"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
É verde-rubro o sonho, do outro lado do mar
A Europa sempre foi o nirvana do maritimismo.
Troféus são outros campeonatos. Ainda sonhávamos com a Taça, mas nada preenchia o nosso imaginário como a UEFA. Jogar com os melhores do continente. Ter aquela vertigem de ir mostrar o Marítimo ao mundo, de estar nos grandes palcos, de jogar onde interessa, onde se faz a diferença.
Cresci com as imagens do Rui Fontes a chorar na tribuna dos Barreiros, em Maio de 1993, quando a equipa-maravilha liderada por um tal de Paulo Autuori se tornou no primeiro clube madeirense a chegar às competições europeias. Com o golo do Paulo Alves ao Aarau, no ano seguinte, que fez com que uma equipa madeirense vencesse pela primeira vez uma eliminatória europeia. Com a bola do Vado à trave, revista no VHS vezes e vezes sem conta, enquanto a geração do meu pai, ainda estarrecida de espanto, se enganava que talvez esse golo pudesse ter derrubado uma tal de Juventus, que tinha o Baggio, o Del Piero e o Ravanelli.
Cresci a acordar cedo para ver o nosso papelinho desenrolado no sorteio da Eurosport, puto a fazer as figas todas para que não apanhássemos um tubarão. E depois a ficar desolado pela forma como nos agigantávamos com os Leeds e os Rangers deste mundo, só para o universo nos virar as costas e fazer-nos perder nos penalties.
A Europa sempre foi o nosso sonho. Do outro lado do mar, ganhar, ganhar, ganhar, como diz o hino. Com mais e menos azares, porém, há muito tempo que a primeira eliminatória nos sabia a pouco.
Ter ganho hoje, chegar finalmente à fase de grupos, é uma emoção indizível. De fora, pode parecer nada, mas, para nós, é um dia em directo para a História. O Marítimo, o grande Marítimo, o maior da Madeira, o Campeão das Ilhas, vai finalmente jogar entre os melhores da velha Europa. Mesmo em crise, e a milhas do dinheiro e das equipas de outros tempos, é desta que vamos finalmente à aventura.
Obrigado ao Presidente, que investiu pessoalmente na campanha. A este grupo impagável de jogadores, que lembraremos daqui a muitos anos. E, acima de todos, ao Pedro Martins. Pensei que nunca ia ver o meu Autuori. Afinal tenho o privilégio de estar a ser liderado por um melhor.
Isto são os nossos títulos. Levar orgulhosamente ao mundo o nome de uma ilha com 250 mil habitantes, bater-se em Anfield, no San Mamés ou em San Siro com o brio do verde-rubro, com as cores dos nossos pais, e dos pais dos pais deles. Ganhar, poder crescer, contribuir para a saúde do futebol português e do país em si. Reviver o Marítimo do Funchal, do Caldeirão dos Barreiros, o Marítimo que se foi perdendo no caminho, mas que continua a não ter igual no coração da Madeira.
O Marítimo que está na casa e no carinho de toda a gente, e que pode voltar a estar na vaidade e na rua e por todo o lado. O Marítimo que só precisa de uma oportunidade para voltar a ser o Marítimo. Uma oportunidade que começou hoje.
Obrigado Leão.
Troféus são outros campeonatos. Ainda sonhávamos com a Taça, mas nada preenchia o nosso imaginário como a UEFA. Jogar com os melhores do continente. Ter aquela vertigem de ir mostrar o Marítimo ao mundo, de estar nos grandes palcos, de jogar onde interessa, onde se faz a diferença.
Cresci com as imagens do Rui Fontes a chorar na tribuna dos Barreiros, em Maio de 1993, quando a equipa-maravilha liderada por um tal de Paulo Autuori se tornou no primeiro clube madeirense a chegar às competições europeias. Com o golo do Paulo Alves ao Aarau, no ano seguinte, que fez com que uma equipa madeirense vencesse pela primeira vez uma eliminatória europeia. Com a bola do Vado à trave, revista no VHS vezes e vezes sem conta, enquanto a geração do meu pai, ainda estarrecida de espanto, se enganava que talvez esse golo pudesse ter derrubado uma tal de Juventus, que tinha o Baggio, o Del Piero e o Ravanelli.
Cresci a acordar cedo para ver o nosso papelinho desenrolado no sorteio da Eurosport, puto a fazer as figas todas para que não apanhássemos um tubarão. E depois a ficar desolado pela forma como nos agigantávamos com os Leeds e os Rangers deste mundo, só para o universo nos virar as costas e fazer-nos perder nos penalties.
