domingo, 15 de janeiro de 2012

A Raínha do Cabo

Não há mais nada de tamanho nível. Poder passar a noite de Sábado com Araújo Pereira e Rebelo de Sousa, em Conversas Improváveis, e ainda com Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira, no Eixo do Mal, diz tudo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O melhor Marítimo de sempre


Ontem, Pedro Martins fez História: com o empate na Mata Real, o Marítimo selou nada mais nada menos do que a sua melhor primeira-volta de sempre. Nunca, em 31 anos de primeira divisão, tínhamos feito melhor média de pontos por jogo: 1.73, fruto de 26 pontos em apenas 15 jogos. Pelo caminho ficou o recorde de Nelo Vingada que, em 1999/2000, fizera 29 pontos... mas em 17 jogos (média de 1.71), no campeonato a 18 equipas.

Em Janeiro não se ganha nada, mas fala pelo nível do que se tem feito este ano. Excelente futebol, melhor marcador da Liga incluído, competitividade em todos os jogos (sporting e benfica já caíram), produtividade elevadíssima (meras três derrotas no campeonato, quartos-de-final na Taça, até Alvalade), e uma cultura ganhadora como, sinceramente, não me lembro de ter visto em todos estes anos. Mérito total, nunca me canso de dizer, do Pedro Martins, de quem derivam, directamente, todos os méritos de uma equipa que era suposto estar a lutar para não descer, e que afinal anda a bater recordes.

Em Janeiro não se ganha nada, mas não é todos os dias que se entra para a História.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

E se uma vez na vida acontecesse o milagre do presidente da Liga não ser o candidato dos três grandes?


Aconteceu ontem.

O desfecho foi autenticamente de fazer cair queixos. Não só porque a santíssima trindade benfica-porto-sporting cerrou fileiras à volta de um candidato, o que é sempre igual a vitória, como porque Pinto da Costa se envolveu pessoalmente nas eleições, enaltecendo o seu António Laranjo, e ridicularizando o então apelidado "candidato do Marítimo".

Pois, calhou de uma vez na vida acontecer o improvável no futebol português. Mário Figueiredo contou com o apoio de 18 dos 32 clubes profissionais, e ganhou absolutamente em toda a linha, Assembleia Geral e Comissão Disciplinar incluídas.

O mais curioso é Mário Figueiredo não ser só o "candidato do Marítimo". É também genro de Carlos Pereira, o presidente, e já foi advogado do clube em várias ocasiões. É um homem que chega ao topo desligado dos grandes, e, nepotismos à parte, mesmo que esta seja uma vitória muito relevante do clube e de Carlos Pereira em particular, que lançou e suportou a candidatura perante a descrença geral, a eleição de Mário Figueiredo é, sobretudo, uma grande notícia para todos os clubes médios e pequenos em Portugal.

No futebol português o normal é que "tudo mude, para que tudo possa ficar igual". Talvez não, desta vez. Os três grandes foram historicamente derrotados no mesmo dia, logo na eleição do líder dos campeonatos profissionais, e as propostas de divisão solidária das receitas, por exemplo, eram uma das bandeiras da candidatura. Os clubes médios e pequenos, porventura fartos do insuportável garrote financeiro, humano e desportivo que representa a influência dos grandes em Portugal, ousaram sair da asa deles, pensar pela sua cabeça e defender os seus interesses. Era o mais difícil. E ganharam. Quem sabe, ontem passará à história como o dia em que o futebol português deixou de ser uma oligarquia.

Coisas que merecem



"A Associação de Telespectadores considerou a série "O último a sair", da RTP, como o melhor programa de 2011. A distinção foi atribuída a «uma sátira inteligente aos 'reality shows' (...) uma ideia original, o que é raro nos canais portugueses", considerou a ATV."
via JN

"O Último a Sair" nunca gozou de reconhecimento da população em geral, nunca foi inteiramente compreendido, e perdeu em audiência, sem apelo nem agravo, para toda a concorrência. Esta distinção não muda nada em relação a isso. Celebra, no entanto, a singela homenagem de fazer notícia daquele que foi, sem sombra de dúvida, o programa de humor mais criativo que me lembro de ver na televisão portuguesa.

Vi-o muito menos do que ele merecia, e é por causa de desleixos como o meu que o entretenimento televisivo em Portugal é o que é. Devíamos todos tê-lo valorizado mais, visto mais na tv e menos no youtube, seguido mais, consumido mais, porque "O Último a Sair" foi o humor no seu alto nível, arrojado, provocante, negro e original. Tudo ali valia a pena, era fresco e delicioso, obra, em boa parte, do génio notável de Bruno Nogueira. Até o formato nunca ninguém tinha visto à frente. Escandalizou, foi desconsiderado, até mal-tratado. O seu legado, no entanto, como o prova o tempo, vai prevalecer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quase tudo sobre emigrar

"O que vale é que continua a haver quem acredite no meu trabalho. E eu continuo a acreditar que é possível fazer carreira a partir do Porto, de Bragança, de Viseu, de Beja, de Faro, do Funchal, de Ponta Delgada, de qualquer outro ponto do País, em qualquer profissão. Mais não seja pelo apego à terra, à vontade de ser português no local onde nasci, de saber que a soberania sobre qualquer território só se mantém enquanto houver quem aí resida e trabalhe. Este não é um discurso de direita ou de esquerda, é uma convicção de frente de combate contra a deserção, pela luta contra o despovoamento de cada uma das partes que corporizam o País fundado por Afonso Henriques."
Rui Neves, no Jornal de Negócios

O futebol para sempre

Acho que, no futebol e no resto, poucas coisas se comparam à beleza do regresso.

Ver Henry voltar a Londres aos 34 anos, saltar do banco, e, nos primeiros 10 minutos, apurar o Arsenal na Taça de Inglaterra, é qualquer coisa maior do que nós. No futebol, saber sair é muito crítico, e voltar longe do que se era é o mais normal do mundo. Mas olhamos para Henry e não ficamos surpreendidos. Se há gente capaz de insinuar a eternidade, Titi seria sempre um deles.

Só vai ficar no Arsenal dois meses. É quanto basta para a magia acontecer. E depois disto, mesmo se fosse embora hoje já tinha valido a pena.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O primeiro post de 2012 e o meu último Inverno no Porto.

Do que vou ter mais saudades é do ir e voltar. De estar no Porto quase a ir para casa, e de estar em casa quase a ir ser estudante outra vez. Those were the days.