sábado, 31 de dezembro de 2011

Nem o apocalipse dava mais espectáculo do que isto. Olá 2012!

Margin Call


É um thriller com muita classe. O que salta mais à vista é o grande nível da realização de J.C. Chandor (que também escreveu o argumento), um estreante nestas andanças, e que já lhe valeu o prémio do National Board of Review para melhor rookie do ano. Visualmente é um filme magnífico. Tudo é cuidado, muito bem pesado, com o intuito de compor um ambiente tenso, volátil, próprio de lidar com pinças. Metade do filme desenrola-se mesmo pela madrugada num arranha-céus, com escuridão, muito silêncio, planos e diálogos muito pausados. É francamente atraente. Depois o filme praticamente não tem agitação porque vive numa guerra de nervos, com todos os envolvidos a terem experiência e serenidade para compreender e saber lidar com a situação, ainda que esta fosse gravíssima.

O filme trata as primeiras horas da crise financeira mundial num banco de investimento. Os momentos em que se percebeu a amplitude de tudo aquilo e em que se teve de agir o mais rápido possível, a que custo fosse. Gostei de Kevin Spacey. Claro que já não é o ícone dos anos 90, mas tem aqui o papel mais interessante em anos, na pele de um executivo com décadas de casa, voz da consciência em relação às consequências do que estava prestes a acontecer. Um homem desapegado, mas comprometido com o futuro e o legado da instituição. Num elenco com muitos nomes grandes, destaco ainda Paul Bettany, pela tremenda personalidade que consegue sempre emprestar às suas personagens. Jeremy Irons não impressiona, e Zachary Quinto continua tão inexpressivo como o Sylar de Heroes.

O argumento não acrescenta muito, mas a realização cria um clima muito bom, suportado por um elenco que é, no mínimo, fiável. Margin Call é um dos bons filmes deste 2011 às portas do fim.

7/10

Beginners


É uma história sobre aprender a ser feliz. O protagonista é um quase quarentão que não acredita no amor e que acabou de perder o pai. O pai, aos 75 anos e depois de 44 de um casamento sem chama, assumira-se gay poucos anos antes. A narrativa entrecorta a relação actual do protagonista com esses últimos anos do pai. O filme tem um desencanto intrínseco, falando, acima de tudo, da irónica busca pela felicidade: do pai que só foi feliz escassos anos antes de morrer, e do protagonista, que aos 38 anos, e quando já nem contava com isso, encontrou a mulher que podia fazer a diferença e decidiu tentar aprender.

Beginners tem uma certa magia aqui ou ali, mas no global não é um filme que me tenha cativado. É um pouco lírico demais, e a sua tristeza romantizada acaba por cansar. Se calhar era essa a ideia, mas o típico jeito distante e incerto de Ewan McGregor torna tudo um pouco penoso e desencantado demais. O mais interessante é o desempenho de Mélanie Laurent (Inglourious Basterds), senhora de uma delicadeza insinuante e perfeitamente sedutora, que cai muito bem ao filme. Christopher Plummer - nomeado para o Globo de Ouro - tem um papel bom, mas não extraordinário.

6/10

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

The Help


Nos últimos anos chegaram aos Óscares dois filmes sobre racismo bastante sobrevalorizados: The Great Debaters e Precious. The Help é muitíssimo melhor do que qualquer um deles. É um filme capaz de falar de racismo finalmente de uma maneira sóbria e tocante, sem excesso de drama, heroísmo ou lobby à mistura. É cativante, honesto e mobilizador, e não se ampara em clichés para falar de preconceitos e discriminação, tendo até a capacidade para não demonizar toda a elite dominante. Não tem pejo em mostrar quem discriminava por convicção, mas também arranja espaço para quem não se revia nesse tipo de comportamento, mas que era absorvido pelas convenções sociais.

A acção passa-se no Mississipi dos anos 60, focando-se na vida das serviçais negras que eram parte integrante das famílias brancas, que delas punham e dispunham, tratando-as como se não fossem gente. É nesse contexto, e paralelamente à explosão do movimento afro-americano de luta pelos direitos civis, que uma jovem jornalista decide publicar um livro a contar o ponto de vista das negras. O retrato é duro, cativando-nos pela sobriedade, pelo sentimento e pelo realismo.

Viola Davis é brilhante. Tem uma compostura e uma presença inolvidáveis. É tanto amargurada, fechada e inacessível, como tocante e profundamente devota à criança branca de quem cuida. Um desempenho claramente oscarizável.

Na realidade todo o leque feminino do filme é rico. Emma Stone esteve à altura de um papel bastante diferente do que está habituada: menos sensual mas com a rebeldia de miúda e uma boa dose de coração; Octavia Spencer tem um papel mais estilizado de mãe negra, mas uma presença forte; Jessica Chastain é mais ingénua, mas o alheamento dá-lhe uma cor especial, e representa-a como outro tipo de discriminação; Bryce Dallas Howard é uma vilã um pouco caricaturada, mas tem uma performance muito relevante a servir de âncora da acção, e será possivelmente a melhor das secundárias.

