segunda-feira, 11 de julho de 2011

O estadista de sempre

"Confrontado com declarações antigas, em que afirmava não valer a pena "recriminar as agências de rating", Cavaco Silva, do alto da sua esfíngica arrogância, pediu aos jornalistas mais estudo. O mundo mudou, é isso? Pois isso foi o que o anterior Governo repetiu não sei quantas vezes seguidas. Curiosamente, esse Governo foi mandado embora, e agora está lá outro. Serão os jornalistas que precisarão de mais "estudo" ou será Cavaco a necessitar de menos cara-de-pau?"

Sérgio Lavos, no Arrastão

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lights will guide you home


Só a Fix You e era capaz de ter chegado.

11 horas de autocarro em 18, costas a arderem e pernas a falharem, mas foi fechar os olhos por um momento no meio da multidão e perceber como valeu tanto a pena.

Grande espectáculo também a Viva la Vida e, pessoalmente, sempre, The Scientist. Um arrepio no meio de 50 mil pessoas, para nunca esquecer.

Ficaram muitas por ouvir, e, invariavelmente, a expectativa por mais 20 minutos, mas estaria lá outra vez. Lá no meio, a ouvir as músicas da nossa vida toda, chega a parecer que não é de verdade, e isso é o que levamos para daqui a muitos anos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O deplorável espectáculo do não-político

"Helmut Kohl, depois de ter sido o chanceler da Alemanha que protagonizou a reunificação alemã, foi deputado. Mário Soares, depois de ter sido presidente da República durante 10 anos, foi deputado europeu. Fernando Nobre, ao renunciar ao mandato de deputado dois dias depois de tomar posse revelou uma escandalosa falta de humildade democrática. Quem o escolheu para encabeçar a lista de Lisboa também tem responsabilidades."

A obsessão Coentrão


Mourinho é Deus mas não compreendo a obsessão.

Não que o valor de Coentrão esteja em causa: para mim é, hoje, um dos 5 melhores laterais esquerdos do Mundo; o único problema é que o melhor joga no clube que o acabou de contratar. Coentrão também jogaria a ala, sim: mas à frente de Marcelo joga... Ronaldo. E mesmo que Mourinho passasse a jogar em losango, com Ronaldo na frente, haveria... Di María.

Claro que Di María é canhoto e fez a época na ala direita, e que, ao fim e ao cabo, Coentrão passará a ser o primeiro suplente para três posições diferentes - defesa-esquerdo, ala-esquerdo, até ala-direito -, mas 30 milhões de euros (mesmo que seja, como é provável, 22 + Garay) por um suplente faz-me confusão. Até para Coentrão a opção é duvidosa, principalmente se virmos um Barcelona, por exemplo, cujo único ponto fraco é... a lateral-esquerda.

Enfim, Mourinho lá saberá, o Benfica fez um excelente negócio e Coentrão sai quando queria, e para o maior clube do Mundo. Resta saber se, na prática, também foi a melhor opção para todos.

Dark of the Moon


Continua a valer o bilhete.

As críticas não têm sido meigas para Dark of the Moon, mas são exageradas: talvez se pudesse exigir frescura à história, mas o argumento é mais consistente do que Revenge of the Fallen, e rende um filme melhor do que o antecessor, além de que, no resto, Michael Bay continua a dar o espectáculo de sempre. Aqui encontramos um Sam Witwicky desempregado e numa crise de identidade pós-faculdade, sempre menosprezado na sua relação com os Autobots, e com uma nova namorada francamente bem sucedida, e a primeira parte do filme valoriza a performance de LaBeouf, engrandecendo a saga.

Depois entramos então na fase de espalhar magia à la Bay e o espectáculo visual é total, temperado por mais uma enorme banda sonora de Steve Jablonsky. Transformers é a Liga dos Campeões dos efeitos especiais, e Michael Bay continua a conseguir explorá-los de uma forma esmagadora.

Shia LaBeouf tem crescido a olhos vistos. Aos 25 anos libertou-se da aura de miúdo e, mesmo pouco experimentado noutros registos (Disturbia ou Eagle Eye têm a mesma vertigem de adrenalina), evidencia cada vez mais pujança. O carisma de pequeno Pacino que empresta ao papel é incontornável.

Rosie Huntington-Whiteley foi uma grande surpresa. A expectativa era baixa, mas a curvilínea modelo britânica pulverizou o fantasma de Megan Fox, graças a uma naturalidade notável, e logo na estreia como actriz. Josh Duhamel, John Turturro e Tyrese Gibson já são da casa, mas Patrick Dempsey e John Malkovich foram erros de casting, o primeiro pela manifesta falta de traquejo e o segundo por ser desnecessário.

Com o quarto filme anunciado saber-se-ia muito do que esperar, caso não tivessem sido já manifestadas duas ausências pura e simplesmente basilares: LaBeouf disse que não volta e Michael Bay tem recusado encarar o 4º episódio num futuro próximo. Sem a espinha dorsal da saga, tem-se especulado que Spielberg, actual produtor-executivo, poderá avançar para a realização, mas o projecto está num vazio, apesar de Dark of the Moon continuar a render como pão quente.

Transformers chegou à trilogia e, para mim, mantém o fôlego. Sem ambos, contudo, seria estranho continuar.

domingo, 3 de julho de 2011

Para arrepiar


U2 e Coldplay, em nove meses. Bom demais.

The Killing, review


Grande primeira temporada.

Mantenho tudo o que escrevi sobre o piloto. Visualmente a série é muito poderosa, para o que contribui o negrume quase poético de uma Seattle sempre escura e chuvosa; e a intensidade emocional é magnífica a todos os níveis, deixando-nos tensos não com situações de perigo, mas de puro choque a nível pessoal, entre os que são próximos e vêem a vida virar-se do avesso. Neste aspecto, salientar Michelle Forbes e Brent Sexton, os pais da rapariga assassinada, que retratam de forma brilhante e crua aquilo de magoar deliberadamente quem nos é mais querido, só porque não estamos preparados para lidar com determinadas situações.

A série não tem episódios desnecessários e reinventa-se progressivamente, o que é decisivo, dada a linearidade de uma história sobre o homicídio de uma miúda normal. Joel Kinnaman (dupla policial) confirmou as expectativas e é uma indiscutível mais-valia - um daqueles personagens sem nada de banal -, ainda que Mireille Enos seja, de longe, quem mais cresce. Não é fácil gostar da franco-americana por uma certa impessoalidade da sua parte, mas a detective Sarah Linden é a personagem mais notável da série, pela sua densidade, e Enos encarna-a com uma facilidade genuína.

Aos quatro já mencionados, acrescentar Billy Campbell, o candidato a presidente da Câmara, que, como era de esperar, ganha cada vez mais importância no desenrolar da acção, sendo uma figura intrinsecamente interessante, do passado assombrado à postura elegante e confiável.

A temporada chega ao fim com a questão do homicídio em aberto mas sem estarmos fartos, e isso é representativo. Absolutamente recomendado.