terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A série do ano


Que não haja uma dúvida que seja sobre o reconhecimento a dar.

Há de revalidar Melhor Série Drama e Melhor Actriz, e estrear Melhor Actor e, por mim, Melhor Secundário. Tudo sem sequer ter de piscar os olhos, tal é a avenida que a separa das restantes (e vi 3 dessas 4).

Notei-o insistentemente ao longo dos últimos meses (aqui ou aqui), mas reforço: a segunda temporada de Homeland foi o evento televisivo do ano, só encontrando par com Walking Dead que, como se sabe, é popular demais para contar nestas coisas dos prémios.

A quantidade de episódios verdadeiramente monumentais foi qualquer coisa de brutificante. A segunda temporada foi muito além da concretização que se podia esperar para algo que já estava a jogar tão alto, e pareceu, semana sobre semana, não ter limites na tensão impossível, no requinte absoluto e no festival interpretativo dos protagonistas. Se Claire Danes e Damien Lewis já tinham deslumbrado no ano anterior, desta mandaram tudo pelos ares.

Homeland é a série do ano, a melhor da actualidade e a prova de uma teoria cada vez mais em voga nos Estados Unidos: não há cinema que bata a qualidade desta televisão.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"For 12 years, and 25 seasons, you've invited Survivor into your homes"


"For 12 years, and 25 seasons, you've invited Survivor into your homes. You followed us across 4 continents, 18 countries, and invested in over 350 tribal councils. You're the most loyal and amazing fans this show could ever hope for, and thanks to you Survivor is still the most watched show Wednesdays at 8. We thank you" 

Acabou mais uma grande temporada de Survivor, e todas as oportunidades são boas para lhe fazer uma ode.

Que pena a reality-tv americana não ter aqui a devoção que tem a ficção. Para quem não gosta por definição, para quem acha que não gosta, para quem não consome por ser menos acessível ou menos em voga, é uma perda. Survivor é um jogo verdadeiramente genial, intenso e viciante, com físico, social e intelectual, puro, com o instinto, a moral, a lealdade, a estratégia e a lucidez à flor da pele, com tudo a ser determinado em condições tão exigentes, que, no fim, só pode mesmo ganhar quem tiver sabido ser o mais forte.

Um jogo brilhante e incomparável, com um host icónico, e que, temporada sobre temporada, funde paraísos selvagens com jogadores imensamente diferentes, uns incapazes, outros discretos, alguns infelizes e uns poucos com a capacidade efectiva de, pelo brilho próprio e pelas circunstâncias, escreverem uma história e tanto. 12 anos, 25 temporadas, e continua aí para lavar e durar. Que venha o quarto de século.

The Cabin in the Woods


Foi ventilado como o filme de horror do ano, e merece o crédito.

The Cabin in the Woods é muitas coisas, nem todas felizes, mas não é definitivamente vulgar. A fórmula até é um pilar do género: um grupo de jovens amigos, heterogéneo qb, que vai passar um fim-de-semana a uma cabana na floresta, no que se torna, inevitavelmente, na caminhada de todos para uma morte mais ou menos dolorosa. A esta forma rasa, Joss Whedon (o idolatrado criador de Buffy, e que, este ano, também escreveu The Avengers) teve, no entanto, o mérito de injectar uma infinidade de nuances, nem sempre inatacáveis, mas ambiciosas, que, para o bem ou para o mal, emprestam distinção ao filme. A sua intenção foi justamente partir de um lugar-comum para poder reinventá-lo ("You think you know the story", é a tagline), e este inspira-se em tudo um pouco, desde o voyeurismo de Saw, ao conceito de The Truman Show, à monstruosidade de Men in Black ou à dimensão mitológica de um Indiana Jones.

Uma grande salada russa que podia ter descaracterizado a história, mas que acaba por funcionar de forma bastante razoável, uma vez que The Cabin in the Woods não tem nada de pretensioso: quer é que se disfrute do seu registo e dos joguetes da acção, sem quaisquer considerações maiores ou morais. Também por isso, o fim assenta tão bem, o que não é um pormenor. A grande marca identitária do filme é o reconhecido sentido de humor de Whedon, que quebra a tensão da acção constantemente, e produz um efeito que acredito ser pouco comum neste tipo de filmes: ter doses quase iguais de horror e de humor frio, tão indiferente quanto hilariante. Tendo todos os elementos do cinema de horror, o propósito não é assustar pela imagem, mas chocar-nos pelo non-sense exagerado e delirante da ideia, da acção, e do humor, sem nunca levar nada a sério demais. Também não é difícil reconhecer o bom ambiente, recriado pelos velhos chavões: a casa, os sotãos, a floresta, são todos cativantes.

