sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quem está, quem não está e quem devia estar nos Globos 2012


O Filme e a Série do Ano falham irremediavelmente os Globos de Ouro 2012, o que diz quase tudo. Sinceramente é impensável que quer The Tree of Life quer The Walking Dead tenham chegado ao ponto de não serem sequer nomeados. É qualquer coisa de assassino. Para o segundo não consigo absolutamente explicar; no caso mais "sensível", mesmo quem não adore o devaneio artístico do filme de Malick não pode ignorar que está na presença de um autêntico vulto. Como li algures numa crítica, "2011 passará à História como o ano de Tree of Life, ganhe o que ganhar". Não há muito mais a dizer.

Em Melhor Comédia contava ver Crazy Stupid Love e, especialmente, The Guard; chegaram os protagonistas, mas nenhum dos dois. A minha grande vitória da lista acabou por ser ver o enorme Brendan Gleeson candidato a Melhor Actor Comédia. Também saúdo Gosling, que teve uma performance cheia, mas aí já se torna discutível: a nomear alguém por Crazy Stupid Love escolheria sempre Carell. Uma opção que nem se deveria colocar quando o sensaborão Owen Wilson também está entre os nomes da categoria...

Felizmente Midnight in Paris teve o reconhecimento que merecia, juntando Melhor Comédia, Realizador e Argumento. Ao nível do filme enorme que é e do génio intemporal de Woody Allen. Ficou a faltar Melhor Actriz Comédia para Marion Cotillard.

The Ides of March foi outra das estrelas do dia e até o justifica, mesmo que não em tamanha escala. Clooney para Melhor Realizador era o que se exigia acima de tudo.

No resto lembrar ainda a injustiça de se ter esquecido a brilhante performance de Nick Nolte como Secundário em Warrior.

Em televisão, pese o crime supracitado, enaltecer os gigantes Boardwalk Empire e The Game of Thrones na corrida a Melhor Drama. O primeiro junta o fantástico Steve Buscemi para Melhor Actor Drama (que venceu no ano passado) e Kelly Macdonald para Melhor Secundária, mas esquece-se imperdoavelmente de Michael Pitt, que era uma nomeação instrumental este ano. O segundo tem de novo o obrigatório Peter Dinklage, que no ano passado também já levou para casa Melhor Secundário.

Pese a total desconsideração a que The Walking Dead foi votado, não devo deixar aqui de sublinhar que, com justiça, Jon Bernthal teria sempre de estar na corrida para Melhor Actor Drama. Sempre.

Mireille Enos obtém uma nomeação indiscutível como Melhor Actriz Drama por The Killing, Sofía Vergara continua justamente à procura do seu globo, como Melhor Secundária, por Modern Family.

A maior banhada de todas estará, contudo, em Melhor Actor Comédia. Depois de ter ganho o Globo do ano passado, Jim Parsons falha esta lista com estrondo... em benefício do co-protagonista Johnny Galecki. A Associação de Imprensa Estrangeira olhar para The Big Bang Theory e trocar-lhes as nomeações não é a apologia do ar fresco, é só demência.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Boardwalk Empire, season 2


Verdadeiramente brilhante.

Não acredito que alguém seja capaz de ver Boardwalk Empire sem reconhecer a sua venerabilidade. É uma daquelas obras que valeria a pena ver qualquer episódio por si só, tamanha é a classe da realização, a qualidade da recriação dos espaços e da época, a fiabilidade do vestuário e da música, e a reinvenção das personagens históricas. Tem uma base tão rica que a distingue necessariamente, um requinte e um glamour que tornam tudo aquilo um prazer.

A primeira temporada resultou num Emmy de Melhor Realizador para nada menos do que Marty Scorsese, e Globos de Ouro para Melhor Série Drama e Melhor Actor (Buscemi), mas até admito que tenha vivido um pouco mais da forma que do conteúdo. Esta segunda, contudo, foi a definitiva afirmação de Boardwalk Empire como um dos pesos-pesados da actualidade.

