segunda-feira, 5 de março de 2012

The Girl with the Dragon Tattoo


Grande injustiça terem ficado tanto o filme como Fincher à porta dos Óscares.

The Girl with the Dragon Tattoo é um dos filmes mais distintos de 2011. A história é a de um jornalista de investigação (Mikael Blomkvist, por Daniel Craig) que é contratado por um velho bilionário para investigar o homicídio de uma sobrinha sua, num caso com mais de 40 anos. Para o efeito, esse irá recorrer aos préstimos de uma detective peculiar (Lisbeth Salander, por Rooney Mara), uma jovem brilhante, mas socialmente inapta, e com um passado problemático.

O filme é absolutamente cativante, e o seu estilo gore choca-nos tanto quanto nos agarra ao ecrã. É negro, na essência e no ambiente (para o que contribuem os cenários escuros e gelados da Suécia), tem misticismo (os detalhes da história envolvem a Bíblia), carisma, nervos, violência, sexo, enfim, é surpreendente, agressivo, e vai aos limites para nos provocar.

Em paralelo com a investigação, cruzam-se as histórias dos protagonistas, como um peso evidente para a personagem de Rooney Mara, que rouba o desfecho do filme. Grande adaptação de Steve Zaillian (que esteve em altíssimo nível este ano, assinando, igualmente, Moneyball), à trilogia do sueco Stieg Larsson. Só fica a faltar um fim melhor ponteado, que não quisesse arrebanhar tantas coisas, como, por exemplo, querer fechar a história de Daniel Craig, que abre o filme.

Depois do filme bacoco que fez no ano passado - The Social Network -, o grande David Fincher está de volta. The Girl with the Dragon Tattoo é um espectáculo visual permanente, filmado com a tensão e o negrume que lhe são tão característicos. É tudo tão pesado quanto poderoso, sempre com requinte, e tem o dom de deixar-nos pregados ao ecrã durante umas pouco comuns 2h40. Mantenho uma relação de amor-ódio com Fincher (Se7en, Benjamin Button, The Game vs. Fight Club, The Social Network, Zodiac), mas quando acerta, acerta em grande. É bom tê-lo de volta ao que faz melhor.

Daniel Craig equilibra o filme, mas o ás de trunfo é, obviamente, a performance extraordinária de Rooney Mara. A nova-iorquina leva tudo à frente no primeiro grande papel da carreira: é poderosa, imprevisível e, às vezes, até arrepiante, fazendo-nos entranhar toda a sua estranheza. Brilhante.

Steve Zaillian e David Fincher já se comprometeram para o resto da trilogia Millennium, como é conhecida, e o próximo filme - The Girl Who Played with Fire -, está previsto para o Inverno de 2013, apesar da falta de unanimidade sobre o primeiro filme, nas críticas e nas bilheteiras, ter levantado algumas dúvidas sobre a sequela.

The Girl with the Dragon Tattoo não é só um filme bom a todos os níveis: o negrume, a violência e a intensidade fazem dele, indubitavelmente, um dos maiores filmes do ano.

8/10

The Adventures of Tintin


Paupérrimo.

Nunca li Tintin, mas esperava uma história de aventuras pura, cativante e criativa. O resultado, contudo, é deprimente. A estreia de Spielberg na Animação rendeu uma amálgama largamente exagerada de efeitos especiais sem sentido nenhum e, pior do que tudo, uma história de uma banalidade constrangedora, alicerçada em protagonistas que são muito mais MacGyvers ilógicos, do que personagens humanizadas (para nem falar nos super-animais). Aliás, o filme não tem contacto nenhum nem com a lógica nem com a realidade. É uma história de impossibilidades e exageros, que usa um suposto grande mistério do passado para tentar ser muito melhor do que é, e que não tem, durante a 1h40 de duração, traço nenhum de empatia. A juntar a isso, os bonecos são todos pobres, com destaque para o protagonista, que não tem um rigoroso pingo de alma.