A Europa sempre foi o nosso sonho. Do outro lado do mar, ganhar, ganhar, ganhar, como diz o hino. Com mais e menos azares, porém, há muito tempo que a primeira eliminatória nos sabia a pouco.
Ter ganho hoje, chegar finalmente à fase de grupos, é uma emoção indizível. De fora, pode parecer nada, mas, para nós, é um dia em directo para a História. O Marítimo, o grande Marítimo, o maior da Madeira, o Campeão das Ilhas, vai finalmente jogar entre os melhores da velha Europa. Mesmo em crise, e a milhas do dinheiro e das equipas de outros tempos, é desta que vamos finalmente à aventura.
Obrigado ao Presidente, que investiu pessoalmente na campanha. A este grupo impagável de jogadores, que lembraremos daqui a muitos anos. E, acima de todos, ao Pedro Martins. Pensei que nunca ia ver o meu Autuori. Afinal tenho o privilégio de estar a ser liderado por um melhor.
Isto são os nossos títulos. Levar orgulhosamente ao mundo o nome de uma ilha com 250 mil habitantes, bater-se em Anfield, no San Mamés ou em San Siro com o brio do verde-rubro, com as cores dos nossos pais, e dos pais dos pais deles. Ganhar, poder crescer, contribuir para a saúde do futebol português e do país em si. Reviver o Marítimo do Funchal, do Caldeirão dos Barreiros, o Marítimo que se foi perdendo no caminho, mas que continua a não ter igual no coração da Madeira.
O Marítimo que está na casa e no carinho de toda a gente, e que pode voltar a estar na vaidade e na rua e por todo o lado. O Marítimo que só precisa de uma oportunidade para voltar a ser o Marítimo. Uma oportunidade que começou hoje.
Obrigado Leão.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Deviam falar do Braga nas escolas
Ninguém precisa que lhe falem de empreendorismo, de competência, de projecto, de fazer bem, de estar à altura, de crescer e fazer-se grande. As pessoas precisam que lhes mostrem. Mostrar o Braga devia ser o ponto 1 do sumário.
Num país tricéfalo, conformado, onde os grandes e os pequenos já nascem assim, onde se sonha pouco, onde escasseia o mérito e sobejam os favores, onde nunca esbanjou a esperança e a vontade de se provar a si próprio, de ser maior e melhor, há o Braga.
Quando comecei a ver futebol, a alguns 15 anos, o Braga nem candidato à Europa era. Hoje é, no pior dos casos, o terceiro clube português com maior expressão internacional. Começou do zero, acordou e não tinha nada, e foi de cabeça, para o que desse. Hoje dá para lutar pelo título e para ter o respeito do Velho Continente.
No Braga tudo sai bem. Mudam treinadores, mudam titulares, e ninguém dá por eles. Conservou-se a matriz, conservou-se a estrutura, conservaram-se líderes de balneário, claro, mas num clube médio, onde o natural era sucumbir às circunstâncias, têm sido sempre as circunstâncias a sucumbir ao Braga. O Braga bateu a sorte e o azar. A margem de erro do Braga é ser mais inteligente, mais avisado e fazer melhor do que os outros. E este Braga já é uma marca, é um monstro em andamento, uma bola de neve, que rola e rola todos os anos, que perde uns, e se engrandece com outros, justamente maior em si, como organismo, do que qualquer um dos seus.
Num país em que não havia lugar para o Braga, o Braga resolveu provar ao país que ele próprio pode ser melhor. Pode crescer, pode ser fresco, pode ser diferente, pode vir de baixo, pode sonhar, pode agigantar-se, e pode bater-se de frente com qualquer um. Basta ser bom, ser competente, dar de si, e querer, genuinamente, ser melhor.
O Braga foi a melhor coisa que aconteceu ao futebol português desde que me lembro. Hoje, contudo, já é mais do que isso. Depois de ver este jogo no Friuli, no corolário dos últimos três anos extraterrestres, falar de futebol já é falar pequeno. Este Braga é tudo o que Portugal devia ser.
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sábado, 25 de agosto de 2012
Imortais
Armstrong vai perder os 7 Tours, dizem eles.
Não há como evitar um sorriso. É como as Pussy Riot serem presas por desacatos religiosos. A máquina cospe-nos a coisa, formalmente imbatível, possuída da certeza ingénua de que tem as evidências consigo. Nós, ficamos só a olhar com toda a condescendência do mundo: acreditarão eles mesmo que podem reescrever a História?
