quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Clássico é decisivo?


Claro que é, e com nota dramática para o Benfica.

Impressionante a forma como a equipa de Jesus desabou antes do Clássico. Acho que ninguém poderia suspeitar que uma derrota meramente infeliz na Rússia pudesse afectar tanto a carreira da equipa. Num ápice, o Benfica perdeu um campeonato quase certo, abrindo uma incrível luta a três, e vai ter de encarar uma semana que tem potencial para engolir tudo o que foi feito até agora. Talvez o derby não seja decisivo matematicamente, mas, em 5 dias, é facto que se joga a época do Benfica. Se o perder, os três pontos não serão menos do que um verdadeiro abismo, sem falar da equipa em farrapos que irá receber o Zenit, nuns oitavos-de-final grosseiramente acessíveis. Mesmo se empatar, o entusiasmo também passa para o adversário. Toda a gente se lembra como é que o Benfica reagiu à pressão na época passada, e Jesus saberá melhor do que ninguém que nunca poderia ter perdido estes 5 pontos. Agora, a única maneira de sair vivo é ganhar o derby e eliminar o Zenit.

O Porto chega ao jogo de 6ª numa situação que não constaria nem nos seus sonhos mais coloridos, mas não só pelos deslizes do adversário: há necessariamente mérito de Vítor Pereira na resiliência da equipa. Afinal de contas, o Benfica não pode estar a fazer um campeonato de paixão, e o Porto um pavoroso, quando, à entrada para o último terço da Liga, estão ambos empatados. Que um tem jogado melhor do que o outro, sem dúvida, mas o Porto também só perdeu um jogo, e teve a compostura necessária para, depois de Barcelos, e com a avalanche do City pelo meio, ganhar os três jogos até ao Clássico. A equipa estava de joelhos, à espera do KO, mas nunca deitou a toalha ao chão. Claro que, depois das saídas desoladoras da Taça, da Champions, e da UEFA, também Vítor Pereira joga quase tudo no derby e, em caso de derrota, será impossível levá-lo a sério. Mesmo assim, este Porto tem um trunfo indiscutível sobre o adversário: chega à fase decisiva depois de já ter caído, e de já ter arranjado maneira de se recompor, pelo que já está calejado. Se perder, acredito que se mantenha nos calcanhares do Benfica até ao fim, algo que, nas mesmas circunstâncias, duvido muito que a equipa de Jesus seja capaz de fazer.

Por fim, o Braga. Duvidei de Leonardo Jardim tal como duvidava de Domingos, e, em ambos os casos, falhei completamente. Com os antecessores que teve, o melhor elogio que lhe posso fazer é dizer que este é o melhor Braga que já vi jogar. Mistura o bom futebol de Jesus com a senhoria dos últimos dois anos, e permitiu pôr talentos como Hugo Viana, Hélder Barbosa ou Lima no nível mais alto da carreira. Vemos a qualidade de jogo, a confiança, a superioridade natural, as 9 vitórias seguidas, e percebemos que este Braga vai mesmo lutar pelo título. Notável, como tudo o que tem sido feito na presidência de António Salvador.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Óscares, 84 - review


Os Óscares cumpriram a fatalidade de serem previsíveis de uma ponta à outra, o que torna tudo um tanto ou quanto melancólico. É inevitável abordá-los com a maior das expectativas, portanto, quando não há fuga ao guião, faltou sempre qualquer coisa. No fim de contas, The Artist monopolizou mesmo a festa, e foi o grande vencedor da noite: Hazanavicius e Dujardin são vitórias perfeitamente adequadas, mas Melhor Filme veio por arrasto, num hábito muito intrínseco da cerimónia: the winner takes it all. The Artist é bom, é oscarizável, é um ganhador honorável, mas rivalizava com 2 ou 3 filmes claramente melhores.


Curiosamente, a maior surpresa da noite foi a vitória de Meryl Streep: quase toda a gente é capaz de imaginá-la como vencedora crónica, mas a verdade é que a Academia a tinha na prateleira há, imagine-se, 30 anos!, desde 1983, pese o recorde de 17 nomeações. Foi, "apenas", o seu terceiro Óscar, em cuja aceitação Streep não escondeu nem a surpresa, nem uma certa acidez, mas foi uma vitória mais densa do que as restantes, e inteiramente merecida.