A bruta qualidade da realização manteve-se, mas o argumento passou ao nível seguinte, e as personagens cresceram desmesuradamente. Boardwalk sempre se evidenciou pelo potencial das diferentes figuras; nesta segunda temporada esse potencial é absolutamente cumprido.

O palco é Atlantic City, New Jersey, na década de 20, época da Lei Seca. A personagem central é Nucky Thompson (Steve Buscemi), inspirado na figura verídica do barão do crime Enoch Johnson, e a série acompanha a luta pelo poder entre os senhores corruptos da América desses tempos. Buscemi é denso e imponente, tudo o que um protagonista deve ser. É cirúrgico, capaz de manter tudo no bolso, e conhece o meio como ninguém. É um diplomata na realidade absolutamente temível, que não esquece, não é engolido, não se redime, não perdoa.

O outro protagonista é Jimmy Darmody (Michael Pitt), um jovem veterano da 1ª Guerra Mundial, que foi criado por Nucky quando este era o número 2 do seu pai, o antigo mandante da cidade. É ele a grande estrela da season 2. É monumental a forma como cresce, depois de no fim da primeira temporada se rebelar contra o seu mentor. Mal aconselhado, nunca consegue ter legitimidade incontestada para controlar os destinos da cidade, o que o deixa numa situação irremediável. Os últimos episódios da temporada são de uma crueza apaixonante e, com justiça, levá-lo-ão a ganhar qualquer coisa este ano.

A série distingue-se, como já disse, pela quantidade de grandes personagens. Tenho de destacar as seguintes: Margaret Schroeder (Kelly Macdonald), a cerebral companheira de Nucky; Gillian Darmody (Gretchen Mol), a insinuante e viperina mãe de Jimmy; Chalky White (Michael Kenneth Williams), o carismático líder da comunidade negra; Richard Harrow (Jack Huston), o desfigurado e leal braço direito de Jimmy; Michael Stuhlbarg, imponente como o verídico Arnold Rothstein, gangster de Nova-Iorque; e Manny Horvitz (William Forsythe), um icónico gangster russo de Filadélfia.

O último episódio da temporada é outro dos marcos de 2011. Providencial, duro, negro, um dos desfechos mais majestosos que já vi. Boardwalk Empire é daquelas que vai ser lembrada daqui a muito tempo. Agora só volta em Outubro de 2012. Para quem nunca viu, é pôr tudo em dia até lá.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Jericho (2006-2008)


O pós-apocalipse é uma cena que me assiste, e a glória total de The Walking Dead incentivou a que, mesmo em altura de paragem de Inverno, mantivesse o ritmo. Vai daí fui ressuscitar um velho conhecido com quem tinha simpatizado por alturas do Secundário, quando veio para o ar em Portugal, na SIC. Jericho é a história de uma pequena cidade americana que subsiste a um ataque nuclear em grande escala aos Estados Unidos, causador do desaparecimento de 23 das maiores cidades do país.

A primeira metade da season 1 (que tem, no total, 22 episódios) condensa tudo o que me tinha cativado de início. Uma comunidade que de repente cai num vazio de Estado, que não faz ideia de nada do que se passa à sua volta, que perde electricidade e praticamente todas as suas formas de subsistência. A sobrevivência apela-nos muito aos instintos e cria-se uma empatia grande com aquilo. Decidir pela comunidade, inventar recursos, organizar-se, garantir a segurança de todos em relação ao que está lá fora, não deixar o poder cair na rua, tomar as decisões difíceis, dar valor a tudo o que temos por adquirido.


O coração da série é a família Green. O pai, Johnston (Gerald McRaney), é o presidente da Câmara há 20 anos; o filho mais novo e exemplar, Eric (Kenneth Mitchell), é o vice-presidente; e o mais velho, Jake (Skeet Ulrich), é o protagonista, um carismático predestinado que abandonara a cidade anos antes por nunca ter estado à altura do legado da família. As questões familiares e ainda o romance de outros tempos (com a belíssima Ashley Scott) levantadas pelo regresso (que era só passageiro) de Jake são também um indiscutível valor acrescentado para a série.