Impressionou-me particularmente a estreia na realização de Drew Goddard, que é co-autor do texto, e que, até aqui, se tinha evidenciado justamente na argumentação, com colaborações em Buffy, Alias, Lost e com Cloverfield, por exemplo. É notável o seu à vontade no género e a sua excelente leitura, que lhe permite ser quase sempre uma mais-valia para o que está a acontecer. É energético e francamente criativo com a câmara, e isso é decisivo num filmes destes. Sem interpretações de se lhe tirar o chapéu, os melhores são Fran Kranz, um não-atleta, receoso, excêntrico e mordaz, e o grande Bradley Whitford (The West Wing), um dos masterminds da acção, ambos a beneficiarem do registo cómico do texto de Whedon.

The Cabin in the Woods não será um filme que apaixone os mais puristas do género, o que se compreende. Porém, o meio caminho entre ser ambicioso sem nunca ser sério demais, torna-o atraente, e a sua assinatura indiscutível garante-lhe um lugar no cinema de horror e mistério.

7/10

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ser o exemplo, todos os dias


"Es el caso más evidente de un futbolista que no ha perdido el apetito por seguir ganando, la ambición por jugar cualquier tipo de partido, sea quien sea el rival y en las condiciones meteorológicas que toquen. Cristiano Ronaldo se dejó todo en Vigo. Su gol, que mantiene vivo al Real Madrid en esta eliminatoria, fue el premio a todo el esfuerzo que hizo en ataque y en defensa. Le dio igual que cayera un aguacero, que el césped se levantara, que hiciera frío, que sus compañeros no hilvanaran una jugada de ataque... Nunca se escondió."
Ulises Sánchez-Flor, na Marca

É capaz de ser, até hoje, a melhor linha com que já o descreveram: que nunca se esconde. Seja no Camp Nou a ferver com 600 milhões de espectadores, no jogo do título que só ele pode decidir, seja numa noite da Taça esquecida no meio da semana, no frio de Inverno da Galiza, que mais ninguém quis ir jogar. É o mais caro do plantel, o mais rico, o mais arrogante, o mais difícil, e o que mais acha de si próprio, como nunca deixam de lhe lembrar. Mas na fossa, como nos dias gordos, só há uma coisa certa: é que vai ser ele a dar a cara, mesmo que a tenha de dar sozinho.

O que é preciso, a nível mental, para continuar a ser melhor todos os dias, quando, aos olhos do Mundo, ser Ronaldo é nunca ser bom o suficiente, muito pouca gente será capaz de compreender. Tenho a certeza é que, independentemente das Bolas de Ouro que os seus contemporâneos lhe queiram dar, a História guardará a enormidade competitiva e o carácter absolutamente incomparável no lugar que lhes é devido, mais do que os golos no país catalão das maravilhas, de quem tem o carisma de uma folha de papel.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nunca nos deixas mal, Peter


Adaptar O Hobbit ao cinema era bem mais difícil do que se pode pensar. Se é verdade que, por um lado, haveria sempre um cheque em branco de aceitação carinhosa, em nome do legado, por outro, não era propriamente uma brincadeira estar à altura das expectativas, ou não fossem as pessoas esperar por mais um Senhor dos Anéis, tendo ou não consciência de que O Hobbit nunca o poderia ser. Desde logo, porque a majestade de uma obra-prima não poderia ser replicada em lado nenhum; depois, e quem leu o livro sabe-o bem, porque O Hobbit tinha um registo infinitamente mais suave. Com cor, coração e épico, mas sem choque e sem batalhas de todos os tempos. Também por isso, quando Peter Jackson anunciou a transformação do livro, que não só é suave, como razoavelmente pequeno, numa trilogia, as sensações foram dúbias.

A única consideração a fazer é que duvidar de Jackson, é duvidar em vão. Ele sabe tudo de cinema e sabe tudo d'O Senhor dos Anéis; a dúvida não podia ser se ele conseguia ou não, mas simplesmente como é que o iria fazer. Tendo em conta a história original, e o facto de Unexpected Journey só corresponder a um terço do bolo, o seu trabalho é sensacional. Repare-se que estamos a falar de um livro de contemplação, com coisas de conto juvenil; na corrida da trama e no ecrã, O Hobbit é, no entanto, um thriller imparável, com uma linha de acção tão espectacular aos olhos, quanto coesa. Sendo fiel ao original em praticamente tudo o que interessava, Jackson não foi estrito às linhas de Tolkien: acrescentou o que elas precisavam para palpitarem como deviam em cinema, não abusou de tempos mortos (que o livro explora bastante), deu sempre um propósito a toda a acção e, na lógica de que era só uma fatia da história, foi capaz de coser-lhe princípio, meio e fim. Jackson pegou em Tolkien como sempre, e interpretou-o e realizou-o, com tudo o que tinha de fazer para que O Hobbit resultasse como filme. E não imagino que o mestre inglês pudesse ter ficado mais realizado do que ao ver uma ideia sua nas mãos de Peter Jackson.

