apropriada, aqui

quinta-feira, 1 de abril de 2010