Com War Horse, foi um ano absolutamente desolador para Spielberg, que não realizava há 3 anos, e que, saliente-se, não faz um filme bom desde 2005 (Munich), e um muito bom há uma década (Catch Me If You Can, 2002). Para a próxima temporada, as fichas estarão todas em Lincoln, mas não está fácil manter as expectativas altas.

Em suma, Tintin é um filme de densidade zero, que só se evidencia pelo espectáculo visual inerente a ser um produto caro. Ficou, e com toda a justiça, fora dos Óscares, depois de, sabe-se lá como, ter ganho o Globo de Ouro. Mau demais.

4/10

domingo, 4 de março de 2012

There goes United


A saída de Capello torna impossível que se perspective alguma coisa para a Inglaterra no Euro, mas facto é que há muita gente nova e em forma, e os ingleses podem ser uma das grandes surpresas da competição. Hoje foi Ashley Young a resolver o jogo para o United, de forma monumental. A sua explosão só chegou a um grande aos 26 anos, mas, mesmo sem ser ainda um indiscutível, percebe-se que as muitas expectativas à sua volta não foram goradas: Young tem aparecido nos momentos decisivos (bis ao Arsenal, bis ao Tottenham, golo ao Ajax), e com golos espectaculares como o de hoje.

Depois do tormentoso fim de ano, o United continua a responder como o campeão que é à escalada do City. Nos últimos 7 jogos, 6 vitórias e 1 empate em Stamford Bridge (3-3, depois de estar a perder por 0-3!). Hoje o Tottenham fartou-se de jogar, foi muito melhor equipa até ao 0-2... mas o United é que se fartou de marcar, com uma maioridade assassina. Desde o início do ano, a equipa de Ferguson jogou com 5 dos 7 primeiros, e completa agora esse ciclo com uma auto-confiança fantástica, e a apenas 2 pontos de distância para os homens de Mancini. Até pode perder o título, mas o velho Fergie venderá muito cara a derrota.

O título a três


- Lima é o melhor ponta-de-lança da Liga neste momento. Quer em profundidade, quer no último toque, é, hoje, um jogador avassalador, capaz de finalizar de qualquer maneira, em qualquer zona da área (até fora dela). Depois de ter desiludido na época passada, Leonardo Jardim descobriu, finalmente, até onde pode ir o poço de força que deslumbrou no Belém. Vai com 21 golos este ano, e a este ritmo ameaça a barreira dos 30.

- Vitória à "campeão" do Braga. O Nacional marcou primeiro, foi muito melhor na primeira-parte, mas, tal como tinha feito nos Barreiros, a equipa virou o jogo com uma naturalidade impressionante, quase como se ter estado na mó de baixo fosse um mero pormenor do guião do jogo. Nuno André Coelho e, sobretudo, Elderson são jogadores de menos para este Braga, mas o critério na construção ofensiva, e a inteligência de quem tem do miolo para a frente, torna todos os jogos um pouco mais fáceis. O recorde de vitórias seguidas continua a crescer, e não é crível que a equipa deixe de ganhar os três jogos que faltam até à ida à Luz.

- Candeias merecia melhor do que o Nacional.


P.S. - Logo depois, o Sporting foi perder a casa do antepenúltimo. Duas notas: a primeira para sublinhar que, mesmo com todos os defeitos e limitações que tem, José Mota é treinador de primeira divisão; a segunda para notar a pobreza de mais um penalty anedótico oferecido ao Sporting.

sábado, 3 de março de 2012

Mais um mergulho na reality tv americana: The Amazing Race!


Não era preciso ter visto mais um para ter a certeza de que nunca existiu um reality show em Portugal.

