quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Se o novo Braga tivesse cara, só podia ser uma


Lembro-me de vê-lo começar nos Barreiros fazem agora 10 anos. Desde aí cresceu muito, mas no essencial mantém-se igual: um jogador de extremo rendimento. Talvez pudesse ter ido mais longe, tinha certamente nível para isso, mas a carreira não engana. Campeão pelo Porto, ainda foi à Europa com Marítimo, Guimarães e Braga. Nos rivais do Minho conseguiu a melhor classificação da história de ambos. Em Braga chegou mesmo a uma final europeia. Até no Porto foi essencial no título de Adriaanse.

Com a idade ficou cada vez mais requintado. Hoje é muito mais do que o desequilibrador que já foi: é o criador-mor do Braga que se tornou admirado por todos, e o seu líder indiscutível em campo. Merece-o mais do que ninguém.

Um senhor.

domingo, 30 de outubro de 2011

O monumental golo da jornada não merecia uma espoliação ao minuto 97



Jogo entre os dois últimos no Afonso Henriques, que ia acabar empatado, não fosse uma piada de penalty marcado por Carlos Xistra no último minuto dos descontos, a salvar a vida a Rui Vitória. Sobreviveu o Guimarães, e safou-se o Sporting em Aveiro logo depois, nas mesmas condições. Há coisas que nunca mudam. A corda rebentar sempre do mesmo lado é uma delas.

Rango


É pouco convencional, pelo menos.

Mais para o fim Rango lá agarra umas linhas comuns para estruturar a acção, mas de resto é quase a tempo inteiro um exercício de um certo devaneio da parte dos seus criadores. Várias vezes com piada e "diferente", outras caótico e tragicómico demais,o resultado é o filme não parecer ter grande fundo durante boa parte do tempo. E, valendo a verdade, espremido, o argumento tem pouco para oferecer, o que torna um pouco oco todo o livre traço criativo, no fim de contas.

Rango é um lagarto de estimação que de repente se perde no deserto, acabando por ir parar a uma pequena civilização western à sua medida, onde se torna ídolo e xerife. É uma história sobre descobrir-se a si próprio, e Rango - teatral por natureza, para o que contribui enormemente a assinatura vocal do inconfundível Johnny Depp - vai encontrar forças que desconhecia ter, e lutar por quem aprendeu a gostar.

Com uma banda sonora muito interessante, onde se incluem as quadras do omnipresente quarteto de corujas mariachi que narra a acção, digamos que é um filme engraçado para se ver uma vez, mas, sinceramente, não mais do que isso.

6/10

sábado, 29 de outubro de 2011

Too big to fail


É um TV movie da HBO, inspirado no livro do jornalista Andrew Ross Sorkin, que conta os primeiros meses da crise financeira mundial que explodiu em 2008. A acção centra-se no Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, nas entidades reguladoras do país e nos maiores CEO's de Wall Street, e em tudo o que estes tiveram de fazer para sobreviver.

Num registo de crónica dos acontecimentos desse período - absolutamente distinto do ponto de vista exterior, e da acusação e acidez de Inside Job -, Sorkin, que é repórter e colunista do New York Times, recriou a crise vista por dentro, desde a altura em que esta não era levada a sério, até ao pico em que não parecia haver solução possível.

William Hurt é notável como Henry Paulson (então Secretário do Tesouro), sendo bem secundado por Paul Giamatti (Ben Bernanke, Presidente da Reserva Federal) e Billy Crudup (Timothy Geithner, Presidente do Banco Federal de Nova Iorque).

Bem realizado e com um elenco de relevo, Too Big To Fail é uma perspectiva complementar digna de registo.

7/10

Has André been sacked yet?


Vão negras as coisas para Villas-Boas no Chelsea. Depois de 3 meses a correr atrás das armadas de Manchester, acabou por ser um rival bem mais de perto a ligar os blues às máquinas. Na doentia Premier League deste ano, um Arsenal que perdeu praticamente todos os anéis - menos Van Persie, que hoje deu e sobrou - e se tem andado a arrastar, deu-se ao luxo de ir a Stamford Bridge chapar um incrível 3-5, e deixar o Chelsea a 9 pontos do fulgurante City. Villas-Boas perdeu os dois derbies que jogou (1-3 em Old Trafford) e a sua janela de oportunidade vai ficando mais pequena todos os dias. Se falhar um milímetro que seja até ao início de Dezembro - e tem uma dupla jornada com o Liverpool daqui a duas semanas... -, o Special Two pode já nem ficar para ver a recepção à azul-celeste.

Mesmo em contenção de esforços, o City não falhou esta tarde. Levou 3 anos, mas Mancini tem finalmente uma equipa à sua medida. Silva-Nasri-Aguero-Dzeko, mesmo num dia mau são bons demais. E ainda há no banco Adam Johnson, Milner, Balotelli e, mais tarde ou mais cedo, um tal de Tévez...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Super 8


Depois de ter produzido Cloverfield, J.J. Abrams fez-se à estrada e escreveu e realizou o seu próprio monster movie. Até chegarmos ao último terço e entrarmos no palco do monstro e de uma mini zona de guerra, o criador de Lost tinha em mãos um dos filmes do ano.

Durante o Verão de 1979, numa pequena cidade da "América profunda", Super 8 é a história de um grupo de amigos (por volta dos 14 anos) a tentar realizar um filme, e da maneira como a sua vida é afectada pelo descarrilamento de um misterioso comboio militar, numa das suas noites de filmagens. Super 8 apanha muito bem a essência desses anos idos, ilustrando-os com uma nostalgia cativante, e tem sempre os miúdos como personagens centrais, o que, podendo ter levado a uma infantilização da acção, contribuiu, pelo contrário, para um ângulo fresco, capaz de nos relembrar dos nossos sonhos e aventuras de crianças.

Nota-se que Abrams investiu muito nos seus miúdos. Investiu e escolheu muito bem: na verdade, Joel Courtney e Elle Fanning (irmã de Dakota, dez vezes melhor do que ela) são magníficas revelações e absolutas mais-valias para o filme. Sérios e profundos, chegam a parecer adultos presos no corpo de crianças, mais velhos do que a sua idade, pelas circunstâncias das suas vidas. A química da aproximação entre os dois é a cereja no topo do bolo. E ainda vale a pena mencionar Riley Griffiths, um pequeno realizador cheio de cor.

Pena que o livro da inspiração se tenha fechado para o resto. Abrams não conseguiu inventar um fim, e ficou-se por uma amálgama de coisas que já vimos em todo o lado - a maior parte sofríveis -, um bom par delas sacadas de caras a Spielberg, que produziu Super 8 e serviu claramente de inspiração. Com meio caminho tão bem feito, ficou a saber a pouco.

7/10