Visualmente, como se adivinhava, o filme é uma assombração. Uma brutalidade tecnológica de recriação, um portal entre os computadores da MGM e a Terra Média, tão larga, e tão rápida e com tantos elementos que nos chega a zonzear. Há cenas, acima de todas, a Montanha dos Gnomos, que parecem realidade num videojogo, controlada pela batuta e pela lente do realizador neo-zelandês. Um luxo descomunal. Depois, a familiaridade daquilo belisca-nos por todos os lados. Vemos o Shire, o Bilbo, o Gandalf, os anões, os elfos e os orcs, e tudo nos sabe a um regresso a casa. Eles até estão em modo-prequela, com tudo mais novo e sem terem memória, mas nós não deixamos de os olhar com um brilho nos olhos, e um orgulho pelos velhos tempos, pelo que já passámos todos juntos. 11 anos depois do primeiro dia, é irmos outra vez à aventura com eles, e com o som perene, que se vê de olhos fechados, da banda sonora indizível de Howard Shore, a uma faixa de génio de cada vez, ganhasse ele, algum dia, todos os prémios que merece por aquela monumentalidade. Essa dimensão pessoal, de culto, da Terra Média de Tolkien e de Jackson e de Shore não tem que se descreva.

Finalmente, Martin Freeman foi a melhor opção de cast que se poderia ter tido. É magnífico ter ali alguém daquele nível, que não é só um bom boneco (McAvoy ou Radcliffe, como se ventilou), e que é capaz de fazer tão genuínas todas as pequenas coisas (sem demérito para Elijah Wood, mas tem tudo para vir a ser muito maior do que ele). Richard Armitage, como líder dos anões, tão duro e realista, como bravo e admirável, também tem a figura que se queria. E Ian McKellen que dure muitos anos. O Gandalf-ícone, patriarca omnipresente e insubstituível, é boa parte da razão porque aquilo é tão nosso.

O maior elogio de todos é dizer que não acredito que O Hobbit vá desiludir algum fã. Não tem a glória épica d'O Senhor dos Anéis, como não podia ter, mas é um regresso à Terra Média de encher os pulmões, trabalhado à altura do génio de Peter Jackson, na narrativa irrepreensível e no poder visual arrebatador. É voltar a um lugar especial, e estar à altura dele.

8/10

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Trouble with the Curve


Tem história, tem carisma, tem personagens, e é absolutamente bem contado.

Trouble with the Curve é o limite da carreira de um histórico scout de baseball, homem difícil, que, enquanto renega a doença que lhe ameaça roubar os últimos dias da profissão, terá de aprender a lidar com a filha que teve de criar sozinho, numa última viagem pelos caminhos da América por onde fez vida, à procura de talentos. Desde logo, o filme esbanja esse ambiente. Esse cheiro da magia do desporto, dos velhos tempos e das rotas dos olheiros. É uma homenagem reverente à tradição, um texto de apaixonado que se vê em todas as pequenas coisas, e que lhe emprega um coração grande, que distingue os melhores filmes dos outros.

Acima de tudo é, porém, uma história notável sobre o desafio da paternidade, sobre querer fazer a coisa certa mas não estar à altura, e falhar a quem nos é mais querido. Uma história sobre sarar feridas e aprender a ser família, na consolidação do laço primordial entre um pai e uma filha. Como segunda narrativa, cabe ainda um romance atraente e saudável, feito com a ligeireza de um flirt bom, que tira peso e dá cor à acção. O grande defeito do filme é que, quando se entusiasma, torna-se lírico demais, o que insufla o romance e lhe tolda, por exemplo, todo o fim. Ainda assim, isso não afecta decisivamente a tremenda qualidade do texto do estreante Randy Brown, secundada por um trabalho impecável atrás da câmara de outro rookie, Robert Lorenz, um antigo Assistente de Realização de Eastwood.

O carisma de Clint Eastwood é indissociável do filme. É um dos monstros com assinatura, e se lhe escreverem um papel, ele exponencia-o até onde isso for possível. É o que acontece aqui. O seu Gus é acido, amargo e agreste, violentamente seco e sarcástico, à semelhança de muitos outros dos seus papéis, mas a chapa é tão boa, e sai-lhe tudo tão natural, que não há nada para pôr em questão. Ao mesmo tempo, e até com o mesmo desalento e a mesma indignação, e do alto dos seus gloriosos 82 anos, Eastwood ainda consegue ser comovente, no homem incapaz de criar a sua menina, que "fez o melhor que sabia", e que preferiu afastá-la, só para que não a pudesse magoar. Se a carreira como realizador já viu melhores dias, bem-dito seja o regresso de alguém deste tamanho aos ecrãs (quatro anos depois do também excelente Gran Torino).

