segunda-feira, 12 de novembro de 2012

40 Of The Most Powerful Photographs Ever Taken

Compilação monumental do BuzzFeed, ou o poder indizível de eternizar no tempo segundos verdadeiramente esmagadores. A Fotografia como a arte mais pura de todas, tão pouco elaborada, e capaz de dizer tantas coisas ao mesmo tempo.






sábado, 10 de novembro de 2012

Fab Four, reborn


"If you go back to the 1999 season when I had Dwight and Andy, Teddy and Ole Gunnar, they were the four best strikers in Europe. I think I’m getting towards that now." Ferguson

Em 16 jogos oficiais esta época, o United esteve a perder 11 vezes. O número é qualquer coisa de impressionante, e não abona, como é óbvio, pela fiabilidade e pela disciplina da equipa. Em termos práticos, o United começou mais de 2/3 dos seus jogos a perder (8ª pior defesa da Liga!), o que não é propriamente uma política saudável para um candidato ao título. Com indefinição na baliza e no miolo, e com as crónicas lesões no centro da defesa, os jogos dos diabos vermelhos têm sido nada menos do que uma roda viva de futebol, quase anti-táctica, tão eléctrica que dá sempre a sensação de poder cair para qualquer um dos lados.

A verdade é que não pode. O United virou 8 desses 11 jogos (com o Braga, em Old Trafford, ou hoje, no Villa Park, a desvantagem foi de 0-2!), lidera a Premier League e é a única equipa a fazer um pleno de vitórias na Liga dos Campeões. Com maior ou menor intenção, a verdade é que Fergie fez deste United um animal radical, que só sabe jogar no limite e só sabe ganhar pela força. Um predador que entusiasma as presas com a sua falibilidade, antes de abatê-las, de forma crónica.

A culpa? É de um ataque que parece não ter limites. Bem dizia Fergie, em Agosto, que se preparava para reviver uma brutalidade semelhante a 1999: um novo Quarteto Fantástico. Van Persie, claro, acima de todos, tem sido tão majestoso como seria possível ao MVP da última Premier League. Rooney passou primeiro uma lesão, e reinventa-se agora como um falso 10, Chicharrito tem sido urânio enriquecido a sair do banco, Welbeck também já disse presente. O lendário 4-4-2 linha do United está cada vez mais próximo de ser um losango, e os golos surgem por todos os lados ao melhor ataque da Premiership, num espectáculo diabólico de adrenalina.

Que esta montanha russa não é vida para um senhor de 70 anos, é certo. Que a equipa está a especular com o fogo, também. Facto é que, por estes dias, só um louco acharia que há algum jogo que o United não possa ganhar.

Wenger used to know


Arsenal a ganhar por 2-0. Fulham a virar para 2-3, em pleno Emirates. Arsenal a fazer 3-3 e, no último minuto dos descontos, a ter o penalty que lhe daria o 4-3. Um penalty mal assinalado... e que foi defendido superiormente por Mark Schwarzer.

Em mais sítio nenhum do mundo há futebol deste quilate. O Barça e o Real são um azar de caminho, um acaso, são a excepção que confirma a regra de que a Premiership é, a alguns anos-luz de distância, o melhor campeonato do planeta.

O Fulham é uma das surpresas do ano. O 3-3 de hoje é um resultado paradigmático do seu futebol: sofre muitos, mas marca que se farta, e é, neste momento, de forma extraordinária, o 2º ataque da competição. Aos 31 anos, Berbatov continua a ser um jogador deslumbrante. Físico, classe e inteligência, sempre no lugar certo, sempre a tocar a bola como se pede. Causou estranheza que, no fim do mercado, tivesse preferido o Fulham à Juve, mas claro que estava certo. A Premier League não é coisa que se troque de ânimo leve. A acompanhá-lo, um costa-riquenho que se parece com ele: grande, mas com perfume no pé. No apoio directo ao búlgaro, Bryan Ruiz tem-se fartado de jogar. A equipa tem revelado bastantes soluções, como Petric e Rodallega por ocasião, mas ainda merecem o destaque três veteranos: Riise e Duff, já longe das noites grandes da Champions, e ainda Schwarzer, apesar dos golos sofridos, continuam a ser ases. Grande trabalho de Martin Jol.

O Arsenal é um caso incompreensível. Um clube tão grande, com tantos meios, ainda hoje, possivelmente, o 2º maior do país, que não ganha títulos desde 2005, e que não consegue lutar pelo título desde 2008. Hoje, como Fergie, Wenger confunde-se com o clube, a diferença é que, com todos os méritos, o seu Arsenal caiu numa regressão insuportável nos últimos 5 anos. Os melhores jogadores já só pensam em ver o clube pelas costas, e os craques fogem para os rivais. A formação continua a ser das melhores da Europa, mas, este ano, até a qualidade do futebol é discutível. No fim desta jornada, e com menos de um terço de liga jogada, a diferença para todo o trio da frente será de 10 ou mais pontos, e o grupo da Champions será provavelmente perdido para o Schalke. "Wenger knows best", agitavam, em tempos, os adeptos do Arsenal. Esse Wenger, contudo, perdeu-se no caminho. Custa a crer que o Arsenal possa continuar assim muito mais tempo.