Apesar da previsibilidade, foi, no resto, a melhor cerimónia dos últimos anos, e muito superior à do ano passado. Primeiro, pela apresentação: confesso que estava à espera de mais qualquer coisa da parte de Billy Crystal - mais chama, melhor piada -, mas, mesmo assim, deu e sobrou para envergonhar quem lá pôs James Franco no ano passado. Acredito que Crystal não seja para continuar, porque há espaço para a novidade, mas - e na impossibilidade de ter um Gervais, pela própria idiossincrasia dos Óscares -, o formato só pode ser este: glamour e leveza, próprios de um mestre de cerimónias. Quem sabe se Hugh Jackman não regressa (e que deus afaste os Eddy Murphys deste mundo).


Em segundo lugar, foi um ano de grandes momentos em palco, o que não é especialmente comum: belíssimas as subidas de Octavia Spencer (a primeira e mais genuína ovação de pé!) e de Christopher Plummer, mas também a sensibilidade de Streep, a bonacheirice de Dujardin e o sentimento de Asghar Farhadi, o iraniano que venceu Melhor Filme Estrangeiro, sobre a cultura de um povo acima da cortina política.

E, finalmente, o que foi, para mim, o melhor da noite: a realização. Foi, possivelmente, a mais bem conseguida desde que me lembro de ver os Óscares, porque fez a diferença. Os clipes casuais, com personalidades a falar sobre o que o cinema representa para si, e as introduções às categorias, com depoimentos dos nomeados, foram de um bom gosto e de uma envolvência absolutamente extraordinários.

A nível de vitórias pessoais, só não me falhou o mestre Woody Allen, de ontem em diante o senhor supremo dos Argumentos Originais. Não lhe interessará grande coisa, ele que não é homem de Óscares, e que voltou a faltar ontem, mas o que conta é que nunca ninguém tinha ganho três. Pena que Moneyball tenha perdido Argumento Adaptado, mesmo que fique nas boas mãos de Alexander Payne.


Para flashbytes, necessariamente o chavascal de Sacha Baron Cohen na passadeira vermelha e, claro, Angelina: deusa.

Foram os Óscares, um dia quero ser eu. Quem sabe 2013.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Euro 2012: A última chamada


Paulo Bento já tinha dado a entender que, grosso modo, quem falhasse a Polónia, estaria muito provavelmente fora do Europeu.

A grande notícia foi, pois, a primeira chamada de Nélson Oliveira, sinceramente inesperada. O miúdo do Benfica - 2º melhor jogador do Mundial de sub-20 - é um talento de todo o tamanho, que só não é titular porque está no melhor plantel da Liga. Não se saberá se muito ou pouco influenciado pela ausência de Danny, mas Bento demonstrou sensibilidade e, nas suas próprias palavras, dota a equipa de um avançado diferente, que traz valor acrescentado. Não tem a leitura de Postiga, nem serve de referência como Hugo Almeida, mas tem potencial para arrasar qualquer um dos dois: é mais rápido, mais pujante, e o único capaz de jogar de trás para a frente no último terço do campo. Estar com um pé nos 23 é uma óptima notícia para a Selecção, e até deverá contribuir para que Jorge Jesus lhe dedique mais atenção nos próximos meses.

Pelo contrário, a ausência de Hugo Viana é incompreensível, vendo o nível a que está a jogar há meses. A única réstia de esperança é que tenha sido poupado para o derby entre Braga e Guimarães, mas custa-me a crer, e a verdade é que o seleccionador nunca o chamou. Hoje, Viana junta maturidade e fiabilidade à leitura e à técnica, e, para mim, a sua canhota encaixaria como uma luva no próprio meio-campo titular. Admito que Manuel Fernandes foi bem recuperado, pelo que dizem do seu crescimento no Besiktas de Carvalhal, mas com Carlos Martins e Rúben Micael a terem épocas tão pobres em Espanha, é impensável que o prejudicado seja Viana.

