"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O futebol que merecemos
O que aconteceu no Dragão Caixa não tem desculpa. É intolerável sob qualquer ponto de vista, é o tipo de acontecimento terceiro-mundista que rouba as pessoas ao espectáculo, e só contribui para fazer do nosso desporto cada vez mais pequeno. Justificá-lo com as provocações do treinador do Benfica é uma falta de seriedade, uma piada de mau gosto. O Porto devia ter vergonha do que aconteceu. Se não tem a hombridade de se distanciar, não é melhor do que aquilo.
Ao mesmo tempo, não há como descrever a irresponsabilidade brutal do show de Vieira. Perante um acontecimento grave, o presidente do Benfica só se preocupou em continuar a mascarar mais um ano de fracasso desportivo. O futebol português afunda-se num estado de sítio, mas a prioridade do presidente do nosso maior clube é salvar a própria pele, enquanto vomita discursos aberrantes, incendeia tolos, e leva o ódio aos limites.
O dia chegará em que as pessoas se vão arrepender disto. É bom que não esqueçam quem foram os culpados.
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Band of Brothers (2001)
"Grandpa, were you a hero in the war?
No. But I served in a company of heroes"
Não esperava que, ao fim de tanto tempo, ainda pudesse ficar tão esmagado com um retrato da 2ª Guerra Mundial. Certo é que Band of Brothers entra directamente para a lista de absolutos obrigatórios, onde já ponteavam outras obras de arte de Spielberg como A Lista de Schindler ou O Resgate do Soldado Ryan. O maior elogio que posso fazer a Band of Brothers é reconhecer que está à altura dessas.
O retrato da guerra, em si, é avassalador, e é, possivelmente, o mais cru que já vi. Averso aos lirismos que costumam ser tão caros aos contadores destas histórias, agride-nos com uma brutalidade total. Fala da guerra aleatória, perversa, que não poupa ninguém, que não escolhe, que pode sacrificar qualquer um, em qualquer momento, e de qualquer forma. Mostra o sofrimento profundo de homens normais, não heróis, mas homens como qualquer um de nós, o tudo que se dão a perder, e os pequenos nadas a que se podem agarrar para subsistir, quando vêem todos os dias os seus irmãos de armas a morrer sem avisar.
A guerra pode ter razão de ser, pode merecer muita coisa, mas não tem um fio de beleza, e Band of Brothers é puro nesse tormento. A única coisa que se leva da guerra é a camaradagem, os amigos para a vida, porque quem arrisca tanto, quem põe tanto em causa, não tem alternativa a não ser confiar incondicionalmente. Ali, com tudo a perder de uma maneira tão estupidamente fácil, o que sobra é serem todos tão extraordinariamente iguais. Quando não há alternativa a não ser ir ao limite, o único consolo é não ir sozinho. Band of Brothers é o retrato ímpar dessa irmandade feita de sangue.
A mini-série (10 episódios) baseia-se num livro de Stephen Ambrose, historiador e biógrafo de Eisenhower e Nixon, e é inspirada pela história verídica. Aliás, na introdução de cada episódio, falam os próprios veteranos (cuja identidade só é revelada no fim), com cada capítulo a desenvolver a acção do ponto de vista de um personagem.
No centro da acção, que começa no Dia D, está a Companhia Easy, de paraquedistas, um grupo imensamente coeso e bem treinado, que vai cruzar, de forma inapelável, momentos incontornáveis da 2ª Guerra, como Carentan, Eindhoven, Bastogne, ou Foy. Num trabalho magnífico de realização, vive-se a guerra, autenticamente. Band of Brothers tem as melhores sequências de combate que já vi, o desespero, o frio, o sofrimento, a espera, "nossa" e deles, pequenas vitórias e grandes derrotas, e vice-versa, e a morte, brutal até onde é concebível, ao virar de cada esquina. Tem igualmente episódios, por si só, de outro mundo, como o do cerco a Bastogne, o auge do massacre, ou o do Campo de Concentração de Landsberg, que nos deixa sem reacção, com um verdadeiro nó na garganta, esmagados.
