terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estar ou não estar


"Cristiano a trabalhar sempre muito, cada dia mais. A resistir às tentações. A ganhar. A trabalhar ainda mais. A ganhar de novo. A ganhar quase sempre, novo e já o melhor jogador português de sempre, coisa que não se diz alto porque há Eusébio e Eusébio é Eusébio, aprendemos todos muito cedo na vida de apaixonados pelo futebol."
Luís Sobral, no maisfutebol

Ronaldo vai perder esta Bola de Ouro 2011. Não é por isso que estar nomeado é menos importante. A esmagadora maioria dos melhores jogadores do Mundo não tem a honra de fazer parte do trio finalista uma única vez na vida; aos 26 anos, Ronaldo falo-á pela... quarta vez. Não é indiferente ganhar ou perder, mas faz toda a diferença estar ou não estar, seja para qual deles for. E Ronaldo tem estado quase sempre lá, no lugar devido ao melhor jogador português de todos os tempos, porque todos os dias faz mais, faz melhor, e porque, no fundo, todos os dias está mais perto de ganhá-la outra vez.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Quero morrer em um domingo e com o Corinthians campeão"


Disse-o Sócrates... há 28 anos. Ontem, domingo, dia da sua morte, o Timão honrou-o com o 5º título da sua história.

É por isto que o futebol é diferente de tudo. Apaixonante, místico, arrepiante, incomparável. Isto só existe aqui. "Doutor" Sócrates chegou ao Corinthians aos 24 anos, só depois de se licenciar em Medicina, e, enquanto se celebrava como um dos melhores playmakers da história do jogo - também no Brasil de 82, a melhor selecção de todos os tempos - tornou-se no símbolo político de uma geração.

O seu punho cerrado ao alto foi a imagem suprema da Democracia Corinthiana, o movimento nascido no clube para combater a ditadura militar que vigorava no Brasil dos anos 80. "Era um grupo de jogadores inteligentes, cultos, que tinham estudado e defendiam ideais. Os militares proibiam-nos as mensagens, coagiam-nos e perseguiam-nos. Mas pessoas de todas as áreas juntaram-se à luta. Jorge Amado escrevia sobre nós, Gilberto Gil dedicou-nos uma música, Rita Lee cantava com a camisola do Corinthians" lembra Washington Olivetto, vice-presidente da altura.

"Doutor" Sócrates era um daqueles bigger than life, um dos que mostrou, inequivocamente, a verdadeira dimensão do fenómeno futebol. Mereceu ser relembrado como o foi ontem. E mereceu partir na sua própria profecia.


"fantasy treasure bra"

sábado, 3 de dezembro de 2011

EURO 2012: Medo?


Mas medo de quê? Grupos da morte são a nossa cena. Não há cá mariquices de azar e termos de nos transcender e sofrer e ter esperança. Nós nascemos para isto. Isto das grandes competições só tem piada se pudermos achincalhar os gajos grandes, gozar com o favoritismo deles e ir-lhes à cara com a naturalidade do nosso talento, mesmo que eles é que sejam os maiores, os melhores, os mais ricos, ou que mandem na União Europeia. No campo podemos ser melhores do que eles, e não dizemos isso de muitas coisas. Imaginem, então, o degredo que era irmos ao Leste jogar um grupo como o dos mijões dos gregos, e ainda termos um azar nos oitavos, como em 2008? O que se quer é aquilo quentinho desde o primeiro pontapé de saída, tragá-los a todos como em 2000 ou, no pior dos casos, quinar alguém que interessa antes de vir para casa. Europeu para nós só com jogos a sério. Não é à toa que em 2004 demos duas abébias aos gregos: o que nós queríamos era aviar espanhóis, ingleses e holandeses, o resto eram trocos.

E o sorteio até teve a gentileza de nos afastar de França e Itália, esses porcos do Sul que nos põem sempre a coçar. O universo tem a consciência de que o nosso forte é o eixo anglo-centro-germano-nórdico e fez questão de ser fofo. Quem é que se arrelia com os dinamarqueses? É como pôr aqueles putos que são os maiores nos jogos de aviões a conduzir um a sério. Ganhar as qualificações é como ganhar os treinos, e o pessoal lá de cima vai ter de aprender da pior maneira como elas mordem quando não estamos todos a brincar.

A cena do medo em relação a este sorteio só percebia se fosse holandês. Porra, aí sim. Tinha perdido a noite e já tinha ligado a alguma associação de protecção à vítima. Nos últimos 10 anos pusemos os gajos fora de dois Mundiais e de um Europeu... Marcámos-lhes golos que desafiam as leis da física, e em Nuremberga, quando se tornou numa batalha... ganhámos na mesma. Acho que devíamos ser processados pelo que fazemos aos holandeses.

E no fim a Mannschaft, qual cereja no topo do bolo, nos dias em que a imperatriz pensa que isto é tudo deles outra vez. É como apanhar no recreio o cabrão do miúdo culpado por estarmos de castigo; é o universo, na sua infinita sabedoria, a convidar-nos a ajustar contas lá no campo, onde somos todos iguais.

A única coisa que correu mal foi não podermos apanhar os ingleses logo nos quartos-de-final. É uma vergonha já não haver respeito pelo melhor cliente da casa.

A uma certa distância o melhor lateral-esquerdo do mundo


Com Di María, Ronaldo e Sérgio Ramos igualmente endiabrados, o Madrid chega imaculado ao "El Clásico".

Prá semana à mesma hora


Passei uma semana a ouvir falar do Sporting-Benfica dos quartos-de-final da Taça. O Marítimo entrar hoje em campo era só uma formalidade para a comunicação social deste país: a Taça deste ano era o que vinha a seguir. Logo no sorteio o representante do Benfica disse que jogar nos Barreiros duas vezes seguidas era "uma prenda para os benfiquistas da Madeira." Jesus anteviu o jogo garantindo que nenhuma equipa joga de olhos nos olhos com o Benfica. E entrou em campo com os suplentes. E, a jogar mal, teve direito a um penalty escandalosamente espoliado, daqueles que uma equipa como o Marítimo nunca vai ter num jogo destes.

Acontece que demos para tudo. E, com uma segunda-parte do outro mundo, demos também um chuto no rabo da única equipa europeia sem derrotas. No fim do jogo, Jesus não falou por menos: "Se o Marítimo ganhou é claro que estou surpreendido." Ao menos na próxima semana já sabem ao que vão.

Ah, e o golo do ano foi de graça, não é preciso agradecerem.


Agora vamos a Belém, ou a Alvalade, ou ao fim do mundo, mas só paramos no Jamor. Não somos grandes, Marítimo, somos enormes.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011