Outra dúvida era ver como Paulo Bento lidaria com os mais velhos, e foi respondida de forma clara: Quim, Nuno Gomes, e, de forma mais distante, Deco e Liedson, terão chances exíguas de ir ao Europeu. É a afirmação definitiva de um novo ciclo, que se compreende, apesar de, na minha opinião, os três últimos ainda poderem fazer a diferença a partir do banco.

No resto, baliza, centro da defesa e extremos são áreas pacíficas, mas fica alguma apreensão pelas laterais. Bosingwa é caso encerrado, mas a lateral-direita é, hoje, o ponto fraco da equipa: João Pereira não é fiável, e Nélson não é jogador de Selecção. Com Paulo Bento a definir, e muito bem, que só pretende levar 3 suplentes para o quarteto defensivo, Ricardo Costa é minimamente aceitável, pela polivalência do costume, mas, do mal ao menos, Sílvio ou Eliseu são claramente mais jogadores que Nélson, e com muito melhor passado recente.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Óscares, 84 - preview!


Grande espectáculo em perspectiva, desde logo porque em metade das grandes categorias não existem vencedores antecipados. Nalgumas - Actor, Actriz e Argumento Adaptado -, está mesmo tudo em aberto. The Artist é o grande favorito para Filme, Actor e Realizador, mas, nos Globos, Hazanavicius perdeu para Scorsese na Realização e, nos Critics Choice Awards, Dujardin foi batido por Clooney como Melhor Actor, daí que o monopólio nos principais prémios não seja crível. Como se não bastasse, há cereja no topo da cerimónia: a apresentação regressa à classe de Billy Crystal, depois do grosseiro erro de casting do ano passado:



As expectativas não poderiam ser melhores. Como sempre, seguem os bitaites para os vencedores mas, muito mais importante, sobre quem esses deviam ser:

FILME (vi 9/9)
Há muito tempo que não escondo o meu favorito: 2011 teve muitos filmes bons, mas só um verdadeiramente groundbreaking. The Tree of Life não vai ganhar o Óscar, mas é o filme mais colossal do ano, e estar na corrida até ao último minuto será, pelo menos, a réstia de justiça para a obra-prima de Malick. The Artist, que ganhou tudo até agora, é o vencedor anunciado, e é praticamente impossível que o Óscar lhe escape. Apreciei-o bastante, e o galardão ficará bem entregue, mas as minhas segundas opções eram Midnight in Paris, The Help e The Descendants.

ACTOR (4/5)
Jean Dujardin ou George Clooney, numa das categorias mais disputadas da noite. Clooney teve uma das prestações da carreira, em The Descendants, e já venceu o Globo de Ouro Drama e o Critics Choice, mas, ainda assim, é Dujardin (The Artist), que ganhou o Globo de Ouro Musical, o Sindicato de Actores (SAG) e o BAFTA, quem sai na dianteira. Não haverá vencedor injusto entre ambos, mas também eu torço pelo francês, que foi verdadeiramente icónico.

ACTRIZ (2/5)
Meryl Streep ou Viola Davis, outra disputa fervente da noite, e mais imprevisível do que a categoria anterior: Meryl venceu o Globo de Ouro e o BAFTA, Viola o Critics Choice e o SAG. São ambas perfeitamente sensacionais, num ano que é portentoso a nível de interpretações. Depois de ver The Help, mentalizei-me de que seria impossível não torcer por Viola Davis - uma actriz tremenda, sempre num nível altíssimo, e que nunca ganhou -, mas Meryl Streep é absolutamente arrasadora em The Iron Lady. No Domingo, terei de torcer pelo 3º Óscar da sua carreira.

ACTOR SECUNDÁRIO (4/5)
Não parece haver discussão quanto à vitória de Christopher Plummer, por Beginners, que ganhou absolutamente tudo até agora. O meu vencedor, contudo, seria sempre Nick Nolte, pela sua performance majestosa em Warrior. Plummer tem uma daquelas interpretações sempre muito caras à Academia, de um homossexual que se assume aos 74 anos, mas Nolte é perfeitamente arrepiante, na pele de um pai à procura de redenção. Do meu ponto de vista, também Max von Sydow, por Extremely Loud & Incredibly Close, seria melhor vencedor.

