"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Há gente a quem não se oferece um golo
"Relvado" horrível, a ajudar às dez dúzias de passes falhados. Muito perturbador defender-se que aquilo é a mesma coisa.
Arbitragem para não se chatear, um rebuçado para quem defende.
Mesmo assim, 72% de posse de bola não era para perder. Excelente postura, jogo assumido no meio-campo russo, tenha sido mais ou menos consentido, e oportunidades claras para marcar pelo menos um. Não para malhar Postiga como sempre, mas ter um 9 incapaz de atacar bolas dentro da área é morrer num jogo destes.
No fim de contas, as teias de Don Fabio continuam a ser tão assassinas como sempre, e depois de lhe oferecer um golo, já tínhamos perdido e ainda não sabíamos.
A derrota não põe em causa a qualificação, mas já tenho saudades de ganhar um grupo.
Etiquetas:
Futebol,
Mundial2014,
Rússia,
Selecção
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Monumental
2 episódios da segunda temporada foram suficientes para prová-la como um dos monstros da actualidade.
Homeland é a série mais visceral, tensa e poderosa do mercado, e cada episódio é um desafio de auto-controlo para o espectador, entre a adrenalina, o nervo, a expectativa e um novo choque. A obsessão, o tormento e a electricidade fazem-na tão forte, que acho que provoca desgaste físico a quem a vê.
2 globos de ouro e 6 emmys foram só a amostra.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
The Rumble 2012: O'Reilly vs. Stewart
A política americana é um mundo apaixonante, e coisas como esta ajudam a perceber porquê.
Na ressaca do primeiro debate presidencial, Bill O'Reilly, histórico apresentador do programa de comentário político The Factor, na conservadora Fox News, e o lendário Jon Stewart, organizaram juntos um debate simulado, cómico, satírico na forma, mas extraordinariamente cheio de sumo. Estão ambos no ar desde o século passado (O'Reilly desde 1996, Stewart desde que assumiu o monumental The Daily Show, em 1999), há mais de uma década que são convidados mútuos habituais mas, como o descreve o New York Times, "raramente concordam em relação a alguma coisa excepto quanto ao respeito que têm um pelo outro." De facto, O'Reilly é homem de Direita, como pude conhecer, Stewart assumidamente democrata, como se sabe, e não há nada que enganar nas suas funduras de discurso. Pensam como água e azeite. E mesmo assim, aliás, por isso, tornaram isto possível.
À parte as simpatias políticas, acho que o mais extraordinário desta Rumble, o mais recompensador, é a consideração com que se fica pelo outro lado. Política não tem de ser cegueira, os bons contra os maus, os certos contra os errados, o vale-tudo. Não tem de ser um vazio, um cinzento, uma dialéctica de coisa nenhuma. Como se prova, e na democracia mais mediática do mundo, onde o mais fácil é extremar e deformar, é possível ter dois pesos pesados, duas autoridades, a falarem de concepções ideológicas tão diferentes, sem a capa partidária, sem terem de ganhar nada, de uma forma completamente instrutiva. Discutiu-se substância, uma concepção para o país. Em Portugal, um debate destes, com esta capacidade de encaixe e, sobretudo, com tamanho conteúdo, é, quanto muito, uma utopia.
Sou esquerdista, assimilo e identifico-me com quase tudo o que Stewart defendeu, mas debater com carácter e com inteligência, respeitar o rival, e compreender até os seus méritos, é, possivelmente, das coisas mais notáveis que a política pode oferecer. É o que nos faz a todos melhores, e o que nos educa verdadeiramente.
Esta Rumble é uma aula de política, de ideologia e de actualidade que toda a gente devia aproveitar e, possivelmente, o melhor debate destas Presidenciais americanas.
Etiquetas:
Bill O'Reilly,
Estados Unidos,
Jon Stewart,
Política,
Presidenciais EUA,
Televisão
Provas de vida extraterrestre
Terá havido, nalgum momento da História, coisa semelhante a estes Barça-Real, a estes Messi-Ronaldo?
