sábado, 16 de julho de 2011

Tivessem sido os pentelhos o pior


Eduardo Catroga, provavelmente o maior ideólogo do actual PSD, está a ter hoje uma visibilidade gulosa, porque ontem à noite, na SIC-Notícias, disse que o PS "em vez de andar a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal, anda a discutir pentelhos."

A grande maioria das pessoas, que não terá visto a entrevista, além de achar piada, é capaz de achar o soundbyte especialmente bem conseguido. Um daqueles engraçadotes-brejeiros que fica no ouvido, e mais uma pedrinha para atirar ao PS.

Quem assistiu, pelo contrário, sabe o quão degradante aquilo foi. Catroga não poderia ter sido mais vazio, demagógico e balofo, ou ter tido um discurso mais ridículo e incapaz de explicar as suas supostas medidas milagrosas. Foi uma fraude tão absoluta que só pode mesmo enganar quem não viu a entrevista, no seu penoso e permanente agitar de agressões ao adversário político. Catroga teve o azar de apanhar pela frente José Gomes Ferreira, provavelmente o mais sagaz e corajoso entrevistador da nossa praça, e foi nada menos do que engolido vivo, expondo-se, de uma vez por todas, como um homem anedótico, que espuma tanto por voltar ao poder, quanto é incapaz de sequer mascarar a sua total falta de soluções. O PSD decidiu atacar o melaço com uma voragem e um despudor tão grandes, que já nem se dá ao trabalho de ter vergonha na cara.

Admito, como já disse aqui uma vez, que tenho uma certa consideração por Passos Coelho. A História, contudo, não foi justa para com ele. Feliz ou infelizmente, o bando de abutres que o rodeia, e que saliva à volta da sua inexperiência, fá-lo-á perder as próximas Legislativas.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

COPA AMÉRICA 2011: Brasil 4-2 Equador


A Canarinha é a equipa mais cativante da competição.

Os resultados andavam manhosos e desconfiava de Mano Menezes, mas este Brasil mantém o perfume e o brilho do seu futebol, sendo uma equipa poderosa e sustentada, à qual só falta maior concentração na defesa.

Assente num 4-2-3-1, as grandes figuras da equipa não estiveram na África do Sul: Pato, Ganso e Neymar (ainda que Robinho continue a ser importante). O genro de Berlusconi faz esquecer Fabiano, e finaliza como contribui para o carrossel ofensivo, enquanto é impossível não ficar rendido aos dois miúdos que, há um ano, eram só mais duas belas promessas da escola do Santos. Neymar, a partir da esquerda, ainda não é o que se diz dele, mas quando as coisas lhe saem bem é um festival de toca e foge por toda a frente de ataque, além de ter uma fantástica facilidade de remate. Ganso, pelo contrário, é elegante e cerebral. Ainda joga mais devagar do que se exigirá na Europa, mas, como número 10 puro, tem um pé esquerdo que ilumina todo o campo à sua frente.

Um factor decisivo no jogo colectivo brasileiro, e que o superioriza ao argentino, por exemplo, é o poderio conferido pelos laterais: Maicon, claro, mas também André Santos são uma presença constante na frente, acelerando o jogo e criando o equilíbrio perfeito com o futebol técnico do ataque. Ontem cada um fez uma assistência monumental para golo.

Ramires parece um peixe fora de água no duplo pivot defensivo (é claramente um médio interior) mas, com Lucas, há qualidade no primeiro momento de construção, ainda que falte, depois, agressividade mais perto da defesa (Felipe Melo, por exemplo, seria sempre titular).

Com a segunda pior defesa de entre os oito qualificados, falta claramente aos brasileiros maior disciplina sem bola, e maior agressividade nos seus elementos defensivos. Ontem, pese os dois frangos de Júlio César, houve liberdade a mais para rematar. De resto, o melhor ataque da competição é capaz de dominar qualquer adversário, e, mais importante, joga bonito.

Palavra para o Equador. Os homens de Reinaldo Rueda tiveram alguma sorte nas duas recuperações, mas foram sempre uma equipa voluntariosa e reactiva, e o trio de ataque esteve em evidência. Ayovi (31 anos, Monterrey), à esquerda, é um extremo recto e musculado, capaz de carrilhar muito jogo, enquanto Arroyo (24 anos, San Luis) aposta nas diagonais a partir da direita, e foi uma bela revelação. Felipe Caicedo, na linha da grande temporada no Levante, é hoje um jogador a anos-luz do que esteve no Sporting, e fica para a história com o bis, no seu misto de confiança e remate pronto.