Armstrong é o maior que alguma vez vi correr. É, também, o desportista mais controlado de todos os tempos. A perseguição a que foi sujeito, durante a sua estratosférica carreira, foi qualquer coisa de doentio e febril, e ultrapassou todos os limites do razoável. Foram dezenas os furos dos jornais franceses que o odiavam, e os médicos e colaboradores e ex-colegas prontos a acusá-lo, e, no entanto, mais de 600! controlos depois, não lhe conseguiram tocar nem num fio de cabelo, para desespero esganado das suas hordas de inimigos.
Armstrong sempre foi o gigante que toda a gente queria ver cair. Como um verdadeiro gigante, porém, ganhou tudo, foi e voltou, e, mesmo assim, nunca perdeu um centímetro de altitude, nunca deixou de ser inatacável.
Hoje, 3 anos depois do último dia, parecem finalmente perto de lhe roubar as 7 Voltas a França. Porque os cães nunca deixaram de correr desalmados por sangue, porque nunca lhe deram paz, mesmo depois do fim. Nunca lhe perdoaram por ser de verdade num desporto tantas vezes podre, por nunca ter fraquejado, por nunca ter perdido, por ser tão espectacularmente melhor do que eles.
Agora, ou continuava nos tribunais até morrer, ou abdicava dos títulos. Como sempre, fez a escolha certa. As águias não caçam moscas. Lance já provou tudo o que tinha a provar, e fê-lo todos os dias da sua carreira. Depois de lhe tirarem os títulos, quem sabe se os pobres diabos que o perseguem compreenderão que a imortalidade não se perde na secretaria.
Londres tem um novo prodígio
Que era bom, toda a gente sabia. Que, à 3ª jornada, o futebol do campeão europeu fosse ele, provavelmente não.
A entrada de Eddie Hazard na Premier League foi um verdadeiro evento nuclear. Titular desde a primeira hora, o seu peso no jogo da equipa tornou-se, num ápice, avassalador. O Chelsea tem 8 golos, ele fez 4 assistências, ganhou 2 penalties e marcou outro. Tudo lhe passa pelos pés, ou a passear-se na cabeça da área, abrindo o jogo com o requinte do seu toque curto, ou nas suas espectaculares explosões em transição, que deixam os adversários irremediavelmente colados. Tem tanto de técnica como de discernimento e objectividade. Todo o seu jogo é um manual de capacidade e inteligência em movimento, em tudo o que faz parece melhor do que os adversários, um passo à frente, imparável.
Mesmo ao fim de tão pouco tempo, não parece prematuro dizer que está encontrada uma das figuras maiores desta Premier League.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
New Girl
Uma das descobertas do ano.
Tem vida, cor, e é genuinamente divertida. 1 apartamento, 3 homens, amigos de anos, e a mulher que vai viver com eles. Todos a beirar os 30, todos solteiros e mal resolvidos amorosamente, a esbanjarem química, nas venturas e desventuras das profissões, dos relacionamentos e da vida comum, tudo cruzado no enorme loft que lhes sabe tanto a casa. New Girl é uma série matura e inteligente, sem piadinhas de algibeira, que vive plenamente entre a seriedade e o humor, entre o "drama" da realização pessoal e o prazer da eterna juventude, adulta à sua maneira, e que dá tanto mais gozo por causa disso.
Zooey Deschanel, nomeada a um Emmy e a um Globo de Ouro, é o coração da série, como o próprio nome indica, e uma grande revelação. Não a retive no 500 days of summer, porque não fiquei fã do filme, mas, "a tempo inteiro", não há como não gostar dela. A sua graça, a desorientação, o politicamente incorrecto, a meninice, o ocasional "one of the guys", juntos aos seus olhos azulões e ao seu jeito, tornam-na absolutamente adorável. Talvez o seu non sense não assente em tudo, mas, aqui, é um papel escrito a olhar para ela.
Jake Johson, no principal papel masculino, é o outro trunfo. O tipo com piada, amuo e bom coração, meio galã despegado, e sempre sem dinheiro, trintão e ainda a trabalhar num bar. Max Greenfield, o mais endinheirado, com melhor trabalho mas, também, o mais peculiar, cheio de manias, regras e falta de senso comum, é o melhor secundário, e também foi nomeado ao Emmy.
A série, nomeada ao Globo de Ouro para Melhor Comédia, já tem a segunda temporada garantida. É difícil não gostar.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Fome de bola
Liga a dois. Não que Braga e Sporting não possam correr, mas, no fim, só muito dificilmente a decisão não será entre a dupla do costume, muito mais fartos em meios, em estatuto, e com um passado recente muito pesado para ser ignorado. Entre Porto e Benfica, os favoritos são os campeões em título. Claro que a equação pode mudar se saírem Hulk e Moutinho, mas o Porto tem todas as cartas na mão. Se no ano passado, com todas as suas insuficiências, e com toda a pressão, Vítor Pereira conseguiu cumprir, desta vez o Porto joga de cima desde a primeira hora, e é o rival quem tem tudo a perder. Além disso, o plantel é mais equilibrado do que no ano passado.