"I'm really proud of you."



Acabou a campanha, acabaram as eleições, ele fez centenas de discursos políticos pela América toda. Pode-se ser de Esquerda ou de Direita, pode-se gostar ou não, pode-se achar o que se quiser do que ele já fez. Mas cinco minutos filmados à socapa, a falar para os jovens e para os estagiários e para os ninguéns que andaram a correr por ele, dizem tudo o que há para dizer. O Presidente da única super-potência mundial é este tipo que, no fim da noite, no fim da vitória, tirou o casaco e foi a um escritório de campanha sem janelas dizer que tem orgulho neles. Que ele não era nada quando chegou, e que o esforço deles é a prova de que aquilo vale a pena. Que sabe que eles nunca o vão desiludir, e que não há limites para o que eles podem fazer de bom na vida.

Se o Presidente da única super-potência mundial é alguém com esta grandeza, esta humanidade e esta vontade de fazer a diferença, então continua a valer a pena acreditar nalguma coisa. Ter vivido os anos de Obama é um privilégio que nos perdurará para sempre.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Champions 12/13, a jornada dupla


SURPRESAS - Imenso o Borussia. Dizer que o bicampeão alemão é surpresa pode ser discutível, mas o grupo era do Madrid e do City, e os homens de Klopp tinham falhado com estrondo no ano anterior. O empate em Manchester ainda não tinha esclarecido ao que vinham, mas a monumental jornada dupla com o Real, que os deixa na liderança isolada do grupo da morte, foi showdown que chegue. Um gigante físico, técnico e táctico que enche o campo com uma senhoria violenta, assente no talento farto de Goetze, Lewandowski e Reus (mais uma defesa toda ela de excepção). Que estará nos oitavos parece dado adquirido, mas este Borussia é uma das 8 melhores equipas da Europa.

O Málaga confirmou a sua orgulhosa campanha de antologia. Pouco importa se o Milan anda na amargura ou se o Zenit é um erro de casting gigante: na estreia na prova, os malaguenhos cometeram a proeza de, em pleno San Siro, serem os primeiros da competição, a par do Porto, a chegar aos oitavos. Isco e o nosso Eliseu dão-se a conhecer ao mundo, Demichelis, Joaquin e Saviola descobrem a sua segunda ou terceira vida. Sensacional.

Também merece referência a afirmação do Shakhtar que, no último minuto dos descontos em Stamford Bridge, era líder e deixava o Chelsea fora da qualificação. Perderam, é verdade, mas a Juve já não é favorita a seguir em frente. O Celtic, por quem ninguém daria nada, reforçou a campanha tremenda (e pouco reconhecida) que estava a fazer, ganhando um dos seus jogos da década. Que só aconteceria uma 1 vez em 10, sem dúvida, mas os homens de Neil Lennon estão prestes a sair do nada para a melhor campanha europeia a que a memória permite chegar. Finalmente, honra seja feita ao Schalke e ao seu relógio suíço (Huntelaar marcou 1 golo em cada um dos 4 jogos) que, projectando a grande qualidade que tem, e a grande Bundesliga que está a fazer, tem tudo para roubar o grupo ao Arsenal, como ficou patente nos dois jogos entre ambos.

PORTUGUESES - Uma jornada que tinha tudo para ser gorda, acabou por ficar com um irremediável sabor agridoce. Começou muito bem, com o Porto a chegar-se à frente de toda a gente, e a ser o primeiro da prova a atingir os oitavos-de-final. Depois do trauma do ano passado, a equipa de Vítor Pereira tem sido plena, e aproveitou o grupo favorável que teve. Se antes a culpa era do treinador, este ano o mérito também é dele, e este Porto é um projecto acabado e um caso sério. A cereja, e é uma cereja importante, será ganhar o grupo em Paris, coisa que, acredito, irá acontecer.

Na Luz, bom jogo do Benfica. É uma equipa mudada este Benfica, mais longe dos equilíbrios e do toque glamouroso dos anos recentes, mais apostada na intensidade e na velocidade. Entre tudo o que foi mal feito no planeamento da época, ao menos o reforço do ataque foi feliz: Lima é a figura da temporada, e Ola John, depois do desterro de 3 meses, é cada vez mais uma revelação: tem a velocidade, a técnica e o critério dos melhores colegas, e vai ganhar o lugar. Com o eterno Cardozo, sempre desprezado e sempre extraordinariamente rentável, foi o melhor em campo. Infelizmente, para o Benfica, aconteceu uma hecatombe no Celtic Park, que praticamente desfez as perspectivas de passagem. Mesmo que ganhe ao Celtic, só um milagre na última jornada poderia valer os oitavos.