«Só quero tirar um momento do meu dia para te convidar para o Baile dos Fuzileiros Navais no dia 18 de Novembro em Greenville, na Carolina do Norte.»

quarta-feira, 13 de julho de 2011

COPA AMÉRICA 2011: Uruguai 1-0 México


Na mesma situação de Argentina e Brasil à entrada para a última jornada da fase de grupos - dois empates em dois jogos -, também os uruguaios precisavam de ganhar para seguir em frente, e também eles o fizeram frente a mais uma equipa de sub22, como a Argentina, na véspera.

Um ano depois, a equipa de Tabárez continua a ser muito parecida: esperançada no virtuosismo da frente mas, sobretudo, disciplinada, fria e relativamente eficaz. Os uruguaios arriscam pouco, e não são criativos em posse, mas o veneno do seu jogo continua a dar resultados, ainda que isso acabe por tornar as suas exibições um tanto ou quanto entediantes.

Em vez do 4-3-3 do costume, com um triplo-pivot no meio e o tridente ofensivo Cavani-Forlán-Suárez, desta vez Tabárez prescindiu de Cavani, desenhando a equipa em 4-4-2, com um discreto Álvaro González a cobrir a direita e o portista Rodríguez à esquerda.

O Cebola acabou por ser mesmo o melhor jogador em campo. Fresco e repentista, foi o mais entusiasta na frente de ataque, e o principal responsável pela maioria dos bons rasgos uruguaios. Com Álvaro Pereira, o outro portista, e os seus raides permanentes, formou um belo flanco esquerdo. Em dia de Forlán pouco inspirado, Suárez foi o outro foco de trabalhos, ainda que na toada contida que a equipa apresenta sempre. Ao intervalo a qualificação já estava no bolso e, do outro lado, só com o genial Giovanni dos Santos a fazer pela vida (como é que é possível não ser referência num grande europeu?), não houve muito mais com que se preocupar.

Nos quartos de final jogar-se-á o esperado Argentina-Uruguai. Os argentinos têm mais talento e jogam para ser muito mais espectaculares, mas o Uruguai é, como provou na África do Sul, um adversário de temível sangue frio, e não me surpreenderia se Batista não tivesse engenho para evitar a ratoeira de Tabárez.

terça-feira, 12 de julho de 2011

COPA AMÉRICA 2011: Argentina 3-0 Costa Rica


Sintomáticos os 45 minutos que a Argentina demorou a exorcizar o fantasma da eliminação, frente à equipa de sub22 da Costa Rica.

Com tamanho talento individual, que não tem paralelo na Copa América, torna-se ainda mais absurdo que a Alviceleste tenha chegado ao último jogo numa situação em que o empate não lhe chegava para passar aos quartos de final, ainda que se qualifiquem 8 das... 12 equipas em competição.

O jogo não teve história e é justo reconhecer que os argentinos poderiam ter inaugurado mais cedo o marcador, mas o cerne da questão é a equipa não ter confiança para obliterar um adversário semi-amador, jogando sobre brasas durante tanto tempo.

O jogo ofensivo da equipa é simples: Messi. No 4-2-2-2 um pouco confuso de Batista, tudo fica sobre as costas do Pequeno Genial que, se desiludiu das outras vezes (e custa-me a crer), ontem ganhou o jogo sozinho, mercê do seu extraterrestre entendimento do jogo.

Nota-se que a Argentina tenta valorizar o toque, como no Barça, mas apesar das doses industriais de qualidade na frente, faltam, pelo menos, Dani Alves, Xavi e Iniesta, o que faz, como é óbvio, toda a diferença. Assim resta a Messi jogar em todo o lado, e assegurar ele próprio, a solo, o primeiro momento de construção, as transições e o último passe. Pelo menos contra a Costa Rica pôde fazer tudo sozinho.

Agüero, com um bis, foi quem o secundou, sendo a alma de uma frente de ataque sem Tévez. Enquanto procura clube, Kun é o único outro imprescindível da equipa. Di María, meio médio meio extremo, passou ao lado do jogo, e Higuaín continua a ser o ponta-de-lança da alta roda europeia que mais golos falha.