As duas melhores equipas do mundo, tão mais temíveis do que as outras, os dois jogadores mais fabulosos de uma geração, infinitamente melhores do que os mortais, um de cada lado no mesmo campeonato, a marcarem 70 golos por época, cada um espantosamente melhor por causa do outro, a estupidificarem recordes com décadas, para lá do humanamente concebível. Todos os países do mundo a quererem ver um e o mesmo jogo, a vivê-lo abestalhados do princípio ao fim, e acabarmos na ironia genial de um Messi - 2, Ronaldo - 2. Os meus netos vão olhar para mim com mais brilho nos olhos só porque eu estou a ter o privilégio de viver ao mesmo tempo do que isto.
No jogo, a já tradicional primeira meia-hora estupenda do Madrid, com a qual o Barça não consegue lidar. Ronaldo, poste de Benzema, mais 3 bolas óbvias de golo, contra um vazio blaugrana. O que este Real cresceu num ano é uma enormidade, e só é pena que tamanha fertilidade destes inícios de jogo continue a não valer mais golos. O empate de Messi, na primeira oportunidade e num falhanço logo de Pepe, sempre o defesa mais forte, foi um golpe frio demais. O ónus era do Real, o Barça não pode ser morto, e foi-se a respiração. A equipa manteve a consistência, fez um jogo posicionalmente portentoso quase até ao fim, mas mais um livre monumental a Casillas pareceu definitivo, até porque o Real aparentava ter secado. Pareceu só, porque o duelo era de monstros, e eles lá se resolveram.
Não é o resultado que o Real precisava, e 8 pontos continuam a ser uma imensidão. Mas perder o jogo era perder tudo, e o campeão provou-se em compostura, e provou ao Barça que a Liga só se ganha em Maio. Mais vale acreditar.
P.S. - Ainda sobre Messi-Ronaldo: dar a Bola de Ouro a Iniesta, só porque é o porta-estandarte espanhol, seria uma aberração. Não está em causa o jogador que é Andrès, mas crer que pode ser galardoado ao nível dos outros dois, ou que esta é a altura da História para se agradar a troianos, é coisa delirante ou mal-intencionada.
Messi e Ronaldo não têm comparação possível, não se foge a isso. Cada um tem o seu, e como disse Mourinho hoje, não existe aqui o melhor. O que existe, este ano, é o direito de Ronaldo. Marcou 60 golos, explodiu no Camp Nou, e foi ele quem ganhou, simples quanto isso. Igualmente, achar que a diferença entre os dois deve ser de 4 Bolas para 1, é ser desonesto. Resta esperar que, em Janeiro, a FIFA decida estar à altura desta Era do Jogo.
As duas melhores equipas do mundo, tão mais temíveis do que as outras, os dois jogadores mais fabulosos de uma geração, infinitamente melhores do que os mortais, um de cada lado no mesmo campeonato, a marcarem 70 golos por época, cada um espantosamente melhor por causa do outro, a estupidificarem recordes com décadas, para lá do humanamente concebível. Todos os países do mundo a quererem ver um e o mesmo jogo, a vivê-lo abestalhados do princípio ao fim, e acabarmos na ironia genial de um Messi - 2, Ronaldo - 2. Os meus netos vão olhar para mim com mais brilho nos olhos só porque eu estou a ter o privilégio de viver ao mesmo tempo do que isto.
No jogo, a já tradicional primeira meia-hora estupenda do Madrid, com a qual o Barça não consegue lidar. Ronaldo, poste de Benzema, mais 3 bolas óbvias de golo, contra um vazio blaugrana. O que este Real cresceu num ano é uma enormidade, e só é pena que tamanha fertilidade destes inícios de jogo continue a não valer mais golos. O empate de Messi, na primeira oportunidade e num falhanço logo de Pepe, sempre o defesa mais forte, foi um golpe frio demais. O ónus era do Real, o Barça não pode ser morto, e foi-se a respiração. A equipa manteve a consistência, fez um jogo posicionalmente portentoso quase até ao fim, mas mais um livre monumental a Casillas pareceu definitivo, até porque o Real aparentava ter secado. Pareceu só, porque o duelo era de monstros, e eles lá se resolveram.
Não é o resultado que o Real precisava, e 8 pontos continuam a ser uma imensidão. Mas perder o jogo era perder tudo, e o campeão provou-se em compostura, e provou ao Barça que a Liga só se ganha em Maio. Mais vale acreditar.
P.S. - Ainda sobre Messi-Ronaldo: dar a Bola de Ouro a Iniesta, só porque é o porta-estandarte espanhol, seria uma aberração. Não está em causa o jogador que é Andrès, mas crer que pode ser galardoado ao nível dos outros dois, ou que esta é a altura da História para se agradar a troianos, é coisa delirante ou mal-intencionada.