Tate Taylor realizou e escreveu (excelente argumento adaptado) um filme que não banaliza o racismo, que é sério, enche-nos de respeito e tem o dom de nos emocionar. Absolutamente recomendado.

8/10

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Homeland (2011)


Primeiro estranha-se. A série não tem uma grande química, não dá espectáculo, não tem momentos de levar o queixo ao chão. É sóbria, contida e, nos primeiros episódios, nem se dá ao trabalho de lançar grandes iscas para a acção. Dá-se a conhecer, suavemente.

Depois entranha-se, de facto. Não é monumental, mas é ousada, surpreendente, realista e, sobretudo, magistralmente tensa. Não inventa nada ilógico ou exagerado, pegando, pelo contrário, em situações absolutamente realistas para torturar-nos os nervos. O argumento é notável justamente porque torna situações comuns num thriller brilhante, sem precisar de espalhafato nenhum. Muitas vezes só nós e o protagonista é que sentimos o que está a acontecer, perante o alheamento geral.

Homeland (12 episódios) é a história de um prisioneiro de guerra americano desaparecido no Iraque há oito anos, e que se julgava morto, que é resgatado e volta a casa como herói nacional. No seu encalço está, contudo, uma obstinada agente da CIA a quem uma fonte, pouco antes de morrer, garantiu que a Al-Qaeda convertera um prisioneiro americano.

Já salientei o argumento, também tenho de sublinhar a excelente cadência da realização, algo que falta muitas vezes em televisão: não há tempos mortos. Isto porque se eliminam aqueles momentos de reconhecimento que não acrescentam grande coisa. Os episódios, por exemplo, nunca começam no exacto momento em que o anterior parou.

Por fim o cast, que é a jóia da coroa. Damian Lewis e Claire Danes são duas das estrelas do ano, seguramente. Ele é o Sargeant Nicholas Brody, esfíngico e assombrado. O seu permanente esforço de contenção para aparentar equilibrado é colossal; a gestão do regresso a casa e dos segredos que não pode partilhar é de uma violência a toda a prova. Lewis é perfeito para o papel porque tem o dom de nos inquietar. Exala um mistério tão natural que parece uma bomba sempre no limite de explodir.

Danes é Carrie Mathison, uma genial e inortodoxa agente da CIA, que esconde uma desordem bipolar. É provavelmente a melhor female lead que já vi em televisão. O seu talento e instinto misturados com a obsessão pelo novo herói nacional fazem-na parecer genuinamente enlouquecida. A sua cruzada a ver o que mais ninguém vê, sozinha contra o mundo, é brilhante.

Mandy Patinkin, o mítico Gideon de Criminal Minds, é o secundário de luxo. Saul Berenson é uma lenda da CIA e o mentor de Carrie, é a voz da consciência sempre presente. O seu farto carisma faz o resto.

Homeland corre nos Globos para Melhor Drama, Actor e Actriz dramáticos. Lewis e Danes são candidatos de peso. A série não é a melhor do ano, mas que ninguém duvide que é um thriller de todo o tamanho.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

50/50


É competente mas não cumpre o potencial que se adivinhava.

50/50 é a história de um jovem de 27 anos a quem é diagnosticado um tumor maligno, e da maneira como este vai lidar com o impacto da descoberta e lutar contra a doença. É uma comédia-drama com alguma sensibilidade, algum sofrimento, e uma certa pureza, mas que vale, no essencial, pelo retrato que faz, isto porque a acção é previsível do princípio ao fim, e nunca foge da linha para inventar um pouco que seja. Por ser bem feito em vários momentos essa inaptidão para surpreender nalguma coisa é uma desilusão.

O cast também não impressiona. Gordon-Levitt só tem uma grande cena, e não capitaliza um papel que era fácil. É sempre muito distante e senti-mo-lo pouco. Seth Rogen é tão boçal como sempre. A melhor será Anna Kendrick, pela delicadeza e pela aura de romance que traz consigo.

O filme vai aos Globos candidato a Melhor Comédia e a Melhor Actor, o que me parece desajustado, sobretudo se tivermos em conta que Crazy Stupid Love e Steve Carell ficaram de fora.

6/10

domingo, 25 de dezembro de 2011

2011, a equipa


Casillas; Dani Alves, Pepe, Thiago Silva, Marcelo; Xavi, Iniesta, David Silva; Nani, Ronaldo, Messi.

Suplentes: Neuer, Vidic, Gareth Bale, Ozil, Aguero, Luis Suarez, Mário Gomez.

Treinador: Guardiola