Amy Adams continua a acumular grandes papéis. Com 3 nomeações aos Óscares nos últimos 6 anos!, dá, em Trouble with the Curve, mais uma mostra da sua extrema versatilidade, a conjugar o jeito casual de girl next door, a energia rebelde de uma miúda que cresceu nos circuitos de baseball com o pai, e que sabe tudo sobre o jogo, e as profundas marcas deixadas pela sua infância disfuncional. Todas as contra-cenas com Eastwood têm uma pessoalidade muito grande, e sem esse excelente encaixe entre os dois o filme não poderia ter resultado. Finalmente, Timberlake empresta tudo o que se lhe pedia. É bem disposto, carismático e tem uma naturalidade com a câmara. Dá gozo e dá cor ao romance, e assenta perfeitamente no papel.

As críticas têm sido francamente más, mas isso é coisa que me ultrapassa. Trouble with the Curve não é inovador na fórmula, não é trágico, e é lírico de vez em quando, mas tem ambiente, um carisma farto, uma humanidade indiscutível, um romance saboroso, e excelentes personagens, e é, sem dúvidas, um dos grandes filmes de 2012.

8/10

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Derby. Para um barco sem rumo não há ventos favoráveis


Vitória natural da melhor equipa.

O significado do jogo deu algum alento ao Sporting, mas, ainda estava 1-0, e já se adivinhava o que vinha. Fazer do derby um pontapé na crise era contra-natura para este Sporting, e a incapacidade existencial cheirou-a rápido a máquina do Benfica. Na 2ª parte, foi físico, foi emocional e foi tudo o que a equipa de Jesus bem lhe apeteceu. Não há inevitáveis no futebol, mas às vezes há condenados.

O Sporting fez uma primeira-parte digna, com nervo para responder. Qualidade de Insúa, grande carácter de Rinaudo e Capel, e grande execução de Wolfswinkel no golo. Não tem nível mundial, já se percebeu, mas, fazendo jus à escola holandesa, é um ponta-de-lança com capacidade técnica, culto na movimentação, e a equipa não se tem podido queixar. O fado é que o Sporting está desfeito mentalmente. Os jogadores entram em campo na esperança vã que qualquer coisa lhes espante o destino, porque não acreditam que podem, não acreditam no treinador, muito menos na estrutura e, definitivamente, não acreditam que alguma coisa possa correr bem. Ironicamente, o que o 1-0 fez foi assustar a equipa, queimar-lhe nas mãos. Talvez o nulo era uma coisa que se pudesse defender; estar a ganhar, pelo contrário, era provocar a sorte e pedir-lhes demais.

Claro que não é tudo cabeça, ou não fosse o défice de qualidade tão evidente. Se, em tempos mais desafogados, o Sporting vivia da vitalidade da formação, hoje, em crise, o grupo é paradoxalmente mais caro e mais acomodado. Rojo, internacional argentino, é anedótico. Boulahrouz nunca foi bom o suficiente. Pranjic é um pré-reformado. Capel um overrated. Elias não pode ser o mais caro de sempre, e Carrillo já desistiu. Nisto, ficam a apanhar pó Carriço, Adrien ou André Martins. O Sporting tem um plantel fidalgo demais, a verdade é essa, terrivelmente mal pensado, feito de gente gasta, com tanto nome quanto qualidade duvidosa, difícil de motivar, e de quem se pode esperar pouco.

O jogo, o Benfica virou-o com facilidade, no mundo de diferença que separa as equipas individual, colectiva, táctica e emocionalmente. Ter sofrido primeiro foi só um acaso, a que a equipa, superiormente desenhada por Jesus, pôs fim mais ou menos quando entendeu. Individualmente, Cardozo vai consolidando, em especial nos jogos grandes, o estatuto de mais rentável de todos os mal-amados da história do futebol português. De facto, custa a crer a hostilidade para um jogador capaz de ser tão decisivo tantas vezes. Ola John é espectacular. E André Gomes, mesmo não sendo o puto-maravilha que pintam, tem uma disponibilidade física assustadora, que assenta como uma luva no modelo da equipa. Vai ter espaço, mas fosse mais esclarecido a dar a bola, e não havia quem lhe voltasse a roubar o lugar.

Ouvir os olés no fim do jogo deve ter moído o sportinguismo, mas não seria noite em Alvalade se Godinho Lopes não viesse tornar tudo ainda pior: o "Sinto que estamos a fazer um trabalho de grande dimensão", ainda com o cadáver do derby quente, é mais uma para a sua interminável lista de antologia. Depois da tragédia do ano passado, a 18 pontos do líder e a 2 da linha-de-água no Natal, fora da Taça e da Europa, ainda ser ele o presidente do Sporting é coisa digna do paranormal.