terça-feira, 22 de novembro de 2011

Eu show Nani


Grande noite europeia do Benfica. Houve qualidade, maturidade e, acima de tudo, o equilíbrio das grandes equipas, coroado com um apuramento notável no Teatro dos Sonhos. Ainda assim, o homem do jogo foi quem cresceu ao ponto de ser hoje, a par de David Silva, o melhor jogador da Premier League. Que espectáculo, Nani!

Cars 2


Cars não é um dos meus favoritos da Pixar, pelo que as expectativas para a sequela não eram grandes. Facto é que foi uma bela surpresa. Entenda-se que não é da craveira do que se fez nos últimos 5 anos (Up!, Wall-E e Ratatouille à cabeça), mas quando a Pixar vai a jogo com o seu avassalador portefólio estético, é difícil que o resultado não seja bom. Em Cars 2, com mais ou menos profundidade na história, a riqueza visual pelo menos não se discute: há um manancial de lugares e cenários e cidades tão vivo e deslumbrante que nos faz babar como se fôssemos uma criança de 5 anos.

Depois o filme tem ângulo. Já vimos, de facto, a história do "herói improvável" muitas vezes, mas a verdade é que Cars 2 foi inteligente o suficiente para ter uma identidade, quando o mais fácil seria recriar de alguma maneira a figura de um protagonista tão evidente como Lightning McQueen. A narrativa à la James Bond também funciona surpreendentemente bem - com um boneco colossal trazido à vida pela voz de Sir Michael Caine! -, e a exaltação da amizade e da riqueza da individualidade compõem, ao fim de contas, um filme com nota claramente positiva.

Para já está entre os 18 pré-nomeados da Academia a melhor Animação do ano. Espero vê-lo na lista final.

7/10


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Caballo ganador


A lenda das segundas épocas de Mourinho cresce todos os dias.

Ontem, na segunda saída mais difícil da época, o Madrid mostrou que vai ser preciso muito para quebrar a equipa desta vez. Como acontece quase sempre que os grandes vão ao Mestalla houve um jogaço e, apesar de o Real ter agarrado a partida durante os primeiros 60 minutos, a última meia-hora foi um inferno vivo, com os che a venderem muito cara a derrota. Em Valência joga-se um dos melhores futebóis da Europa: rápido, vivo, ao primeiro toque, lembra-me sempre o da Alemanha de Löw. Emery é um treinador de grandíssimo nível e ir ao Mestalla é sempre uma violência, que o diga o Barça.

Mas o Real passou porque, à parte a maturidade competitiva, a capacidade de sofrimento e a definição extraordinária de Benzema ou Ronaldo, teve estrelinha. Não foi sorte, porque fez por merecer a vitória; foi daquelas coisas que não se explicam, o fruto de um estado mental fortíssimo, que às vezes parece pôr a vitória a salvo incondicionalmente.

Com o triunfo, Mourinho bateu o recorde de vitórias seguidas da carreira, igualou o de Guardiola e tornou-se no treinador com melhor média de pontos da história do clube. Hoje, parece que o Real pode tudo. Daqui a três semanas descobriremos se tudo é suficiente.

domingo, 20 de novembro de 2011

A inelutável ingratidão do futebol


Este Chelsea é uma equipa que se gosta de ver jogar. Futebol apoiado, técnico, uma ideia em campo, que se traduz num jogo positivo, atraente, com bolas mais do que suficientes para ganhar praticamente todas as semanas. Como na maior parte dos casos, no entanto, há outras coisas que só vão ao seu sítio com tempo ou com um contexto favorável. A disponibilidade mental, a capacidade de encaixe e de sacrifício, e a cultura de vitória são algumas. Noutro contexto, e com o que é capaz de jogar, este Chelsea teria sempre ganho hoje ao Liverpool, e estaria taco a taco na luta pela liderança. Contudo, depois de 2 derrotas nos últimos 3 jogos, e com a pressão de ver Manchester cada vez mais ao fundo no horizonte, correu tudo tão mal quanto poderia, com o balde de gelo a cair inclusive a três minutos do fim...

Infelizmente para Villas-Boas e para o Chelsea não existe tempo na Premier League mais exigente do pós-Mourinho. Ferguson lidera o United há um quarto de século, Mancini precisou de três anos para fazer do City um candidato ao título. A Villas-Boas exigia-se compostura e andamento num par de meses, e ainda por cima apanhou pela frente nada menos do que duas trituradoras made in Manchester.

Com a derrota de hoje é preciso mais do que um milagre para o Chelsea ser campeão. Abramovich queria o toque de Midas de um novo Mourinho, porque é assim que o russo funciona, mas Mourinho só há um; o que não invalida que AVB seja, de facto, um excelente treinador. Acredito que se Abramovich lhe der a oportunidade não se irá arrepender; mas Villas-Boas sabia ao que ia e sabia que no Chelsea, acima de todos, não teria tempo. Não foi feliz.

sábado, 19 de novembro de 2011

O Prémio Puskas

Há monumentos de Messi, Neymar, Ibra e Rooney, mas para mim o golo do ano é de um portento mexicano a quem o destino tem roubado a carreira que merecia: Giovanni dos Santos, na final da Gold Cup.



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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

The Adjustment Bureau


Ficção científica da fraquinha.

The Adjustment Bureau especula com a pré-determinação do destino humano, concebendo uma realidade onde, inconscientemente, as pessoas estão obrigadas a respeitar um plano específico para as suas vidas. Para garantir que estas o cumprem, existe um séquito de meio-anjos-meio-humanos às ordens do Criador, que "ajusta" o dia-a-dia dos indivíduos. Como é bom de ver, nada como um romance proibido para dar uma cambalhota na coisa.

O filme é francamente pobre, mal feito e até inestético. Durante quase todo o tempo as coisas têm de ser de uma maneira porque sim, se não vai correr tudo mal porque sim, para no fim a bottom line estar ao nível de uma qualquer frase motivacional rasca da internet.

A única coisa verdadeiramente interessante é a performance da deslumbrante Emily Blunt.

5/10

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Killer Elite


Uma bagunça.

Acabamos o filme sem compreender a razão de partes substanciais da acção e o argumento parece um monte de blocos independentes metidos num saco, sem ponta de coesão. E ainda usa e abusa de clichés, sendo o assassino que "quer sair" mas o sistema não deixa obviamente o maior de todos.

Statham, Clive Owen e De Niro até nem passam vergonhas, e existem sequências de acção razoáveis, mas o facto da trama ser só uma grande papa contamina todo o resto.

5/10