Ainda assim, é ele e a construção da trama à sua volta o calcanhar de Aquiles da série. A acção é heroicizada para lá de todos os limites, e isso tira-lhe muita credibilidade. Jake pode tudo, faz o que mais ninguém faria, sacrifica-se sempre, safa-se sempre. Tem um fulgor muito para além do recomendado, e a série desgasta-se com isso.

O outro protagonista é o misterioso Robert Hawkins (Lennie James, que teve igualmente um papel curto mas intenso na primeira temporada de The Walking Dead!), um forasteiro que se instala na cidade com a família escassos dias antes do ataque, justamente por saber de tudo o que ia acontecer. Hawkins é o exacto oposto de Jake, e também por isso é a personagem mais notável da série. Racional, frio, absolutamente inteligente, nunca é apanhado desprevenido porque nunca se põe a jeito. Está sempre no controlo da situação, é um ícone. Também merece a nota o velho Mayor Green, a "segunda melhor" personagem, todo ele experiência, classe e carisma.

Na segunda parte da primeira temporada perde-se a mão, e a storyline de confronto com uma cidade vizinha é no geral bastante mal conseguida. A série foi mesmo cancelada por baixas audiências, mas após uma mítica campanha de fãs voltou para uma segunda temporada de 7 episódios. Pese a síndroma dos heroísmos adensar-se até um bocado mais, acho que foi bem acabada, conseguindo dar um fim aberto muito meritório às grandes linhas conspiratórias da trama.

Jericho começa muito forte mas desgasta-se com o tempo. Ainda assim não deixa de ser uma série marcante, com predicados muito particulares, e que explora bem o contexto em que se insere. Não é à toa que em 2007 a TV Guide a colocou em 11º na lista de Séries de Culto de todos os tempos. O legado fez com que os criadores lhe dessem sequência numa série de banda desenhada, sendo que a hipótese de um filme nela baseado foi mesmo aventada na Comic-Con deste ano. Quem sabe.

(o genérico de cada episódio é acompanhado por uma mensagem áudio em código morse, com pistas sobre ele)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quem te viu e quem te vê


Nunca dei grande coisa por Balotelli. Fazer merda quase todos fazem, mas ele sempre abusou. E andar armado em infant terrible sem render em campo nunca encheu barrigas. No Inter era só um miúdo sobrevalorizado num clube esquecido, e quando passou incorrigível pelas mãos de Mourinho dei-o de vez como caso perdido.

Hoje admito que me enganei. Balotelli continua a fazer merdas numa base diária. É notícia todas as semanas, seja por atirar dardos a juvenis, por incendiar a casa de banho de casa ou por sair à noite na véspera de jogos grandes. A diferença é que Mancini fez dele um jogador. Ontem, mesmo na derrota com o Chelsea, foi ele o mais exuberante em campo. Marcou, como já tinha bisado em Old Trafford, ou marcado outras duas vezes na Liga dos Campeões. Vai com 11 golos em 16 jogos, e é daqueles que cheira os jogos grandes. Está feito num misto incendiário de potência, controlo e capacidade de definir. A arrogância continua lá (não que seja um problema), mas agora quando arranca é sempre para fazer estragos. Fica mais temível a cada dia que passa.

Quando foi eleito Golden Boy, no ano passado, disse que melhor do que ele só Messi. Saiba continuar ligado ao que verdadeiramente interessa, e não haja dúvidas de que o céu é o limite.

Vivos


O Chelsea foi finalmente feliz. Numa partida modesta, com poucas oportunidades, é verdade que não brilhou, nem sequer jogou mais do que o City, mas teve o mérito de, com um golo sofrido absolutamente a frio, e com tudo a perder, ainda ter ido a tempo de acreditar que era possível. Depois foi saber ter estrelinha. É uma grande vitória de Villas-Boas. Tem corrido quase tudo mal a este Chelsea e, apesar de já ter mostrado que há ali futebol para mais, há uma semana a sepultura estava escancarada: 12 pontos de atraso para o primeiro, derrotas em todos os quatro jogos grandes!, e a própria Liga dos Campeões em risco. Sem um fio de rede que o segurasse numa semana que podia definir o rumo da sua carreira, Villas-Boas foi supremo. Ganhou em Newcastle, casa da equipa-sensação da Liga, ganhou o grupo da Champions ao Valência, e hoje impôs a primeira derrota da época ao líder.