O Benfica gastou mais, ainda não perdeu ninguém, mas a gestão de recursos de Jesus continua a ser pavorosa. Basta puxar, por exemplo, a questão dos extremos: com 4 de nível europeu, o clube deu-se ao absurdo de gastar 22M€ em mais 2. Isso mais os reforços non sense cá de dentro, que nunca calçariam, ou começar a época com 9 avançados... quando só joga 1. Ao Benfica continua a faltar método, rigor e humildade, em benefício da ostentação, e isso só pode prejudicar a equipa, ainda por cima num ano que aconselhava a alguma introspecção, uma vez que a cobrança estará, e legitimamente, no limite extremo do suportável.
O Braga é um pouco imprevisível. A lógica aponta para a manutenção do nível dos últimos anos, mantendo-se escrupulosamente a equipa do ano passado, bem reforçada, e a liderança imponente de António Salvador. O banco é, porém, o factor que baralha as contas. Peseiro é um grande treinador em muitas vertentes do jogo, é renomado, mas toda a gente sabe que tem a carreira manchada por um derrotismo crónico. Se estiver à altura, então o Braga jogará naturalmente pela Champions; o problema é que não estar é uma hipótese mais razoável do que seria suposto.
O Sporting viverá a sua situação impossível de sempre. Não tem o dinheiro dos rivais históricos nem a competência do mais novo, mas ser-lhe-á exigido que bata o segundo, e incomode os primeiros, O plantel é muito interessante, jovem, até bem reforçado, mas o onze não é levado a sério (para o que não contribuem saídas aberrantes de titulares a preço de tostões). Sá Pinto merece o benefício da dúvida, mas tem quase tudo a provar, e usufruindo da mesma estabilidade estrutural de um castelo de cartas, a sua missão é mais difícil no Sporting do que em qualquer outro sítio.
Na habitual zona europeia, o plantel mais forte é o do Nacional. A equipa fez um último terço de campeonato brilhante, uma boa pré-época, e mantém o treinador e quase todos, sobretudo a versatilidade do ataque. Perdeu a dupla de centrais, mas vai entrar certamente forte. O Marítimo continuará a ser uma aposta segura. Saíram 4 jogadores importantes, e ainda podem sair mais 2, o que baralha um pouco as contas, mas Pedro Martins dá garantias no início do seu terceiro ano, o grosso da equipa continua, e os reforços foram bons. O Guimarães é a maior incógnita da época. Em virtude do apocalipse financeiro em que o clube mergulhou, abandonaram o plantel quase duas mãos cheias dos seus jogadores mais caros. As entradas, por sua vez, foram absolutamente parcas. O onze titular continua a ser de valor, mas não há rede, e mudanças tão profundas costumam doer. A apostar, contudo, diria que os homens de Rui Vitória vão bater as circunstâncias, e assumir-se como uma das boas notícias da época.
A espreitar da segunda metade da tabela, sobressai a Académica. O plantel implodiu, mas a Briosa pegou forte no mercado, e reforçou-se a condizer com o estatuto europeu. Um plantel novo em folha é sempre um risco, mas o seu é necessariamente dos mais promissores da Liga. Depois, a Olhanense (se vingar a acalmia entre Sérgio Conceição e o presidente) e o Gil, na linha do que já fizeram no ano passado. Ambos viram os ataques trucidados, mas têm plantéis fiáveis, com, pelo menos, dois bons reforços cada, e são muito bem treinados. O Setúbal deverá conseguir sobreviver entre mundos. Não é uma certeza, porque atravessa uma renovação geracional importante, mas soube estar no mercado e, acima de tudo, conta com José Mota no banco.
No oposto, emerge o Moreirense, e de forma previsível, como o plantel mais pobre da prova, e como principal candidato à descida. O Estoril passará dificuldades, mas reforçou-se surpreendentemente bem para as suas condições. De quem segue na Liga, o Rio Ave, o Paços e o Beira-mar deverão completar o leque que decidirá a descida: perderam os melhores jogadores, e não se conseguiram compensar. O Beira-mar terá o pior plantel dos três, mas os vila-condenses e os pacenses têm o ónus de estrear um treinador, os primeiros, no caso de Nuno Espírito Santo, em absoluto.
Está quase.
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