ACTRIZ SECUNDÁRIA (4/5)
Também aqui tem vigorado a unanimidade, quanto à vitória de Octavia Spencer (The Help). Gostei dela, mas, para mim, é uma categoria inquinada desde o primeiro momento, pela ausência de Shailene Woodley (The Descendants). A jovem de 20 anos foi a revelação do ano, e, depois da presença nos Globos e nos Critics Choice, falha de forma atroz os prémios da Academia. Para mim, foi ela a Secundária do Ano. A vitória de Olivia aceita-se, sobretudo porque é possível que seja o único prémio para um filme tremendo como The Help, mas não veria com maus olhos a vitória de Bérénice Bejo, por The Artist.

REALIZADOR (5/5)
Para mim, é a categoria mais rica da noite: 5 trabalhos notáveis de realização, que engrandeceram o ano de forma indiscutível. O grande favorito é Michel Hazanavicius (The Artist), que até agora só não ganhou o Globo de Ouro, perdido para Scorsese. Torcerei, necessariamente, por Terrence Malick (The Tree of Life), cujas probabilidades ínfimas de reconhecimento serão, aqui, um tudo ou nada superiores do que em Melhor Filme, mas admito que, a confirmar-se, Hazanavicius será um vencedor de corpo inteiro. Se não for para nenhum dos dois, nova surpresa de Scorsese seria bastante aceitável, porque Hugo é um trabalho mais de realização, e Midnight in Paris, de Woody Allen, de argumento, apesar de ser globalmente melhor. Alexander Payne seria a vitória mais estranha.

ARGUMENTO ORIGINAL (4/5)
O grande Woody Allen (Midnight in Paris) sai na pole-position, e para tornar-se no primeiro homem de sempre a vencer três vezes a categoria de Argumento Original. Até agora, e num belo ano para realizadores-argumentistas, só perdeu o BAFTA para Hazanavicius, mas, sinceramente, não considero que tenha adversário à altura: perder este Óscar era uma injustiça proverbial. Allen é um génio por quem vou estar a torcer avidamente, e que merece o tal recorde gravado a ouro na História dos Óscares.

ARGUMENTO ADAPTADO (5/5)
É a única categoria que já teve três filmes a serem distinguidos na época dos prémios: Alexander Payne (The Descendants), venceu o Sindicato de Argumentistas; Steven Zaillian e Aaron Sorkin (Moneyball), ganharam o Critics Choice; e Tinker Tailor Soldier Spy triunfou nos BAFTA. É o Óscar mais imprevisível da noite, ainda que me pareça que a corrida se vá fazer entre os dois primeiros, porque TTSS, além de ser um filme fraco, ganhou o Prémio da Academia Britânica, ou seja, a jogar em casa. The Descendants é um argumento (e um filme) globalmente superior, que sem este Óscar corre o risco de ir para casa de mãos vazias, o que seria criminoso. Moneyball, no entanto, tem centelha de génio. A vitória de ambos seria de enaltecer... mas daria o Óscar a Zaillian e Sorkin (este último que venceu no ano passado, com The Social Network).

ANIMAÇÃO (4/5)
Não me lembro de outro ano tão pobre em Animação: de nenhum dos nomeados pode dizer-se que faça a diferença. Não cheguei a ver Tintin, e ainda estou chocado com a presença de Kung Fu Panda 2, mas o mediano Rango, que venceu o Critics Choice e o BAFTA, já tem mão e meia no Óscar. Eu, pelo contrário, dá-lo-ia ao sedutor 2D dos espanhóis Fernando Trueba e Javier Mariscal: Chico & Rita.

Na madrugada de Domingo para Segunda, a partir da 1 da manhã, saberemos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

J. Edgar


Não é um filme que se despreze, mas é de trato muito difícil.