Messi e Ronaldo não têm comparação possível, não se foge a isso. Cada um tem o seu, e como disse Mourinho hoje, não existe aqui o melhor. O que existe, este ano, é o direito de Ronaldo. Marcou 60 golos, explodiu no Camp Nou, e foi ele quem ganhou, simples quanto isso. Igualmente, achar que a diferença entre os dois deve ser de 4 Bolas para 1, é ser desonesto. Resta esperar que, em Janeiro, a FIFA decida estar à altura desta Era do Jogo.
Etiquetas:
Barcelona,
Bola de Ouro FIFA,
Cristiano Ronaldo,
Futebol,
Liga Espanhola,
Messi,
Real Madrid
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Champions 12/13, o pulso
PORTUGUESES - Grande vitória do Porto, inteiramente merecida, frente a um PSG que ainda não é mais do que um projecto de equipa. O Porto foi adulto, poderoso e sempre melhor, e mereceu o instante prodigioso do talento enorme que é James. Se dúvidas havia, a equipa de Vítor Pereira é claramente a melhor de um grupo que, agora, tem a obrigação de ganhar.
No Braga, Peseiro já teve, pelo menos, duas derrotas comprometedoras, mas a resposta da equipa tem sido absolutamente extraordinária. Depois da estreia-desastre com o Cluj, e com um punho a fechar-se na garganta, a vitória senhorial em Istambul, casa dura de um excelente adversário, resgata o Braga bem vivo para o que falta, e prova os arsenalistas como equipa para estas coisas.
O Benfica, pese a boa vontade da primeira-parte, teve um jogo tão doloroso quanto se esperava, e não conseguiu vingar os seus méritos. A defesa remendada até tem estado à altura, mas o grupo promete ser bem mais duro do que se antecipava: a vitória do Celtic em Moscovo não estava nos planos, e o Spartak continua a ter qualidade mais do que suficiente para ainda baralhar contas a muita gente.
SURPRESAS - Málaga e BATE, tão grandes uma como a outra. Os malaguenhos, num ano em que perdem Cazorla, Rondón e Nistelrooy, estreiam-se na Champions com dois 3-0 (a que juntam o sensacional 3º lugar na Liga!), que os colocam, desde já, como candidatos claríssimos aos oitavos, fazendo miséria do milionário Zenit. Honra seja feita a "El Inginiero" Pellegrini, um homem que falhou no grande voo da carreira, em Madrid, mas que, depois das aventuras com o Villarreal, volta a fazer este pequeno milagre.
Os crónicos campeões bielorussos, por sua vez, afirmam finalmente, e com autoridade, o seu sustentado projecto europeu, e baralham seriamente um grupo que parecia entregue à partida. É o leste "puro" a voltar a dar cartas na alta roda, o Bayern que o diga, e agora é o Valência quem vai ter de correr atrás, já na jornada dupla que se segue.
GRUPOS DA MORTE - O do Real mais do que o do Chelsea, claro, mas ambos muito interessantes. Depois do extraterrestre Madrid-City da primeira jornada, o Real consolidou calmamente a liderança. 2º hattrick seguido para Ronaldo, já melhor marcador, e a passar Messi nos golos da época (12 contra 10). Curiosamente, o todo-poderoso City, ainda assombrado pelo falhanço europeu da última época, já podia ter deitado tudo a perder hoje, perante um Borussia fortíssimo e descomplexado, também ele à procura da redenção europeia. Balotelli salvou a honra citizen em cima da hora, e Mancini ainda vive, mas o ónus fica do lado dos campeões ingleses.
No grupo E, o empate do Shakhtar em Turim provou que é melhor não fazer contas antecipadas. O empreendimento europeu de Lucescu está a ser construído há anos, e tem muita qualidade, pelo que Chelsea e Juventus devem estar avisados. Para já, é a Juve quem está fora do apuramento. A ida do campeão europeu a Donetsk é um dos jogos mais interessantes da próxima jornada.
GRANDES - Pleno para Barça, Real, Arsenal e United. O Real num grupo muito mais difícil do que os outros, como já disse, o Barça com uma superioridade quase violenta, o Arsenal a fazer a sua vida segura de sempre. Sinais menos fortes para o United, que tudo o que faz este ano parece ser em esforço. Depois de muita sorte na primeira jornada, reviravolta mínima na segunda. Boa hora, quem sabe, para Old Trafford descobrir o Braga.