É uma mini-série de personagens fenomenais, ainda que o que sobressaia seja o coração colectivo. A figura central indiscutível é o Major Winters (o fantástico Damien Lewis, de Homeland), um homem inteligente e carismático, que é obrigado pela guerra a tornar-se num verdadeiro líder. Grande performance de Lewis, mais uma, numa assimilação perfeita do homem normal, que se transcende porque é isso que as circunstâncias lhe exigem. O verdadeiro Major Winters faleceu no início de 2011, e foi o último dos comandantes da Easy a morrer.
Há outros nomes de referência, como o irascível Capitão Speirs (Matthew Settle), o pacífico Tenente Lipton (Donnie Wahlberg) ou o confiável Sargento Malarkey (Scott Grimes), mas a série faz valer, acima de tudo, o arrepiante espírito de grupo, que se materializa num conjunto de 15 ou 20 caras todas com história, e que, no fundo, se tornam todas muito próximas e familiares.
Só quando acaba é que percebemos verdadeiramente a consideração e a reverência que ganhámos por aqueles homens. No fim, mesmo na simplicidade da nossa percepção, conseguimos perceber o que aquilo custou, conseguimos imaginar a inimaginável provação a que aquela gente de carne e osso foi sujeita, e compadecemo-nos. Lembramos com nostalgia o seu percurso, e, no episódio final, não há como não nos emocionarmos.
Band of Brothers ganhou, em 2002, o Emmy e o Globo de Ouro para Melhor Mini-série, e ainda o Emmy para melhor cast. Para mim, é uma obra-prima.
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quinta-feira, 24 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Briosa
Houve um tempo em que tinha a certeza de que ia fazer a Universidade a Coimbra. Também tinha a certeza de que a Briosa ia ser o meu segundo clube. Nunca aconteceu, e sou capaz de nunca me perdoar. Já a simpatia pela Briosa ficou, e a vitória de hoje também é minha, é de todos os não grandes. A vitória de hoje é a essência da Taça consumada, é a celebração de um futebol português maior e melhor do que os grandes, mais saudável, que pode fazer a festa e ser feliz de Braga ao Funchal, de Coimbra a Setúbal.
Parabéns Briosa, foi bonito.
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sábado, 19 de maio de 2012
Claro que ganhou o Chelsea
Claro que ganhou o Chelsea. Éramos tolos se duvidássemos. Os deuses andaram 300 minutos a gozar-nos na cara, desde que o Barça entrou em Stamford Bridge a fazer contas ao jogo de hoje com o Real. Claro que ganhou o Chelsea. O Barça meteu quatro bolas no barrote, o Bayern outra, o Messi falhou um penalty, o Robben falhou outro, estava tudo perdido ao intervalo no Camp Nou, tudo perdido ao minuto 90 da final, tudo perdido depois do penalty do Mata, qual quê, éramos tolos se duvidássemos. Claro que ganhou o Chelsea. O 6º classificado da Premier League é campeão europeu, com um adjunto a treinador, com 4 titulares castigados, a estrear na final um miúdo francês, e em casa do adversário, obviamente. Éramos tolos se duvidássemos. Esta era a Champions da ironia, do caos, estava assombrada, já todos devíamos saber. Passará à História como a Champions que toda a gente perdeu, o Barça, o Real, e o Bayern em casa, as três melhores equipas da Europa. O Universo decidiu que o 6º classificado da Liga Inglesa é que teria 7 vidas, e isso é quanto baste. Amo-te futebol.
10 anos, 900 milhões, 4 meias-finais e 1 final depois, Abramovich chega finalmente à sua Champions, com o seu pior Chelsea. Insondáveis são os caminhos do Senhor. Com ela despede-se, como não podia deixar de ser em 2012, mais uma geração extraordinária de jogadores. Outra das equipas da década. O futebol nem sempre é justo, e é provavelmente isso que dirão desta Champions um dia. Já para mim, no meio do caos, foi-o à sua maneira. Como mereciam ganhar aquilo Terry, Lampard e Drogba (e Cech, e Cole, e Essien...). Como mereciam sair assim.
Que ano memorável.
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