No miolo, Gago é uma mais-valia, pese a falta de ritmo por praticamente não ter jogado durante a época. Falta, contudo, muito mais qualidade de posse, que será decisiva nos jogos a sério, e que poderia ser conferida, pelo menos, por Pastore, mais Cambiasso. Na defesa é um desperdício deslocar Zanetti para a esquerda, quando não existe nenhum outro bom lateral na convocatória.

Com uma Costa Rica a dada altura prostrada, até deu para a Argentina lamber as feridas, mas é indispensável lembrar que, ontem, quase não houve adversário. Para ganhar a Copa América Batista terá de fazer bem mais do que pôr em campo o seu grupo de bons rapazes.

Deste mundo e do outro


Só ele para fazer com que esta Argentina até pareça uma equipa a sério. E pensar que ainda o assobiam.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Ganhar aqui é diferente de tudo" - Tour' 2011!


Foi o grande momento até agora. Não vi, pelo segundo ano consecutivo, a vitória portuguesa no Tour, mas mal soube e foi um frenesim de orgulho. Para quem cresceu a ver um mito como a Volta à França, sermos nós a ganhar é uma coisa absolutamente imensa: pese a dimensão de José Azevedo, nunca pareceu realmente que fosse chegar a nossa vez, e ter não uma, mas duas vitórias consecutivas, é fantástico. Mérito de Rui Costa, em quem sinceramente não apostaria, que tem feito uma carreira sustentada, e que leva para casa logo a primeira etapa de montanha, triunfando com vultos como Philippe Gilbert e Cadel Evans a escassos metros da sua roda. Brilhante.

Tem sido um Tour um tanto ou quanto assustador: com nove dias de corrida já estão fora Vinokourov, Higgins, Horner, Brajkovic e Van den Broecke, com acidentes de todos os tipos e feitios (o abalroamento protagonizado pelo carro da televisão francesa é indizível...), e um Contador que já caiu... sete vezes. É normal que o Tour seja acidentado, mas este ano parece o fim do mundo.

Com isto, a prova ficou incrivelmente condicionada, e desde o absoluto primeiro dia. Com um acumulado de quase dois minutos para Schleck e Evans, Contador perdeu, num ápice, todo o largo favoritismo que trazia, mesmo com o peso de um Giro monumental nas pernas, que nenhum dos rivais correu. Mentalmente o Pistolero está num farrapo e, ainda que mantenha a postura admirável de sempre na estrada, nada lhe tem saído bem. Se conseguir ultrapassar a infinidade de quedas da primeira semana, os 2 minutos de atraso e o desprezo instalado do público, e vencer o seu 4º Tour, passará a estar, para mim, ao nível de Armstrong.

Cadel Evans tem sido uma agradável surpresa. O australiano está com a corda toda, crê nitidamente que este pode ser o seu ano, e tem estado quase sempre em evidência. A etapa que ganha a Contador fala por ele, e demonstra o grande Evans que chegou a França este ano. Já Schleck não levanta ondas: escapou a todas as quedas, não se chega à frente e, pelas circunstâncias de corrida, ainda viu a sua concorrência reduzida praticamente a Evans, numa galopada de eternos segundos. O luxemburguês é o favorito e tem um dream team a trabalhar para si, o que não acontece com o rival, mas não tem feito uma época boa e não poderá continuar a ser discreto por muito mais tempo. E reforço: contra tudo e contra todos, Contador está sempre lá para ganhar.

Van den Broecke, Higgins e, principalmente, o velho Vino são baixas de vulto, restando saber até que ponto Gilbert, Tony Martin, Nicolas Roche, Gesink e Samuel Sanchez vão conseguir estar à altura. Basso, Cunego e Kloden também ainda lá andam mas não me cheira.

A RadioShack é, aliás, um case study de como sai sempre tudo mal... Com o plantel mais caro e mais sonante, a equipa chegou, como de costume, sem um candidato, e, dos "quatro chefes", já viu Brajkovic e Horner irem à vida, enquanto Leipheimer está a 5 minutos da frente, e Kloden esteve ontem no hospital... Nisto tudo haja Sérgio Paulinho que, pelas circunstâncias, poderá muito bem ter liberdade para atacar em breve, como no ano passado.

No fim da semana chegam os Pirinéus e muita coisa começará a ser respondida. Quinta-feira e Sábado, etapas imperdíveis.