"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
sábado, 15 de setembro de 2012
Ainda dá para ir à Premier League
Um golo de fora de área, outro à meia-volta, 3 em 5 jogos. O Blackburn é o melhor ataque e o líder isolado do Championship.
O futebol da Velha Albion continua tão espectacular como sempre, e é, definitivamente, um dos melhores sítios do mundo para um senhor de 36 anos continuar a ser feliz.
Para a sua despedida, Nuno Gomes teria certamente propostas melhores. É bonito que tenha escolhido fazer a diferença até ao fim.
Safe House
Não é um filme de acção qualquer.
Tem carisma, o elenco é excelente, a história é competente, deixa-nos ligados. A trama é a de um rookie da CIA, mero guardador de uma safehouse, que acaba por receber um desertor histórico da agência, e que tem de garantir, depois, que ele chega ao seu destino final. As perseguições, os tiroteios, a pancada, são o esperado. O argumento - quem são os bons e os maus, qual o desenlace possível -, não é muito surpreendente. Mas Safe House não é banal, tem ritmo, interesse, e assenta, em particular, no encaixe entre os dois protagonistas - moral/traidor, aprendiz/mestre -, que é muito bem conseguido, e faz de coração do filme.
Denzel Washington é fantástico. O filme pode estar longe do seu gravitas de outros tempos, mas a performance está à altura desses, e é, provavelmente, a sua melhor em vários anos. O papel era a preceito, e Denzel enche-o por completo, com o seu carisma farto e a sua senhorialidade total, numa espécie de lenda a interpretar uma lenda, que lhe assenta perfeitamente. É ele quem carrega o filme, e não há como não desejar voltar a vê-lo em coisas maiores. O seu peso, e essa relação que o argumento projecta entre os dois protagonistas, acaba por mascarar a relativa vulgaridade de Ryan Reynolds.
Safe House não é um filme inesquecível, mas é acção de valor.
7/10
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
The Grey
História simples, mas bem executada.
Um grupo de homens está deslocado a fazer trabalhos pesados para uma petrolífera, no deserto gelado do Alasca, e, na viagem de regresso, vê o avião despenhar-se no meio do nada. O nada, neste caso, é a floresta que serve de covil a uma matilha de lobos, sendo o thriller, como é bom de ver, a luta pela sobrevivência desse grupo já então de sobreviventes.
Joe Carnahan (que assinou o meu apreciado Smokin' Aces), que é também co-autor do argumento, tem uma realização muito interessante. O ambiente era favorável - floresta, gelo, montanhas, água, escuridão, frio, etc -, mas o californiano capitaliza o potencial, com planos generosos, de encher a vista, outros intensos, numa uma bela utilização da imensidão do espaço, dos silêncios, da penumbra e da floresta. Claro que não é um filme surpreendente ou denso, e que a acção é quase sempre antecipável, mas, sem ser vivido a altas pulsações, tem excelentes cenas de tensão e um bom cheiro a medo. Liam Neeson, não tendo uma performance de culto, cumpre ao bom nível de sempre.
Depois, parte essencial do encanto reside no desfecho. Acho que escrevo sempre isto, mas tenho um respeito desmesurado por filmes acabados com classe. Os últimos 20 minutos de The Grey são fantásticos, e toda a sequência do corolário é uma verdadeira pérola, com deslumbre, exaltação, até alguma poesia, com o ecrã preto a entrar exactamente quando devia. Como a última imagem é a que fica, compensa, de certa forma, algumas carências do filme em geral.
7/10
Os culpados
Descobrimos todos esta semana que o governo afinal é um bando de jagunços que, para chegar ao poder, mentiu grosseiramente sobre as razões da crise, e sobre as medidas para tratá-la. Descobrimos também que a sua agenda é tão extraordinariamente de Direita, mais troikista que a troika, como lhe chamam, que ameaça arrancar pela base o próprio nível de vida como o conhecemos. É extraordinário que tenha demorado um ano. A dialéctica do Sócrates-diabo foi sempre patética, a inspiração ideológica deste PSD foi sempre evidente. Sabia-se quem eram, ao que iam, as motivações foram sempre extremas. O país, porém, primeiro deu a maioria, para então indignar-se. E agora pede revoluções como se tivesse sido enganado. Como se estupidez fosse remissão de culpa.
No sábado pede-se que venhamos todos para a rua queimar coisas. O facebook diz que os gregos é que é, que partir esta merda toda é a solução, todos no coro unânime de como somos um país de frouxos, que gosta de levar na cara. Pelo facebook parece que queremos ir todos matar pessoas, e os militares, coisa confortável de se saber, já anunciaram que estão com o povo na indignação. Fizemos a merda, e agora mal podemos esperar para ir brincar no abismo, falando disto com uma ligeireza pavorosa, própria de quem não tem noção.
E o pior? O pior é que sem partir coisas provavelmente já não vamos lá. Batemos com a cara no fundo. Temos parte da própria Direita, todos os moderados, aí pasmados em todas as colunas e em todos os debates, com esta criação demente do homem novo português, pobre até onde der. Claro que tínhamos de mudar. A crise despejou-nos isso na cara. Não somos competitivos, tínhamos de ser. Enquanto houve dinheiro, esquecemos o mérito, a eficácia, o rendimento, fomos um país a brincar. Claro que tínhamos de cortar, sacrificar, mudar para melhor. Vergonha a nossa, ser preciso vir gente de fora para nos dizer. Azar o nosso, termos posto no poder uma Direita profética, decidida a reinventar o país à imagem dos seus livros.
