terça-feira, 27 de março de 2012

Perder para este Chelsea


 É ingrato.

A equipa de Di Matteo é um organismo em pura sobrevivência. Banal e incapaz de mandar no jogo, o Chelsea sujeita-se ao que o adversário for capaz de fazer, e limita-se ao instinto dos seus contra-ataques. Há 2 meses, não acredito que tivesse passado na Luz. Hoje, contudo, não chegou ao Benfica ser melhor. A equipa já andou a jogar, a palmos largos, o melhor futebol do país, mas, entretanto, perdeu o glamour, e perdeu, sobretudo, a confiança na superioridade e na classe do seu jogo. O futebol-carrossel já não mora na Luz, e o onze de Jesus opta, cada vez mais, por fazer as coisas em velocidade, força e individualidade. Podia perfeitamente ter dado, tal é a banalidade do Chelsea, mas a falta de lucidez tornaria sempre o Benfica vulnerável ao veneno do jogo adversário.

Mesmo apesar do resultado ser mau, acho que a eliminatória está muito longe de fechada. Não sei se está ao alcance do Benfica do último mês, mas o que a equipa já jogou este ano prova que ir a Stamford Bridge marcar 2 golos é perfeitamente possível. A chave é reencontrar o seu estilo.


PS1 - Às vezes mina a fluidez da própria equipa, mas Gaitán tem o toque de bola dos predestinados. Se tivesse um Maxi nas costas, em fez de um calhau, seria ainda melhor. Na 2ª mão, o Benfica precisa de mais gente a tratar a bola como ele: Capdevilla, Nolito, Saviola, e um Aimar inspirado.

PS2 - Já era fantástico no Benfica mas, nos dias que correm, Ramires é um dos melhores médios do mundo. Sinceramente, não me lembro de mais ninguém com tamanha capacidade para esticar o jogo, tão rápido e com tanto critério. Verdadeiramente impressionante.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Nenhum grande campeão, e um grande fora do pódio


Se acabasse agora, era assim. E se acabasse assim, era bonito.

Pelo meu Marítimo, a caminho da melhor época de sempre, mas também por este Braga extraordinário, que é um exemplo para todos.

Haja História. 

terça-feira, 20 de março de 2012

3 anos a não liderar bem

Marca bonita celebra o estaminé amanhã. 

Criei-o numa já tão distante noite de caloiro, num daqueles acessos de inspiração pela madrugada que encheram tantas noites das Águas Férreas. Nunca pensei se ia sobreviver ou não, mas fez mesmo a Faculdade comigo, e cá está ele. Segundo o blogger, até hoje com 21 mil visualizações de páginas. Parabéns miúdo!

FM 2012, Napoli


4 épocas com o Nápoles. Campeão Europeu, Tricampeão italiano, 2 Taças e 3 Supertaças. 576 golos marcados! Na 3ª época, recorde de pontos da Série A - 101 -, e 2º melhor registo de golos: 120. O Cavani a marcar 64 golos oficiais num único ano. Acima, a equipa-tipo que valeu a Liga dos Campeões na 4ª época.

O FM envolve muito mais variáveis do que as que poderia quantificar. Será, acima de tudo, um jogo de leitura, paciência e agilidade mental. Não escolho tubarões europeus por questão de princípio. Ceifa-lhe a magia, e, se calhar acima de tudo, porque serei inveteradamente pelos underdogs. Nunca tinha ganho uma competição europeia. Desta vez, o save é para emoldurar.

"Desde a primeira jornada, o Sporting tem sido sistematicamente prejudicado"


Se o Sporting acredita mesmo nisso, então que se prepare para uns bons anos fora do pódio. 


P.S. - Estou longe de ser um fã de António Fiúza, com os últimos episódios na Liga à cabeça. De qualquer maneira, as declarações de ontem foram impagáveis: “Há jogadores no Sporting que não trocava pelos do Gil Vicente. O que o Elias custou, por exemplo, dava para pagar três orçamentos do nosso clube. O Sporting tem feito exibições deploráveis no campeonato, e devia olhar para si próprio."

segunda-feira, 19 de março de 2012

"Esqueçam, não vamos ganhar a Liga"


Guardiola irrita-me.

Sempre tive mais consideração por excesso de auto-estima do que por falsa modéstia, e a aura de homem-modelo beatificável de Guardiola tira-me do sério: é condescendência mascarada de respeito, choradinho disfarçado de palmatória, e cinismo a fazer de humildade, mas tudo olhado com um encanto celestial por uma imprensa e uma opinião pública que lhe são completamente devotas. Dá-me uma volta ao estômago ouvi-lo desfazer-se em elogios bacocos aos adversários, dizer que nunca fala de arbitragem mas, qual santinho humanizado, mandar o bitaite quando lhe convém, e o pior de tudo, esta última moda de dizer todas as semanas que acabou a Liga Espanhola para o Barça.

Admito que esta baboseirada é uma boa forma de chegar à cabeça do rival, mas não a suporto, nem consigo respeitá-la minimamente. Se Mourinho agride o Barça, cai o carmo e a trindade, e merece ser irradiado do futebol; se Guardiola se põe com estas paneleirices, é a consciência e a humildade de um grande senhor. Não tenho paciência, e mais, acho deplorável que alguém que é tricampeão espanhol, bicampeão europeu e mundial, e que tem em mãos uma das melhores equipas da História, não tenha pejo nenhum em ter um discurso de bebés como este.

No fim, Mourinho fará questão de dar razão a Guardiola. Até lá, e mesmo sendo desnecessário dramatizar os 2 pontos perdidos ontem, o que importa é que o Real tenha consciência de que o mais provável é que este Barcelona não volte a falhar. O resto é palhaçada.

domingo, 18 de março de 2012

Life's Too Short


Mais um perfeito mimo, fruto do génio de Ricky Gervais, coadjuvado por Stephen Merchant, parceiro criativo de longa data.

Life's Too Short é a história de um actor anão - Warwick Davis, a fazer de si próprio! -, que é profundamente falhado a nível pessoal e profissional, mas que tem um ego do tamanho do universo. A primeira temporada (7 episódios) é deliciosa. Predispõe-se a desmistificar os preconceitos em relações aos anões, só para ser provocadora, e fazer anedota dos piores mitos em relações a eles. É mundana, e goza com as limitações de tamanho, as quedas, as desconsiderações, etc, mas não se pense que não é de um extremo requinte: a forma é só um pormenor, porque o insulto da série não tem a ver com anões, mas com os egos desmesurados e a falta de noção de si próprio.

Warwick Davis, que também contribuiu para a criação da série, é absolutamente impagável. A capacidade para rir de si mesmo e para massacrar o seu próprio estereótipo é sensacional e, com a dureza com que o faz, verdadeiramente incomum. Ao caricaturar-se na sua própria pele, a de um actor que nunca teve um grande papel, produz um resultado tanto mais curioso: inventa a melhor performance da carreira. Fantástico. Além de Gervais e Merchant, que surgem sempre no registo jocoso de super-estrelas para quem o anão é um fardo, Rosamund Hanson (a assistente) e, especialmente, Steve Brody (o contabilista) são óptimos secundários.

Life's Too Short é humor do mais alto quilate.