Etiquetas:
Benfica,
Braga,
Futebol,
Liga dos Campeões,
Porto
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
"O brasileiro precisa de comida, educação e saúde, e um pouco de alegria. E a alegria foi"
Grandíssimo documentário sobre uma das lendas desportivas do século XX.
A carreira prodigiosa, a grandeza competitiva, a pureza, a forma única de correr, a compulsão pela velocidade, a idolatria das massas, e a fé de um predestinado, bigger than life, num trabalho de edição magnífico, composto de contributos notáveis e desenhado com uma empatia absoluta.
Senna é uma obra obrigatória, seja para quem gosta de F1, ou de desporto em geral, ou, simplesmente, para quem saiba apreciar um retrato reverente e emotivo de um símbolo universal.
Etiquetas:
Biografia,
Cinema,
Desporto,
Documentário,
F1
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Somos isto?
"Esclarecemos que ante a recusa de uma maior autonomia no seio da Pátria Portuguesa, que desejamos fortemente, optamos pela separação. (...) Desafiamos o Estado português para, em caso de dúvidas, ter a coragem de assumir uma decisão democrática e permitir um referendo na Madeira que, de uma vez por todas, demonstre a vontade do povo madeirense"
Moção de AJJ para a sua reeleição como líder do PSD-Madeira
É triste que, para boa parte dos portugueses, a Madeira não seja mais do que isto. Não temos nada uns contra os outros, não temos nada que nos diferencie. Isso, porém, não é coisa que faça jeito a caciques que se queiram perpetuar no poder. Assim, a guerrilha de eternização de Jardim tornou-se na guerra da Madeira contra o Continente. Tornou-se nas patacoadas sobre o povo superior, instigado de medo e de revolta contra esse temível inimigo externo chamado Lisboa, cujos governos, só por acaso, perdoaram TODAS as bancarrotas que Jardim tão extraordinariamente conseguiu acumular, coisa que, no fundo, só significa que querem fazer disto um Tarrafal ou uma Área 51. Às armas, madeirenses, que a República quer fazer-nos pó. 40 anos desta dialéctica imbecil é tudo o que passa.
Jardim vai morrendo aos poucos, e, entre portas, este é o discurso para radicalizar uns quantos ignorantes, não mais do que isso. Claro que a maioria dos madeirenses não quer ser independente. O problema é que esta é a demência na qual metade deles votaram. Boa parte desses finge que não ouve, com um sorriso envergonhado, não lhe dá importância, mas esta estupidez irresponsável, em tempo de crise, é exactamente o tipo de coisa que faz as outras pessoas perderem a paciência. Claro que a maioria dos madeirenses não quer ser independente. Infelizmente, e por culpa nossa, acho que a maioria do país já não tem a mesma opinião.
Este delírio bafiento surge, novamente, porque daqui a um mês o PSD-Madeira vai a eleições e, pela primeira vez, como já escrevi aqui, Jardim terá um adversário. Assim, há que voltar a polir a demagogia. Na sua brilhante moção, o chefe também reafirma a habitual capacidade para lidar com a rotatividade de poder, quando pergunta "à consciência dos filiados no PSD, se nos vamos suicidar politicamente só para seguir as leviandades e oportunismos? Vamos entregar o PSD-M a um testa-de-ferro dos nossos inimigos políticos?". Aqui, e pela primeira vez na história dos dicionários portugueses, testa-de-ferro define-se como alguém que pensa pela sua própria cabeça. A isto, soma o seu tradicional apego à democracia, acrescentando que "tem de ficar muito claro que os derrotados agora devem ser afastados [do partido] nos termos estatutários". O discurso, como vemos, está sempre a modernizar-se.
No dia 2 de Novembro, votam no futuro líder do PSD Madeira cerca de 3500 afiliados. 2% de madeirenses têm a primeira verdadeira possibilidade de depor Jardim. A queda é improvável, claro. Na Madeira, porém, essa mera possibilidade de mudança é mais valiosa do que uma Revolução.
Etiquetas:
AJJ,
Madeira,
Miguel Albuquerque,
Política,
PSD
Subscrever:
Mensagens (Atom)





