"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
"It builds character Mr. Preston. The kind you only find on mountaintops, and deserts, and battlefields, and across oceans."
Um dos filmes mais underrated que já vi. Fracassou nas bilheteiras, foi desprezado pela crítica e, hoje, não é mais do que uma nota de rodapé na carreira brilhante de Ridley Scott. Se calhar sou só eu, mas nunca vou perceber.
A realização de Scott é poderosa. A fotografia é deliciosa, como a banda sonora, e a performance de Jeff Bridges enorme. O melhor, porém, coisa rara, ainda por cima, é o carisma impagável, o romance, a lição, a inspiração, e a aventura apaixonante. E um fim que me continua a arrepiar de todas as vezes.
Nenhum site de avaliações dirá isto, mas White Squall (1996) é um filme grandíssimo e inesquecível.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Pessoas que merecem
O talento é dádiva divina, a motivação e o profissionalismo educam-se. Depois há uns quantos, poucos, que têm simplesmente uma vontade contagiante de ajudar, de honrar a camisola, de fazer sempre um pouco mais, um pouco melhor. É um compromisso que vem de dentro, uma reciprocidade, carácter. Não é coisa que se ensine, mas que se admira simplesmente.
Ontem, em casa dos Camarões de Samuel Eto'o, eternos gigantes, o Heldon marcou o golo que colocou o seu pequenino Cabo Verde na CAN, pela primeira vez na História. Não foi só um golo histórico de um jogador do Marítimo, foi um golo histórico do Heldon, e acho que ficamos todos mais contentes por causa disso.
Há jogadores que, pura e simplesmente, merecem ser felizes.
Sherlock (2010), seasons 1-2
Um Sherlock Holmes no século XXI é uma daquelas ideias que soam boas desde a primeira hora. Com a BBC a fazer as honras, o resultado era inevitável: a série é um verdadeiro tratado de realização, espectacularmente filmada, muito bem editada e com uma assinatura moderna de requinte. A storyline emana dos escritos de Sir Arthur Conan Doyle, que só conhecia nos traços mais gerais do senso comum, mas a transposição do texto para os nossos dias foi perfeitamente feliz. Estão completas duas temporadas, de três episódios cada (1h30), e a season 3 já foi confirmada para 2013.
Holmes surge, aqui, mais isolado, psicótico, anti-social, quase intratável, e sobrenaturalmente dedutivo. A personagem, e falo por associação com outras representações, é bastante exponenciada, o que lhe dá um carácter ainda mais peculiar. Benedict Cumberbatch assume o papel com uma quase vocação. Conheci-o em Tinker Tailor Soldier Spy, onde, para mim, foi a evidência do elenco, e aqui, o seu afastamento da realidade, o seu olhar às vezes vítreo, a sua psicose e a maneira como experencia a acção chega a ser impressionante.
Martin Freeman injecta densidade na personagem de Watson que, com ele, se torna notavelmente séria e empática. Deixa altas as expectativas para O Hobbit. Lara Pulver, na pele da notória Irene Adler, só tem um episódio, mas passa por ele como um furacão. E nenhum elogio faria sentido se não incluísse a performance extraterrestre de Andrew Scott como Moriarty. A sua insanidade genial, excêntrica e inacompanhável está ao nível do Joker de Ledger, é icónica. Já lhe rendeu o BAFTA deste ano, mas o Globo de Ouro é o reconhecimento que se exigia.
Sherlock, já com 17 nomeações aos Emmys, vale absolutamente a pena. Pelas personagens, pelo nível de execução, e pelo enlace das histórias, que já rendeu autênticas pérolas de episódios. Pessoalmente, só tem um grande senão: a falta de coragem do argumento. Estamos a falar de um produto histórico, mas, para mim, são as decisões feias que separam as grandes histórias das brilhantes, e este Sherlock, com todos os méritos, não evita ficar um pouco aquém do que podia ser.
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sábado, 13 de outubro de 2012
Estreias 2012-13. Last Resort
Poderosa, muito fácil de gostar.
Um submarino nuclear americano recebe uma ordem para bombardear o Paquistão. O comando chega por canais impróprios, há milhões de vidas em jogo, a ordem directa é questionada. Como retaliação, as próprias forças americanas atacam o seu submarino.
A série tem uma certa majestade, uma pujança natural. Faz-se de coisas grandes, militares, tem ritmo, tensão. É bem pensada, evita ser banal. A conspiração promete não ser muito facilitista. E até se equilibrou a claustrofobia do submarino com um ambiente envolvente que promete ser uma pérola: uma pequena ilha ficcional no Índico que tem uma estação da NATO.
