quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Dont stop believin


Como escreveu a Marca, caiu um Madrid, pela primeira vez, muito superior.

O jogo verdadeiramente impressionante do Real não chegou para salvar a Taça do Rei, mas alumia o caminho para o que falta. Afinal é possível. Pena que tenha sido preciso chegar ao limite para o demonstrar.

MVP, um prodígio chamado Mesut Özil.

Não bastava o NCIS andar com audiências de 17 milhões de pessoas, e ela ainda arranja tempo para se estrear em Hollywood

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Puss in Boots


É um bocado de Animação razoável, com um protagonista muito bom, e que, no resto, cumpre os serviços mínimos em 1h30m. Puss in Boots não tem nada de muito criativo, nada de muito denso, e monta a sua trama com base numa narrativa recorrente das histórias tradicionais: passado, traição, redenção, regresso. Conta a história do Gato das Botas como um orfão que cresceu numa rústica vila hispânica, de onde teve de fugir depois de ter sido traído pelo seu irmão de sempre. A acção começa 7 anos após esses eventos, e segue os caminhos do reencontro entre ambos, no cumprimento de um sonho comum e no regresso a casa.

O filme consegue fintar alguma superficialidade com a identificação do passado e do lar comum em pano de fundo, mas investe, sobretudo, numa abordagem pouco ortodoxa da história - passarolas voadoras, gansos gigantes, um castelo no céu, etc. - na tentativa de ganhar algum poder de distinção, o que acaba, pelo contrário, por fazer com que seja difícil levá-lo a sério.

Só o próprio Gato das Botas de Banderas é um verdadeiro ás de trunfo. Um apaixonante Don Juan, ladrão romântico e amante irresistível, que deverá voltar ao cinema mais tarde ou mais cedo, e exclusivamente pelo valor próprio que tem. Com um texto de outro nível, acredito que se pudessem fazer coisas muito interessantes com ele.

Com a exclusão de Tintin e Cars 2, Rango, que está longe de ser um grande filme, é, até agora, o mais merecedor do Óscar de Animação, no ano mais pobre a esse nível desde que me lembro.

6/10

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tinker Tailor Soldier Spy


Pondo-o de uma maneira simples, é a maior desilusão do ano.

Um filme britânico sobre espionagem na Guerra Fria, com Gary Oldman, Mark Strong, John Hurt, Colin Firth, Tom Hardy e mais um mão cheia deles parecia uma aposta de risco zero.

O resultado, contudo, é incompreensível. A nível de narrativa, é um dos filmes mais infelizes que vi nos últimos tempos: flash-backs, flash-forwards, cortes e recortes, subentendidos mal entendidos, tudo num perfeito exercício de auto-absorção que, mesmo a ter por base a escrita de Le Carré, falha completamente no grande ecrã. O sueco Tomas Alfredson fez um filme críptico, difícil de assimilar, pretensioso e fechado sobre si próprio, sendo complicado acompanhar o próprio desenrolar da acção, tal é a falta de critério com que se vai colando tudo aquilo. Ver Tinker Tailor Soldier Spy é cansativo, e, no fim, não há ponta de grandiosidade.

O argumento tem uma ou outra linha interessante (a relação do protagonista com a mulher que nunca aparece, a lealdade entre alguns dos membros da cúpula mais alta do MI6), mas está longe de salvar o filme, e não merece a nomeação para Argumento Adaptado que teve hoje. O cast, tão recheado, acaba por anular-se mutuamente. Para mim, que gosto muito dele, Gary Oldman também não justificou a nomeação para o Óscar. Bastou-lhe ter postura, num papel fácil, e muito menos desafiante e poderoso do que a maioria das coisas que costuma fazer. Os melhores foram Mark Strong, a personagem com maior empatia, e Benedict Cumberbatch, underdog num elenco tão celebrado, e que tem os momentos mais tensos do filme.

Tudo somado é quase nada, perante tamanho potencial.