A vida é a do mítico John Edgar Hoover, fundador e presidente do FBI durante 48 anos (1924-72), que é retratado, por um lado, como um vanguardista, que inventou a estrutura moderna do FBI, e, por outro, como um homem conservador, orgulhoso, possessivo e profundamente assombrado pela sua sexualidade. Clint Eastwood exagera na penumbra e na austeridade, mas, ainda que não seja o seu filme mais inspirado, arranca várias cenas muito boas. O calcanhar de Aquiles é, porém, a inacessibilidade do argumento de Dustin Lance Black (que ganhou o Óscar, por Milk), que enfatiza a homossexualidade, mas quer falar de tudo ao mesmo tempo, e descura a história política de Hoover, em benefício da sua personalidade. O resultado é o filme tornar-se cansativo de assimilar, tendo um protagonista muito complexo e uma acção política razoavelmente superficial.

Verdadeiramente de alto nível só a performance de Di Caprio, que não se cansa de mostrar, vez sobre vez, um talento e uma versatilidade extremos: o desassossego e a insanidade do seu Hoover são coisa ao alcance de muito poucos. É de pasmar que se criem polémicas pela ausência de Gosling nos Óscares, e se ache que a de Di Caprio é normal.

J. Edgar ficou aquém das expectativas; Di Caprio não.

6/10

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Hugo


Um dos bons filmes do ano.

Sobressai, acima de tudo, a realização brilhante de Scorsese, que já lhe valeu o Globo de Ouro. Foi o seu primeiro filme em 3D, e o velho Marty saiu-se com a mestria de sempre, inventando um filme que é visualmente irresistível, do ambiente e da luz com que filma a Paris dos anos 30, à verdadeira grandiosidade dos cenários. Tudo em Hugo tem um brilho, um mistério e uma vertigem profundamente poéticos, como numa fábula idílica, e isso é mérito evidente da realização.

O argumento adaptado do consagrado John Logan (Gladiator, The Last Samurai) chega a ser muito bom, mas também é agridoce. A história do pequeno Hugo Cabret, um orfão que vive nos labirínticos intra-muros da Estação de Paris, é sobejamente empática. A sua vida dentro das paredes da estação é sedutora, a relação com um velho e misterioso lojista é bem conseguida, e a caminhada para descobrir o seu lugar é belíssima. O filme deriva, contudo, para uma homenagem aos primórdios do cinema que, mesmo que com bom gosto, baralha a acção, e desilude quanto à alma que seria necessária para fechar superiormente uma história como esta.

Asa Butterfield (The Boy in the Striped Pajamas), de 14 anos, é muito bom. Hugo tem várias semelhanças estruturais com Extremely Loud & Incredibly Close - a orfandade de pai, a busca por respostas no seu espólio e a descoberta de si próprio no processo -, mas, aqui, o protagonista é uma clara mais-valia: capaz de transmitir um propósito, Butterfield comove-nos pela sua extrema maioridade e abnegação. É um senhor, para quem estão reservadas grandes coisas no futuro.

Hugo é uma bela história, muito bem realizada e com um excelente protagonista. Para ser extraordinário, ficou a faltar-lhe génio no desfecho.

7/10

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Extremely Loud & Incredibly Close


Fraco.

O filme prometia uma certa pureza aventureira, apesar de se inspirar na premissa comum do filho que vai seguir pistas deixadas pelo pai que morreu, mas não é competente, muito devido a um argumento (adaptado) que é cansativo e redundante, autoria, imagine-se, de Eric Roth, que já criou, entre outros, obras do nível de Forrest Gump, Benjamin Button, The Insider ou Munich. A preponderância do 11 de Setembro é desnecessária e de mau gosto, a densidade da síndrome de Asperger no miúdo pesa muito - e o estreante Thomas Horn, de 14 anos, não consegue agarrar o filme -, a acção é conduzida de uma maneira superficial, e, ainda por cima, não acaba de forma satisfatória.

Salva-se, apenas, o trato da família a uma criança que é especial, mais a curta personagem de Tom Hanks, e, sobretudo, a performance de Max von Sydow, justamente na corrida para Melhor Secundário este ano.

De resto, Extremely Loud & Incredibly Close é só um daqueles filmes nados e criados para os Óscares - além dos nomes já citados, a realização é de Stephen Daldry (The Hours, The Reader), e o elenco ainda tem Sandra Bullock, Viola Davis ou John Goodman... -, e que só lá chegou por isso, já que o resultado final não justifica minimamente a nomeação para Melhor Filme.

5/10