sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma pessoa com muito tempo livre

1 - Chow Chow
2 - English Bulldog
3 - Basset Hound
4 - Golden Retriever
5 - Sharpei
6 - English Mastiff
7 - Beagle
8 - Border Collie
9 - Grand Danois
10 - Serra da Estrela

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Diferendo significante-interpretativo sobre "falha chocante"

"A última capa de edição portuguesa da Playboy, onde está representada a imagem de Jesus ao lado de uma modelo em topless, provocou a ira da casa-mãe da publicação. A Playboy Entertainment anunciou o fim da revista em Portugal.

Theresa Hennessy, vice-presidente da Playboy Enterprises, disse ao site norte-americano “Gawker” que a capa da edição de Julho, que pretendia ser uma homenagem ao livro “Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago, “não foi aprovada” pela empresa norte-americana, como estaria acordado.

“É uma falha chocante dos nossos critérios e não a teríamos aprovado se a tivéssemos visto antes de ser publicada”, disse ainda a responsável pela área de comunicação da Playboy."

A Playboy podia querer acabar com a revista em Portugal por 13874 razões. Aí num ano e meio, a Playboy do burgo não teve mais do que 2 ou 3 edições decentes. Além disso, conseguiu fazer ensaios tão deprimentes como o da velhota dos Malucos do Riso, cometeu a proeza de publicar ensaios piores do que os das revistas soft, e ninguém lhe tira, para todo o sempre, o ónus das capas mais constrangedoramente más da história das revistas de gajos, desde a Maya ter podido dizer legitimamente que fazia uma capa melhor que o desastre-Mónica no nº1, até esta de não-vamos-arranjar-uma-gaja-que-toda-a-gente-queira-ver-nua-mas-sim-apaneleirar-o-evangelho-do-saramago, mais o auge que foi pôr esse vulcão de sensualidade que é o Araújo Pereira numa capa. Mas não, com tudo isso a Playboy Enterprises e a Sra. Theresa Hennessey estiveram na boa. Com tudo, até à falha chocante que foi a revista mais historicamente iconográfica da gaja boa nua fazer umas maluquices para com a nação católica. Ser uma merda podia. Agora o recato e o pudor da Playboy que ninguém ponha em causa.

Rolla


RocknRolla é um filme despreocupado. Como Tarantino faz as suas coisas mais para ele do que para o público, Guy Ritchie também tem alguma tradição em explorar argumentos quase de gozo, com muita acção e um certo foco nas personagens. Foi isso que vimos em Snatch, e foi em parte o que vimos em Sherlock Holmes. Só em parte, e acontece que Sherlock Holmes foi o melhor filme que vi de Ritchie. O melhor talvez porque foi o que tinha uma linha de narrativa mais definida, o que potenciou todas as outras características tradicionais dos seus filmes (o cinzento gasto de Londres, os protagonistas poderosos, a acção, etc).

RocknRolla acaba por ser algo confuso. Nota-se que foi feito com muito gosto, de maneira a que todos os envolvidos tivessem gostado de o fazer, mas é sempre curto, no sentido em que não é verdadeiramente bom em nada em particular. A premissa de fundo é só o Smokin Aces em mau, e, dentro da abordagem, o chorrilho de acção não chega ao nível dum Shoot 'Em Up, nem tem o seu quê de novidade como o teve em Snatch. É um filme sobre os meandros do submundo londrino, nas ligações entre a espécie de máfia e o poder político, com a nuance dum bando de personagens entre o bandido romântico e a anarquia, filmado no bom tom britânico de sempre, que se vê bem, admito, que tem bons momentos de humor para o género, mas que é pouco mais do que isso.

Individualmente, o melhor é Mark Strong. Vi-o pela primeira vez no Sherlock Holmes e, depois do Robin Hood e deste RocknRolla, cada vez gosto mais dele. Ainda não terá tido uma prova forte a nível interpretativo, mas pelo menos a figura poderosa no ecrã está lá. Gerard Butler não teve todo o espaço que era de esperar mas, mesmo sem brilhar, é um papel que lhe assenta muito melhor do que as dúzias de comédias românticas que anda por aí a fazer. Tom Wilkinson, depois da monstruosidade em Michael Clayton, e do papel em Valkyrie, foi uma pequena desilusão aqui.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Foi Assim Que Aconteceu #23 - MEIAS

Espanha - Alemanha, 1-0

Vendo agora, era um contra-senso esta Alemanha ser Campeã do Mundo. Porque foi a melhor equipa, a que teve melhores individualidades, a que, indiscutivelmente, mais e melhor jogou, a que mais marcou e a que arrancou os jogos mais memoráveis deste Campeonato do Mundo. Esta Alemanha era muito dada ao jogo, e, percebeu-se hoje, muito pura para ganhar o que quer que fosse. Quem ganha não pode ter tanto espírito, e tanta fidelidade para com o jogo e para com o espectáculo. Foram assim a Hungria em 54, a Holanda em 74 ou o Brasil em 82. Como esses, mesmo que só acabe em 3º ou 4º, é a Alemanha a selecção de quem todos se vão lembrar depois da África do Sul. Estará aí a beleza do jogo.