5/10

Óscares, o rascunho


Numa cerimónia com um punhado considerável de surpresas, o grande motivo de festa foi, sem ponta de dúvida, as nomeações do extraordinário The Tree of Life para Melhor Filme, e de Terrence Malick para Melhor Realizador. De facto, depois do vazio total a que foi votado nos Globos, não era de todo expectável que o filme se levantasse nos Óscares. Claro que as nomeações de ambos não os colocam perto da vitória, mas previnem o crime de não reconhecer uma verdadeira obra-prima, um exercício artístico tão monumental, que continuará a ser lembrado daqui por muitos anos.

Nos Secundários, uma grande notícia e uma grande desilusão: Nick Nolte, esquecido nos Globos, foi resgatado com toda a justiça do mundo, fruto da sua performance de dar nós na garganta, em Warrior; já Shailene Woodley, a revelação de The Descendants, falha de maneira incompreensível a lista final. Para mim, foi simplesmente a Melhor Secundária do Ano.

Também na Realização, sublinhar obviamente a confirmação de Woody Allen, e, em Argumento Original, saudar a presença de J.C. Chandor pela sua grande estreia nestas andanças, com Margin Call.

Por fim, o mais incompreensível de tudo: Animação. Tintin, que tinha acabado de ganhar o Globo, fica de fora, em benefício de um dos filmes do género mais pobres dos últimos anos: Kung Fu Panda 2. Até Cars 2, que não tem, claramente, o nível a que a Pixar nos habituou, e que falha igualmente a lista, era muito, mas muito melhor.

Óscares a 26 de Fevereiro. Quando for tudo visto, faço a Antevisão.

A justiça poética


Quando já ninguém contava, The Tree of Life nomeado para Melhor Filme, e Malick para Melhor Realizador!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

CAN 2012: o primeiro jogo grande


O farto talento individual de Marrocos contra a imperturbável maturidade competitiva da Tunísia. No fim, ganharam mesmo os tunisinos, num jogo gerido no limite da perfeição, à italiana: abdicaram da bola, inauguraram de bola parada, e mataram o jogo no contra-ataque. Leitura brilhante de Trabelsi no banco, que preparou, primeiro, uma teia para o virtuosismo marroquino, e injectou, depois, a criatividade que lhe viria a garantir a vitória. A Tunísia não joga melhor, de facto, mas, mental e tacticamente, é uma selecção temível.

Marrocos terá necessariamente um dos melhores plantéis da competição. É uma selecção romântica, que dá gosto ver pela criatividade, o trato da bola e o rasgo ofensivo. Porém, ao contrário da sua génese norte-africana, é uma equipa cativante de mais e cerebral de menos: não consegue parar o jogo, ser rigorosa atrás, e desterra de mais à frente da baliza. Além disso, Eric Gerets prejudicou em vez de ajudar: para o ataque da última meia hora trocou o seu melhor jogador - Boussoufa - por mais um ponta-de-lança, e matou boa parte da clarividência da equipa.

No pressing final os marroquinos ainda podiam ter empatado, mas não chegou. A situação não é confortável, ainda por cima com o Gabão, a equipa da casa, no grupo, mas fica a certeza de que se Marrocos não seguir em frente, foi exclusivamente por culpa própria. Quanto à Tunísia, uma equipa composta em grande escala por jogadores do país, temos candidato: talvez falte algum talento, mas o estofo dos campeões está lá.

Marrocos - Boussoufa é classe pura. Nas costas do perdulário Chamakh, foi a luz da equipa durante todo o tempo em que esteve em campo, com a sua mistura de toque, drible curto e passes açucarados. A saída do médio do Anzhi foi o princípio do fim para Marrocos. O duplo pivot a meio-campo também esteve num nível muito alto: Kharja, o capitão, menos virtuoso e mais pragmático; Belhanda, 21 anos, revelação do Montpellier, mais perto de um box-to-box, e também de um absoluto requinte técnico. Na extrema-direita, uma nota ainda para Amrabat, importante a carrilhar jogo.

Tunísia - Numa selecção colectivista, quem mais brilhou foi o guardião Mathlouthi, do Étoile du Sahel, com 3 ou 4 defesas determinantes. O canhoto Dhadouadi, 24 anos, do Club Africain, foi a chama no ataque durante a maior parte do jogo, mas o verdadeiro espectáculo estava guardado no banco: o extremo Msakni (21 anos, Espérance Tunis) inventou a melhor jogada da competição até agora, e, magistralmente, acabou com o jogo.