quarta-feira, 18 de maio de 2011

E falaremos dele daqui a muitos muitos anos


Jogo histórico, daqueles dificilmente repetíveis, com o favoritismo do lado do FC Porto mais forte que já vi jogar, uma equipa que, mais do que em qualquer outra altura, parece destinada a isto. Mas o futebol só é futebol porque tudo é possível.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Abatam-no já

"O presidente do PSD considerou este domingo que é "o mais africano de todos os candidatos ao Parlamento", pela sua ligação pessoal a África, por ter uma mulher da Guiné-Bissau e uma filha que "também é africana"."

Um gajo pensa que não pode piorar mas...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate

"O PSD tem, neste momento, dois líderes – Eduardo Catroga e Passos Coelho. Cada um diz a sua, com destaque para Eduardo Catroga. Um governo com os dois, mais Cavaco Silva na presidência da República e Fernando Nobre na Assembleia, e iríamos assistir a algo de «transcendente»."

Tomás Vasques, no Conquilhas

sábado, 7 de maio de 2011

Giro'2011


"Num jogo de futebol só vemos o estádio. Numa corrida vemos o país, as pessoas, as paisagens. Essa é a magia do ciclismo: a rua."

Eddy Merckx em entrevista a A BOLA, esta semana



Começou hoje o Giro, que vou tentar acompanhar mais de perto pela primeira vez.

Faltam muitos nomes graúdos à antecâmara do Tour, mas estão no pelotão, fora a armada italiana - Nibali, Scarponi, Di Luca -, velhos conhecidos como Menchov, Sastre, Popovych, Arroyo ou Kreuziger, e, sem dúvida, Contador. Parte substancial do interesse da prova residirá na roda daquele que era até há bem pouco tempo o indiscutível número 1 do Mundo, altura em que se afogou no escândalo de doping do qual ainda tenta provar a inocência, num veredicto que será conhecido antes do Tour.

Outro grande ponto de interesse será a performance da comitiva portuguesa, encabeçada por Tiago Machado, que teve a honra de ser considerado chefe de fila da poderosa Radioshack. Machado tem feito lugares fortes este ano, mas o antigo ciclista do Boavista nunca correu uma prova de três semanas e a maneira como reagirá é uma incógnita.

Também na Radioshack está Manuel Cardoso, uma promessa no sprint onde os portugueses não têm grande tradição, que vai espreitar a sua sorte num conjunto muito vocacionado para chegadas em velocidade, com Robert Hunter e o lendário Robbie McEwen. Os sprints serão, aliás, dignos de expectativas, já que a McEwen e ao super-Cavendish, o melhor do Mundo, se junta Petacchi, um peso pesado que tem por hábito falhar o Tour.

Bruno Pires é o "terceiro elemento" da caravana lusa e chega a Itália para correr por fora, na recém-criada Leopard-Trek, dos irmãos Schleck, que guardou todo o luxuoso plantel para a Volta a França.

Contador é o grande favorito e estou curioso para ver como se comporta, mas torço por Menchov. Tiago Machado dificilmente correrá para a vitória, mas é legítimo esperar que se bata pelo top-10, num Giro muito duro, que terá 6 etapas de alta montanha nos últimos 9 dias.

Jesus ou não Jesus


"Segundo lugar no campeonato, meias-finais da Taça de Portugal e da Liga Europa e conquista da Taça da Liga significam uma época desastrosa, como se apregoa? Não me parece. Diria mesmo que é a terceira melhor temporada da década, só ultrapassada pelas duas em que o Benfica se sagrou campeão nacional."
Alexandre Pereira, no maisfutebol

No ano passado seria uma dúvida risível. Depois dos 5-0 no Dragão, na primeira-volta, reforcei que era bárbaro o Benfica ponderar abdicar de Jesus quando o nível do seu trabalho recente ainda era tão evidente. Mesmo com a Liga só ao fundo do túnel, a equipa acabou por responder superiormente e voltou à performance do ano passado, ganhando 20 jogos oficiais seguidos e chegando às meias-finais de uma competição europeia.

A questão é que não houve final feliz. O Benfica de Jesus acabou por ser absolutamente amassado neste final de época, e perdeu da forma mais humilhante possível todos os seus anéis - rival campeão na Luz, rival a virar uma meia-final impossível na Luz e outra meia-final perdida para um adversário caseiro. Como é que um treinador que foi completamente impotente, vez sobre vez, ainda pode motivar um grupo?

É uma dúvida mais do que razoável e a questão é, indubitavelmente, delicada e complexa. Tal como sublinha Alexandre Pereira é, porém, indispensável fazer uma análise racional ao trabalho de Jesus no Benfica: a qualidade de jogo que foi capaz de demonstrar nestas duas épocas, um título e uma meia-final europeia (mais duas Taças da Liga), são, de facto, o melhor que o clube mostrou em muitos anos. Mantenho, por isso, o que disse há meses: começar do zero não terá mais probabilidades de resultar do que de falhar e Jorge Jesus não é um treinador qualquer.

Uma equipa como nós


"Nada se compara ao feito do Braga e de Domingos, que, em termos relativos, encontra pouco paralelo na História das competições europeias."

Celtic, Sevilha, Partizan, 2-0 ao Arsenal, Poznan, Liverpool, Kiev e Benfica. O Braga chega a Dublin depois dum jogo de avassaladora maturidade emocional e sela um percurso em que nunca pôde fazer menos do que transcender-se: nem um dos que deixou pelo caminho tem um orçamento menor do que o seu. Seja qual for o resultado, os guerreiros voltarão a provar na final o que já deixaram mais do que crível até agora: que tudo é possível. O que Domingos conseguiu em dois anos é inenarrável.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A missão impossível IV

"O Real joga à defesa, é certo, mas jogará o Barcelona ao ataque? Talvez não interesse, mas sei que o plano de Mourinho para estas meias-finais perdidas foi boicotado pelos dois árbitros. A defesa era apenas a primeira parte da história. Mas Daniel Alves decidiu voar e cair deitado no chão a queixar-se de umas dores que nunca existiram. Imperdoável. Vergonhoso. E tudo se desmoronou. Esqueço a finta maravilhosa de Afelay e o monumento de Messi no segundo? Nunca. Mas a beleza desses dois momentos já tinha sido obliterada pelo erro anterior. A emoção foi-se. Ficou a aborrecida perfeição da máquina futebolística barcelonesca. A inevitabilidade da vitória. E isso não é poesia."

Sérgio Lavos, no Arrastão

Mesmo com a eliminatória ferida de morte ainda houve tempo para anular anedoticamente um 0-1 limpo a Higuaín. O perfume deste Barça já evaporou há muito, consumido pela podridão do sistema, mas finalmente a História começa a fazer justiça e a tomar nota de tamanho favorecimento, falta de fair-play, desonestidade e do vazio dos 70% de posse de bola. Para o ano há mais, e desengane-se quem acredita que Mourinho foi passado a ferro e que o Real continua num vazio de metas inalcançáveis. Para já, valha a pureza do velho United em Wembley.