Essa Alemanha do bom futebol já não esteve hoje em campo. Sem Muller, que provou, ausente, que era o jogador mais determinante e mais insubstituível da equipa, e contra uma selecção tão violenta tacticamente como a espanhola, não houve nada a fazer. Podia falar duma primeira parte equilibrada ou dalguma reactividade alemã, materializada em 2 ou 3 oportunidades, mas não faria sentido. A verdadeira Alemanha não esteve em jogo hoje, e, sejamos justos, mais por mérito espanhol do que por demérito próprio. A Espanha fez o seu melhor jogo até agora e, pela sobriedade na abordagem e pela maneira como resolveu, parecia que os papéis históricos estavam trocados, dum lado futebol mais alegre a ir embora, do outro o cinismo a seguir em frente. A Espanha, pese a extrema segurança de si (confirmou-se hoje, de vez, uma nova era no futebol espanhol), além de ter sido sempre a melhor equipa, também foi a que melhor jogou. Na retina os primeiros 25 minutos da 2ª parte, dum futebol enorme, ao nível de 2008, coroados legitimamente com o golo de Puyol.

Para o fim-de-semana, a Mannschaft merece o pódio. A Espanha é favorita na final.

Jogadores:
Espanha - No jogo mais denso e exigente até agora, Iniesta. O hiato na 2ª metade da época fê-lo chegar fresco à África do Sul, e ainda por cima foi em crescendo. Instrumental hoje, foi sempre irrepreensível a pegar no jogo, e foi a base do tiki taka. Xavi tem andado mais discreto, mas hoje apareceu muito bem no último toque, ligeiro. Também a defesa espanhola merece menção, com destaque para Capdevilla e Puyol que, na fase de bombeamento alemão, foi muito importante (é no futebol mais intenso que Puyol se sente melhor).

Alemanha - Num jogo para defender, Neuer assinou, para mim, a prova de que é o melhor guarda-redes do Mundial. Altivo, sem espalhafato e sem jogar para a fotografia, é jogador duma segurança a toda a prova, muito bom na ocupação na baliza. Boateng, adaptado à esquerda, fez uma excelente primeira-parte, poderosíssimo que é. E, no jogo em que faltaram Ozil e Podolski, esteve até à última Schweinsteiger, um comboio, que, depois do que fez no Bayern e na África do Sul, merecia sair para as grandes ligas.

Editar a Classic Netherlands lembra destas coisas

terça-feira, 6 de julho de 2010

Foi Assim Que Aconteceu #22 - MEIAS

Holanda - Uruguai, 3-2

Ao contrário do que vou lendo aqui e ali, acho que este tem sido um grande Mundial. Grandes jogos, grandes jogadores, várias surpresas, muitas filosofias diferentes e, sobretudo, muita emoção. Por mais redutor que isso possa parecer, falar do Holanda - Uruguai é falar de emoção. Da emoção dos últimos 4 minutos, sempre, mas, em muito também, do coração do jogo uruguaio, que hoje, sem Suárez, com 4 trincos, e perante a imperturbável Holanda, pareceu finalmente uma equipa verdadeiramente humana. Muito mais do que o cinismo das eliminatórias, hoje esteve em campo a raça uruguaia, que deu para resistir durante muito tempo à evidente maior qualidade holandesa, deu para empatar e, cúmulo, deu para lutar até ao último segundo do jogo, depois de, ao minuto 90, estar a perder por dois golos. Até para mim, que gostava muito mais de ter visto nesta fase um México, um Gana ou uns Estados Unidos, é impossível não admirar o trabalho de Tabárez. É bonito ver estas equipas chegarem até aqui, e é bonito vê-las sair duma maneira que se gosta, de cabeça erguida.

A Holanda ganhou com mérito, e é uma justa finalista. O ataque é apaixonante, e a equipa jogou mais hoje, foi melhor, e concluíu a sua extraordinária caminhada até à final com 25 vitórias seguidas em jogos oficiais, mérito, mais ou menos resultadista, de Van Maarwick, o homem que pôs a velha Holanda a ganhar a sério. Só não posso deixar de reforçar, nunca, que é pena que não tenha chegado cá uma Holanda como a de 2008, por exemplo.

Jogadores:
Holanda - Para mim, o MVP foi Van Bommel. O trinco foi a fonte do equilíbrio de toda a equipa, mesmo sem De Jong na primeira parte (com De Zeeuw), e sozinho na 2ª. Incrível como conseguiu segurar quase sempre o meio-campo por si, a bater sempre com a cabeça nos dois ou três momentos seguintes. De resto, a defesa e o apoio do meio-campo não brilharam. Sobraram Sneijder, todos os dias mais próximo de ser o Jogador do Ano, mais Kuyt, Robben (hoje muito forte outra vez) e Van Persie, que fez o seu melhor jogo até agora na competição.

Uruguai - Na "despedida", a certeza de que Forlán merece estar no 11 do Torneio. Orfão de Suaréz no ataque, Forlán aguentou ideologicamente sozinho o jogo da equipa, inventou o 1-1, como inventou já tantos momentos neste Mundial, recuou no apoio, e fez tudo o que pôde. Merecia ter jogado a meia-final até ao último minuto.

Por Dios, Um Mundo à Parte, Fé deve ser isto ou Diego não te vás




"«Diego não te vás», era o que mais entoavam as cerca de 20 mil pessoas que aguardavam Messi e Companhia à chegada a Buenos Aires, depois da queda da Selecção nos quartos-de-final do Mundial 2010. «Que se teria passado se a Argentina fosse campeã 24 anos depois?» é a pergunta que o diário argentino Olé deixa no ar."
via Relvado.com

"Não se cumpriu o sonho, mas encontrou-se o caminho para respeitar o futebol argentino de tocar a bola, de ir para a frente, de voltar às raízes. (...) Este é o futebol que as pessoas gostam de ver. (...) O meu ciclo terminou"
Maradona