Mesmo assim, é provável que fosse uma série mais ou menos linear, se não tivesse personagens muito boas a alavancar o clímax da acção. Acima de todos, o notável Andre Braugher, venerável capitão do submarino, nome respeitado, personalidade intensa e carismática. Scott Speedman, o protagonista, também deixou uma óptima impressão. É o poster boy, mas parece consistente, interessante e, sobretudo, empático.
Depois, são muitas as personagens com potencial. Destaco três: Daniel Lissin é um elemento das black ops, recolhido pelo submarino pouco antes dos eventos em questão. É um Sawyer de Lost, ou um Daryl de Walking Dead, ou seja, um free agent duro, enigmático, com carisma e ainda mais nervo. Sahr Ngaujah é um traficante ao estilo caribenho na pequena ilha de Sainte Marina, tão humano quanto objectivo. A estonteante Autumn Reeser é, por sua vez, uma criadora de tecnologia militar, empreendedora, vivaz e imiscuída no sector em Washington.
O piloto é crucial para qualquer série, e Last Resort começou com o pé direito.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
O sítio onde toda a gente gostava de trabalhar
Qual é o verdadeiro alcance de se ser unânime quando nunca houve tanta oferta e tanto lixo em televisão?
Não que a SIC tenha feito tudo bem. Não que tenha uma programação limpa, inatacável. Apesar disso, o seu estatuto é qualquer coisa de monstruoso. Não é subjectivo, discutível, na verdade, é quase tangível. No fim do dia, não há ninguém que não gostasse de ser jornalista, apresentador, actor ou colaborador da SIC. Ninguém que não gostasse de estar associado, de fazer parte, de ser um bocadinho daquilo. Parece daqueles casos em que já se nasce assim. Em que não há manual de instruções, em que se brilha mais e se faz melhor do que os outros simplesmente porque sim.
Claro que não é tão simples quanto isso. Mas parece. E isso fala por todos quantos, nos últimos 20 anos, quiseram construir um legado sem paralelo nos media portugueses. A fugir ao facilitismo, ao medo de arrojar, às velhas fórmulas. Com investimento na novidade, com visão e iniciativa permanentes, e, sobretudo, com uma excelência maciça em quase tudo o que se fez. A SIC pode não ter sido sempre a melhor, mas trabalhou como se fosse. E isso as pessoas não esquecem, nem deixam de admirar.
Eu tenho 22 anos, a SIC tem 20. Crescemos juntos, god damn true. Esteve comigo das manhãs de sábado, de quando eu ainda não tinha tamanho de gente, e das tardes da lenda inenarrável do Dragonball, até hoje, à Grande Reportagem e aos programas de política pela noite dentro. Acredito que a minha geração vê o imenso reconhecimento transversal por estes 20 anos, e fica um tudo-nada orgulhosa, como se as palmas fossem para um velho amigo, um mentor, um exemplo.
Eu, ainda por cima, acabei jornalista. A SIC continua aqui, a garantir que isso ainda vale a pena. Parabéns. E obrigado.
Comédias 2012-13. New Girl
O primeiro episódio de How I Met Your Mother foi tão mau, que me decidiu de vez a pôr-lhe um ponto final. O entusiasmo já morreu há duas temporadas, agora a falta de ideias grosseira da season 7 provou mesmo que já não faz sentido continuar.
Big Bang e Modern Family não estão decadentes, continuam a valer a pena. Já não têm, no entanto, aquele encanto, a expectativa, a imprevisibilidade criativa.
Nada que se compare a New Girl. O início de segunda temporada foi outra confirmação tremenda das boas ideias que surgiram no ano passado. Cada episódio é fresco, genuíno, carismático. Sente-se que ainda tem avenidas por explorar, tem génio todas as semanas, e a novidade torna-a mais entusiasmante do que qualquer uma das outras.
A julgar pelo início, este é o caminho para reclamar os prémios perdidos no ano de estreia.
Há gente a quem não se oferece um golo
"Relvado" horrível, a ajudar às dez dúzias de passes falhados. Muito perturbador defender-se que aquilo é a mesma coisa.
Arbitragem para não se chatear, um rebuçado para quem defende.
Mesmo assim, 72% de posse de bola não era para perder. Excelente postura, jogo assumido no meio-campo russo, tenha sido mais ou menos consentido, e oportunidades claras para marcar pelo menos um. Não para malhar Postiga como sempre, mas ter um 9 incapaz de atacar bolas dentro da área é morrer num jogo destes.
No fim de contas, as teias de Don Fabio continuam a ser tão assassinas como sempre, e depois de lhe oferecer um golo, já tínhamos perdido e ainda não sabíamos.
A derrota não põe em causa a qualificação, mas já tenho saudades de ganhar um grupo.
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