O homem do jogo, qual assinatura do novo Chelsea de "miúdos", foi um tal de Danny Sturridge. Avançado, 22 anos, nome menor ainda que com história nas selecções jovens inglesas, parecia condenado a uma época de jogos na sombra. Hoje, como nos últimos tempos, deixou Torres e Malouda no banco, Anelka na bancada, e inventou os dois golos da vitória. É um avançado moderno, móvel, de remate fácil, com um grande pé esquerdo. É capaz de dar que falar no Euro.

No fim, mesmo na noite de um Chelsea onde agora pontificam ele, Ramires, Meireles ou Mata, Lampard marcou o golo da vitória, Drogba foi o farol que iluminou os últimos minutos, e Terry o mais entusiasta de todos nos festejos. Omnipresentes, quais monstros destinados a proteger Stamford Bridge para a eternidade. No fundo, o Chelsea são eles. Numa era de renovação, a equipa precisará dos três mais do que nunca.

O 2-1 de hoje não muda praticamente nada no panorama da Premier League. City e United continuam a ser os grandes favoritos, 7 pontos de atraso continuam a ser muita coisa, e não é garantido que este Chelsea já tenha sequer força para se aguentar sobre as próprias pernas. Certo é que, no momento do tudo ou nada, a equipa mostrou que está viva. Foi essa a primeira grande vitória de Villas-Boas. Era também a mais difícil.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Total Film fez um top das 50 mulheres mais sexy do cinema e, em consciência, deixou esta senhora de fora.

Aqui.

Não que desculpe, mas ao menos a Scarlett fica em primeiro. Menção honrosa de fim de ano para Jolie, Hendricks, Mila, Emma Stone, Rosie e January, por esta ordem.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A inevitabilidade da derrota


Perder para o Barça já me deixa mais apático do que irritado. Parece que jogar é uma mera formalidade. Independente ao momento, às circunstâncias do jogo ou ao ambiente, o Barça vem, vê e vence. Hoje houve outra vez a ilusão de que estava tudo na mão do Real, potenciada ao céu pela fortuna de um golo aos 22 segundos. Pura brincadeira. Com tanta tensão como num treino com os juniores, o Barcelona não só virou e matou o jogo, como acabou a maltratar o Real com o fantasma de mais uma goleada. Mesmo sem a magistralidade de outras noites, mesmo com um Messi muito menos exuberante do que é costume, o resultado final foi mais um banho de futebol.

A questão colocou-se em cada "El Clásico" dos últimos dois anos, uma sobre outra vez com esperança renovada para o lado dos de Mourinho, mas é determinante reconhecer a evidência de uma vez por todas: não é que o Real seja banal, ou que Mourinho seja insuficiente, mas o Barcelona é uma das 2 ou 3 melhores equipas da História do futebol. E com uma dessas, não nos enganemos mais, é impossível jogar de igual para igual.

Mourinho lançou mesmo Ozil, quis estar à altura, tocou as estrelas durante meia-hora, mas depois foi varrido pela dureza da realidade. Acreditou, como acreditávamos muitos, que era possível; não é. E, goste-se ou não, da próxima o Real tem de ter a humildade de voltar a baixar a fasquia, meter a faca entre os dentes e voltar a cerrar as fileiras, porque essa é a única maneira de voltar a ter uma chance.

Mesmo em dia de uma derrota a toda a linha, que fique aqui uma certeza: se Mourinho for capaz de ser campeão frente a este Barcelona, pois que não restem dúvidas de que é o melhor treinador de todos os tempos.