quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Battle Born (2012)


O novo álbum dos Killers saiu há um mês e meio, e é um prato cheio. A aliar à deliciosa sonoridade de sempre, houve inspiração e criatividade para uma playlist quase inteira a valer a pena, coisa que não digo muitas vezes. Uma verdadeira beleza.

Favoritas são a Deadlines and Commitments, a Heart of a Girl, a From Here on Out e a homónima Battle Born.

Para ouvir e colar, e ficar a imaginar como seria se cá voltassem no Verão.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Um abuso de bom


5 episódios e todos vertiginosos, sem pouparem nada, sempre escritos com um thrill como se fosse o último. Homeland é, semana sobre semana, uma série total, sem limites no impacto e na qualidade do que pode oferecer. O 2º Globo de Ouro tem de estar ali, ao virar da esquina.

Treinador do Ano


Inovação feliz com dois anos, aquando da fusão da Bola de Ouro com o MVP FIFA.

São 10 os nomeados, e, à partida, a lista até devia emanar com uma simplicidade lógica. Grosso modo, seria pacífico nomear o Campeão do Mundo/Europa de selecções e o runner-up, o Campeão Europeu e o runner-up, o vencedor da Liga Europa, os campeões das 4 principais ligas e, nas vagas sobrantes, avaliar entre o campeão francês, os runners-up das ligas espanhola, inglesa e, dependendo do caso (como aconteceu com Domingos, no Braga), da Liga Europa.

Assim, os 10 nomeados de 2012 seriam Del Bosque, Prandelli, Di Matteo, Heynckes, Simeone, Mourinho, Mancini, Conte, Klopp e, no meu juízo, Guardiola.

Foram 8 destes 10. Simeone, que ganhou TODOS os jogos europeus que fez em 2012, incluindo duas finais europeias de goleada, e cujo Atlético de Madrid lidera a Liga das Estrelas pela primeira vez em 17 anos, e António Conte, campeão na Juventus (matriz da Itália vice-campeã da Europa), sem derrotas, ao fim de 7 anos, foram os sacrificados. Em benefício de quem? De Ferguson, que perdeu a Liga e foi humilhado na Europa, primeiro na fase de grupos da Champions, pelo Basileia, depois na UEFA, pelo Bilbao; e de Joachim Low, que falhou a tão anunciada final do Euro com a Alemanha. Implicado está.

Quanto ao vencedor, só se concebe uma corrida a dois: Del Bosque vs. Mourinho (Guardiola comporia o trio, quanto a mim, reeditando a pole de 2010; senão, Di Matteo). O Especial teve um ano espantoso, concretizando o que, uma mera época antes, parecia delirante: quebrar uma das melhores equipas da História. E fê-lo com assinatura, como tinha de ser: o Real bateu o recorde de pontos e de golos da Liga Espanhola, foi campeão no Camp Nou e só falhou a final da Champions nos penalties. Mourinho tornou-se no primeiro treinador da História a ganhar as três grandes ligas.

Don Vicente, alcançou, no entanto, a enormidade de juntar um Campeonato da Europa ao Campeonato do Mundo. Passou a ser, igualmente, o único da História a somá-los a uma Liga dos Campeões, no palmarés. Mourinho teve de fazer 5 ou 6 vezes mais jogos, mas a sua Espanha chancelou-se, oficialmente, como a melhor selecção de todos os tempos, e isso diz tudo o que há para dizer.

É a disputa mais equilibrada até hoje, depois das vitórias indiscutíveis do próprio Mourinho e de Guardiola, nos últimos dois anos, e ambos merecem a vitória inteiramente. Torço por Mourinho, como sempre. Del Bosque, porém, nunca ganhou, e reconheço que faria sentido que isso pesasse a seu favor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Momentos de Mudança, SIC


É o jornalismo como era suposto que ele fosse.

Incrivelmente bem filmado, com uma profundidade, um tacto e uma capacidade para contar não raras vezes comoventes.

Somos deficitários em muitas coisas, mas sorte a nossa, nestes tempos falíveis, ainda haver tamanha qualidade na nossa televisão, capaz de nos sensibilizar com o retrato de um país, e com as suas dores de mudança nos últimos 20 anos. E capaz de compadecer-nos e de educar-nos, coisa que, no mínimo, há de nos ser um bom ponto de partida para o que está para vir.

Enquanto houver este jornalismo, ainda temos a obrigação de ter esperança.

Boa imprensa, boa publicidade e boa vizinhança na Bola de Ouro


Concordo com mais de 3/4 da lista, não está mal. Como sempre, há, contudo, uns quantos casos pródigos nestas coisas, com os quais vale a pena implicar.

A ausência de Pepe é dos maiores paradigmas de má imprensa. Só quem não viu nenhum jogo da época do Real, a jogar ele ao lado de Sérgio Ramos, é que pode achar este desfecho normal. Ramos nem na lista devia estar, mas é o caudilho, o vice-capitão do Real e um titular na Era da Espanha, enquanto Pepe, infinitamente mais fiável e mais preponderante, é só o asesino. Mais extraordinária só a nomeação de Piqué, que comete a proeza de a conseguir, mesmo tendo falhado quase metade da Liga Espanhola, por lesão.