O Braga esteve a ganhar ao United, em Old Trafford, por 0-2, e, em casa, até 10 minutos do fim. Perdeu os dois jogos com um fado quase perverso. A equipa fez o mais difícil, e teve uma grandeza competitiva total; fraquejou, porém, onde não era previsível, na consistência e na capacidade de sacrifício, a que juntaram erros individuais graves. As 3 derrotas em 4 jogos são penosas, mas têm o dom de deixar um reverso encorajador: o Braga é último, mas o papão já foi, e bater o Cluj e o Galatasaray é coisa que a equipa deve a si própria.

CERTEZAS - Mesmo que longe de estar a fazer um passeio, o United foi o único apurado com um pleno, o que fala pela sua força. Podia ter perdido 3 dos 4 jogos, mas o seu ataque sensacional - bem diz Fergie, quando alude à reedição do "melhor ataque da Europa" de 1998 - tem dado para quase tudo, dentro e fora de portas.

Pese o choque de hoje, o Barça também ganhará o seu grupo com a ligeireza de sempre. Na dupla jornada que acabou, Arsenal e Real foram caçados pela fúria alemã, e é provável que tenham de contentar-se com a prata, mas também não estão em perigo. O Bayern até ruiu com estrondo na ida à Bielorússia, mas a dupla jornada com o Valência vergou as aspirações do BATE. Mesmo sem estar fechado, alemães e espanhóis já não deixarão fugir a passagem. Finalmente o PSG, às costas de Ibracadabra, também tem sabido aproveitar o rebuçado de grupo que teve, e passará aos oitavos com propriedade, podendo, ainda, discutir a liderança do grupo, no último jogo em Paris.

FRACASSOS - O topo do pódio é do City, com todas as honras que se possam associar. Campanha chocante está a fazer a equipa de Mancini. As primeiras duas jornadas deram a entender que Real e Borussia podiam ser melhores, mas os dois jogos com o Ajax foram perturbadores, e deixam o City na situação impensável de nem prosseguir na Liga Europa. Com tão monstruoso investimento, passar duas vergonhas seguidas no palco onde toda a gente quer jogar pode muito bem ser fatal a Mancini.

Se estivesse num grupo ligeiramente mais competitivo, também o Milan já podia estar de malas feitas. Com 1 vitória em 4 jogos, e vulgarizado pelo Málaga, sobrevive à tona do 2º lugar, mas ninguém se surpreenderá caso acabe por cair frente a um dos dois outros errantes do grupo.

Finalmente, no "outro" grupo da morte, parece cada vez mais certo que ou Chelsea ou Juventus irão ser sacrificados pelo Shakthar. O nível de exigência distingue-os dos outros fracassos, e cada um tem pontos para depender de si. Para a Juve, no entanto, o incompreensível empate na Dinamarca, na jornada 3, poderá muito bem ter deitado tudo a perder.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

The Walking Dead, season 3, episode 4


O mais emocionalmente avassalador até hoje. Grandioso e convulsivo, incontível, de sofrer e sentir-se impotente.

The Walking Dead chegou a um píncaro que não tem regresso. Joga a um nível tão alto de vertigem e de paixão, que é inevitável ficar a pensar-se quando é que vai desiludir. Tanto mais por isso, continuar a ser tão monumental como nos melhores momentos, tão plena e tão no auge, continua a ser desconcertante.

Seja ou não "a melhor" série da actualidade, certo é que não há nenhuma que se lhe possa comparar no culto, no apelo primitivo, na riqueza e nas possibilidades. O maior elogio que lhe posso fazer é dizer que me lembra sempre o Lost. Em melhor.

A razão que me faltava


Ontem, pela noite dentro, os comentadores da SIC-Notícias não perderam uma oportunidade para me lembrar porque é que eu devia torcer com mais vontade por Obama.

Pacheco Pereira acima de todos, mas também Nuno Rogeiro e Lobo Xavier, passaram a emissão a explicar a nossa infantilidade, nossa de portugueses e europeus, por estarmos todos ao lado de Obama. Estes arautos do mundo perderam o seu tempo a elucidar-nos, pachorrentamente, que não percebemos nada de política americana, que Obama falhou muito e que é uma fraude, e que a nossa "Obamania" é coisa de ignorantes. Disseram também que, se Obama ganhasse, ia voltar a provar o fracasso da sua inexperiência e que, indepentemente do resultado, Romney já era um vencedor. Finalmente, depois de aguentarem o anúncio até à última, para sermos adultos e não enchermos a boca com uma vitória que ainda não era matemática, alertaram que, naquele momento, Obama ganhava os delegados mas perdia o voto popular, e que isso fazia dele um Presidente, no mínimo, moribundo. Quando já não havia mais nada a fazer, lá acabaram por reconhecer que a coligação "de jovens, pobres, mulheres e minorias" tinha safado o trabalho outra vez.

Os intelectuais deviam estar sempre contra nós. É que sabe muito melhor depois.