Ir partir coisas é uma ideia perigosa. Mas sem ir para a rua estamos destinados a este limbo insuportável, com um Presidente absurdo, vegetal e catatónico, um rato cuja magistratura de influência é ver a borrasca no horizonte e esconder-se no escuro, só porque fugir do barco ainda não é opção. Com um Primeiro-Ministro esvaziado de credibilidade, rodeado de radicais, sem pingo do estadismo que precisaríamos como de pão para a boca, que já não tem maneira de esconder as contradições, a plasticidade, a ligeireza e a impreparação. Com um Ministro das Finanças a quem o carisma de um cyborg faria inveja, que vai debitando bombas no tom de um retardado a dar um aula chata de Liceu. E, para ser perfeito, com um líder de Oposição que é a caricatura de um chefe temporário, que ninguém leva a sério.
Estes são os nossos políticos por nossa causa. Este é o nosso governo por nossa causa. O país está no limite por nossa causa. Não fomos bons o suficiente, fomos, aliás, muito piores do que isso. Resta-nos conter esta demência. Fazer pela vida nunca foi o nosso forte. Desta vez é capaz de não haver alternativa.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Terminator
"Watching John with the machine, it was suddenly so clear. The terminator, would never stop. It would never leave him, and it would never hurt him, never shout at him, or get drunk and hit him, or say it was too busy to spend time with him. It would always be there. And it would die, to protect him. Of all the would-be fathers who came and went over the years, this thing, this machine, was the only one who measured up."
James Cameron vive 10 anos à frente do seu tempo.
Pela carreira estratosférica, falam os números todos. Assinou cinco filmes para a História do Cinema, tem os dois mais lucrativos de todos os tempos, e a experiência extra-corporal que foi Avatar ainda está na cabeça de toda a gente. Mesmo assim, agora que os completei, acredito que o maior legado da sua carreira foram os Terminator.
Realizar aquilo há mais de 20 anos é qualquer coisa de atordoante. É o cinema-espectáculo antes de haver o cinema-espectáculo, é uma monumentalidade que, no tempo em que se pode fazer tudo, continua a deixar-nos boquiabertos. E a suportar essa execução, que seria sempre icónica, Cameron ainda juntou uma daquelas ideias que se sonha poder ter uma vez na vida.
The Terminator é um argumento visionário. Judgment Day materializa o estapafúrdio de ainda vir engrandecê-lo, com suspense, densidade, efeitos, carisma, um thrill inacompanhável, emotividade.
Ver o regresso deste Cameron seria um dos marcos da minha geração.
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sábado, 8 de setembro de 2012
The Avengers
Joss Whedon fez omoletes sem ovos.
Se num filme de super-heróis já é uma proeza contornar a vulgaridade, o que esperar de um filme que era uma reunião de super-heróis? The Avengers só tinha de existir para vender. Não tinha de ser bom nem mau, era um no-brainer: o planeta estaria em perigo, com um ataque extraterrestre a ser a opção mais provável, haveria injecções cavalares de efeitos especiais, os heróis seriam heróis, cada um com a sua quota-parte de tempo de antena, e o final seria feliz, a pedir uma sequela de forma mais ou menos denunciada.
O trunfo de Whedon, que realizou e escreveu o filme, foi ter sabido viver com essa sua condição. Toda a gente sabia o que eram os Avengers, toda a gente sabia o que esperar, a margem de manobra era possivelmente nula para inventar alguma coisa. E os clichés, a linearidade na acção, a superficialidade do argumento estão todos lá, de facto. A diferença é que Whedon quis apostar nalguma coisa, e apostou onde valia a pena: no trato das personagens, no ambiente, nos diálogos.
The Avengers não tem grandes morais, mas tem o mérito tremendo de não ser um filme plástico, falso moralista. Não quer ser nenhuma aula barata de filosofia. É como tem de ser, mas consegue ter chama no seu próprio estilo. Tem super-heróis que vão salvar o mundo, mas que até são rivais, que até se hostilizam. É ligeiro, tem piada, é bom entretenimento. E ainda é acabado com uma classe de fazer inveja a filmes muito melhores. Joss Whedon leu-o com mestria, e cometeu a proeza de dar-lhe personalidade.
Individualmente, The Avengers não é o tipo de filme onde o cast seja marcante. O facto de 2/3 dos papéis principais serem grosseiramente mal escolhidos também não ajuda: Chris Evans, o Capitão América, e Chris Hemsworth, Thor, são maus demais; L. Jackson, Ruffalo, Scarlett são tarefeiros, que não acrescentam nada. Vai daí, há um abismo a separar Downey Jr. do resto dos colegas heróis, e é ele quem sobressai naturalmente, sempre que está em cena. Tom Hiddleston, o mau da fita, também é uma mais-valia. Jeremy Renner foi mal aproveitado.
O filme não é brilhante, não está entre os maiores do género, mas poderia ser infinitamente pior. Mais do que isso, consegue ter carisma. Merece crédito.
7/10
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Jorge Mendes devia estar sem bateria nesse dia
Só isso pode explicar uma catástrofe daquelas na zona mista.
Ao contrário do que se quer fazer crer, Ronaldo não tem de pedir desculpa nem por ter dinheiro, nem por querer rever o contrato. O futebol não é a Santa Casa, e lucra mais com Ronaldo, do que ele com o futebol.
Ronaldo tem, também, tanto direito a sentir-se inconformado como qualquer um de nós, sejam quais forem as suas razões. Não faz muito sentido que ter tido o mérito para chegar aonde chegou seja um factor. Ninguém tem nada a ver com isso, justamente porque ele não deve nada a ninguém.
O que ele não podia ter feito era ir explodir assim na imprensa. Abalar toda a estrutura do clube e, pior, expor-se à caricatura. Se as coisas estavam más, pareceram insuportáveis nestes dias, quase irremediáveis. Piores não podiam ter ficado. Ronaldo tinha a obrigação de sabê-lo melhor.
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