Depois, publicidade em estado puro. No dificílimo Brasileirão, o Santos de Neymar ficou em 10º, em 2011, e vai em 12º, este ano, já com a Libertadores perdida nas meias-finais. Balotelli, por sua vez, tem sido sempre o 4º ponta-de-lança do City, foi pouco além da dezena de golos, e fez um único jogo bom em todo o Europeu. Mesmo assim, estão ambas as pop stars nomeadas, enquanto Mario Gómez (41 golos oficiais no vice-campeão europeu!, melhor marcador do Euro) e Higuaín (26 golos determinantes para o melhor ataque da História da Liga Espanhola) ficaram de fora.

Finalmente, questões de estatuto: Silva e Fabregas tiveram uma época bem mais plena individualmente do que Xavi, Xabi Alonso e Ozil. A ausência de David Silva, então, é absolutamente inacreditável: foi ele o jogador mais determinante do campeão inglês, e, a par de Iniesta, o melhor espanhol no Euro. Também Fabregas regressou em cheio ao Camp Nou, com rasgo e com golos, performance que lhe ofereceu a titularidade na Espanha bicampeã da Europa. No entanto, o que vingou foi o conservadorismo amigo de sempre, os nomes de cor. Não consigo deixar de repetir a pena que é um prémio desta envergadura, em virtude do modelo de votação, ter uma componente tão intrincada de simpatia e de desconsideração pelo mérito. Para o que vale, fica o meu top-10.

1 - Ronaldo
2 - Messi
3 - Falcão
4 - Iniesta
5 - Pirlo
6 - Drogba
7 - Casillas
8 - Ibrahimovic
9 - Van Persie
10 - Aguero

sábado, 27 de outubro de 2012

Sam Mendes fez o melhor Bond da História


Para mim, o Casino Royale não era só o melhor 007 jamais feito. A superação e o engrandecimento que emprestou à saga representaram um marco tão grande, que, como Dark Knight, no Batman de Nolan, tornava pouco crível que se pudesse vir a fazer maior do que aquilo. Quando o Skyfall acaba, no entanto, não precisamos de mais do que uns segundos para ter a certeza.

A realização de Sam Mendes é uma monumentalidade com todas as letras. É qualquer coisa de espectacularmente abusivo, uma arte com vida própria dentro do filme. Não me lembro de ter dado por mim tantas vezes maravilhado com a beleza da técnica. O realizador de American Beauty, que lhe valeu o Óscar (bisneto de madeirenses!), tem mais sequências de génio em Skyfall do que muitos realizadores na carreira inteira. O filme valeria a pena só por causa dele, mesmo que fosse um lixo no resto.

A luta num parapeito de um arranha-céus, feita de silhuetas num plano estático, de luzes ondulantes em fundo e da banda sonora de Thomas Newman (perfeita) é, possivelmente, a mais deslumbrante cena de acção que já vi. O permanente jogo com a escuridão - em cunha com o negrume do próprio argumento -, o Bardem cambaleante na noite entre chamas, o metro pelas galerias de Londres, o poder a filmar acção, a magnitude a filmar os lugares - da ilha deserta de Bardem aos majestáticos campos escoceses -, enfim, Sam Mendes escreveu uma poema com uma câmara nas mãos. Se a Academia o desterrar, como fez criminosamente com Nolan, descredibiliza-se até onde isso for possível.

O argumento é dos menos conspiratórios que a saga já teve e, ao mesmo tempo, dos mais felizes. Skyfall não é uma história de luta pelo domínio global ou de criminalidade caótica. É uma história pessoal, um ajuste de contas, um mergulho de cabeça no passado, que fala de confiança, de medo, de vingança e de expiação, e dos fantasmas que assombram cada um de nós. É a história mais humana de sempre, do Bond que volta à amargura da infância, da M para quem não há fuga das decisões que teve de tomar, e do impagável laço fraternal entre os dois, concretizando, de forma plena, a reinvenção do Bond impessoal, concebida em Casino Royale.

Na comemoração do meio século de filmes 007 (1962-2012), ainda houve tempo para ser revivalista, e ressuscitar, em homenagem, uns quantos símbolos que fizeram a saga. A Neal Purvis e Robert Wade, que asseguram o texto há 13 anos, desde The World is not Enough, juntou-se, desta vez, o colossal John Logan (Gladiador, Último Samurai, Aviador!), e, não sabendo mesurar o contributo, para um leigo, o peso pareceu imenso.

Bardem é o melhor vilão de sempre. Assim, fácil. Era coisa que o trailer já fazia adivinhar. Com a performance em No Country for Old Men ainda na cabeça, dar-lhe esta insanidade era pouco menos do que uma escolha perfeita. É impressionante a forma como o espanhol projecta no olhar, no esgar e nos gestos a loucura que se queria, a maneira como todo o seu corpo responde ao papel, possuído e febril, como se tivesse, realmente, uma sede quase física de vingança. Necessariamente para atacar o segundo Óscar da carreira, sem dúvidas.

Sagas não costumam ser muito gratas ao protagonista, mas Daniel Craig continua a merecer que se enalteça a encarnação brilhante de um papel que fez tão seu. Tão pessoal, tantas vezes em fiapos, mas sempre comprometido, e inevitavelmente intenso. A incomparável individualidade do seu Bond é um legado que ninguém lhe poderá tirar.

Skyfall é tão bom, que deu-se ao luxo de ter um fim como merecia. Pintado como um quadro, quase místico, reverente, duro e incontornável. Um fim à altura do melhor Bond de sempre.

9/10

quinta-feira, 25 de outubro de 2012