The Amazing Race é mais uma coisinha extraordinariamente viciante. Que não é de agora, note-se, começou em 2001, e a season 20 teve o pontapé de saída há duas semanas. Aproveitei o balanço e vi a temporada 19 (12 episódios). É tão dinâmico, criativo e apelativo que até parece que inventar aquilo era fácil. A série consiste em 10 pares que têm de correr autenticamente o mundo a cumprir diversas missões. Todos os pormenores contam: apanhar o avião certo, saber gerir o dinheiro, ter sentido de orientação, ter atenção aos pormenores, manter a cabeça fria, e nunca, mas nunca, desistir. O último par a chegar em cada etapa é geralmente eliminado, até atingirmos uma final a três, onde o primeiro ganha 1 milhão de dólares. Só para se ter uma ideia, a season 19 passou em 5 continentes, 10 países e 20 cidades. Phil Keoghan é um host com imponência, ainda que não tenha a preponderância nem o carisma de Jeff Probst (Survivor).

O percurso e as missões são uma pequena aula que podia ser patrocinada pela National Geographic. Apresentam-nos os sítios imperdíveis de cada cidade visitada, que são geralmente check-points, e introduzem-nos às principais tradições e hábitos dos povos em questão, que são replicados pelos concorrentes nas respectivas missões (fazer manteiga na Holanda, semear arroz na Indonésia ou carregar tabaco no Malawi, por exemplo). Nós vamos conhecer o mundo com eles, o que é obviamente sedutor.

É um jogo bem menos complexo psicológica e emocionalmente do que o mítico Survivor, mas é muito superior a nível visual, espacial, de dinâmica e de adrenalina. Afinal de contas, corre-se o mundo, e ganha quem cometer menos erros de juízo. A composição dos pares é curiosa. Estes podem ser casais, familiares ou simples amigos e, apesar da elevada componente física, não ganha necessariamente o mais forte. É um jogo de inteligência, agilidade, atenção aos pormenores, e, especialmente, de capacidade de comunicação e química entre os elementos.

A título de curiosidade, as temporadas 3 e 12 tiveram várias etapas em Portugal.

Survivor continua a ser o preferido, mas a cadência, a vertigem e o raciocínio sob pressão tornam The Amazing Race num produto de altíssimo nível. Não é à toa que, em 10 anos, ganhou 8 Emmys para melhor reality show.

Estava no ar


Grande jogo de futebol, acima de tudo.

Ganhou o Porto, como se sentia na antecâmara, fruto de uma resposta de sonho a todos os momentos do jogo: entrada em força a garantir o 0-1, empate numa altura chave em que o Benfica tinha o jogo ganho, e cheque-mate a fazer render a superioridade numérica (mais predestinados como Hulk ou James). Não poderia ter saído melhor. Goste-se ou não de Vítor Pereira, a verdade é que a equipa foi mentalmente extraordinária, arrancando, agora, para um terço final de campeonato na liderança isolada da Liga e com a motivação nas nuvens. Ninguém levou este Porto a sério durante muito tempo, mas roubar-lhe o título será duríssimo.

Globalmente, foi o Benfica a ter mais jogo. Depois do primeiro quarto de hora, que gelou a equipa, até ao golo de James, a partida podia ter ficado resolvida (e parecia que tinha ficado), mas o empate e a expulsão de Emerson foram, contudo, um golpe dramático para quem chegou ao jogo quase sem rede mental. No derby com o Sporting, por exemplo, o Benfica também jogou bastante tempo com 10, e a resposta foi imperturbável, mas, hoje, o 2-3 pareceu mesmo uma questão de tempo. Na pior série de resultados desde que chegou ao banco do Benfica, Jesus pode muito bem ter acabado de perder o campeonato, o que seria impensável há um mês. Se não recuperar, então dificilmente será treinador do Benfica na próxima época.

Uma última nota sobre a arbitragem: foi tão má como Proença, e em prejuízo do Benfica. No entanto, um grande nunca perderá um campeonato em Portugal pelos árbitros. É bom não esquecer esse pormenor.

sexta-feira, 2 de março de 2012