sexta-feira, 8 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Platini, o Robin dos Bosques do nosso tempo


"Espero que não apareçam 52 selecções a jogar o Europeu de 2020" 
Wolfgang Niersbach, director executivo da federação alemã, a comentar o alargamento do Campeonato da Europa de 2016 para 24 equipas

Depois de maltratar a Liga dos Campeões com a entrada obrigatória de 1/3 de equipas que ninguém sabe bem o que lá estão a fazer, Platini também conseguiu selar o alargamento do Campeonato da Europa para umas incompreensíveis 24 selecções. Não interessa o mérito, a competitividade, o nível ou a integridade do torneio; interessa é que lá estejam quantos mais melhor, e que, sob a capa da democratização, toda a gente possa encher os bolsos só mais um bocadinho. Sorte a nossa por o presidente da UEFA não se ter lembrado que se fizéssemos como a Copa América, e lá metêssemos todas as equipas do continente, o pão e o circo ainda eram maiores.

Será que, quando chegar a presidente da FIFA, como é inevitável, Platini ainda nos arranja um Mundial jogado em formato de campeonato, o ano todo, e com três divisões? A expectativa é difícil de conter, sei bem.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Europhoria


Espanha como candidato natural, obviamente. La Roja pode ser a primeira selecção da História a fazer um triplete (Euro-Mundial-Euro), e, quatro anos depois, mantém-se em estado de graça. Faltam dois figurões como Puyol e Villa, e a equipa teve alguma ressaca no pós-África do Sul (goleadas nossa, da Argentina, etc), mas arrancou para uma qualificação de 8 vitórias, não perdeu um metro nos amigáveis, e chega com um grupo que, mais ou menos beliscado pela rivalidade Barça-Madrid, garante uma rotação altíssima. Por alguma razão nunca ninguém ganhou a tal tríade de títulos, mas esta selecção espanhola não parece definitivamente em fim de ciclo, e a presença nas meias-finais será quase uma formalidade. Depois há muito mais a ter em conta, mas a equipa de Del Bosque é o favorito número 1, sem qualquer dúvida.

Depois, a Alemanha. Parece-me, isoladamente, a segunda selecção mais forte do torneio. Vice-campeã em título, 3ª no Mundial, tem uma geração extraordinária de futebolistas, muitos deles novos, que ainda não ganharam nada, e que estão consumidos por isso. Se na Espanha pode pesar o que já se fez, para a Alemanha não há nada que chegue. Junte-se isso à sua histórica mentalidade, e temos, se calhar, o único candidato que pode realmente pôr os espanhóis em cheque. Para mim, além de tudo mais, jogam o melhor futebol do continente.

Em terceiro, a Holanda de Van Marwijk, depois do estrondo de campanha na África do Sul, e de uma qualificação quase imaculada de vitórias. Não sei se será exagero dizê-lo, mas, do meio-campo para a frente, é provável que os holandeses sejam o grupo mais talentoso da competição. A esse talento, juntaram, no último Mundial, um cinismo resultadista que só parou na final. Será uma equipa sempre temível, mas que, ao contrário de Espanha e Alemanha, já me deixa algumas dúvidas: não sei até que ponto o jogo pragmático e seco de Van Marwijk pode resultar tão efectivamente como há dois anos. Para nós, talvez até seja mais "fácil" jogar com a Alemanha, de peito aberto, mas a nossa porta para os quartos é ser melhores do que o jogo holandês.

Os favoritos reais acabam aqui. O Euro pode dar em muitas coisas, mas se nenhum destes três for campeão europeu, então teremos passado por uma hecatombe qualquer. Quanto aos outros históricos: França e Itália não fazem um bom torneio desde 2006 (como nós, curiosamente), desde a final que jogaram ambas no Olímpico de Berlim. Sem espectacularidades, a França surge melhor. Fez uma qualificação modesta, está muito longe da pujança do início da década, mas tem um treinador jovem e de qualidade, e chega com algumas figuras vindas de uma época excelente (Ribéry, Benzema). É o favorito claro do seu grupo, e a sua presença nas meias-finais seria natural, ainda que não seja nenhum dado adquirido. Mais do que isso, era surpreendente.

Com Prandelli, a Itália também parecia refazer-se, a pouco e pouco, da catástrofe na África do Sul, mas a bomba de um novo Calciocaos, que explodiu nas últimas semanas, põe tudo em causa. O onze apoia-se na época notável da Juve (a defesa, mais Pirlo e Marchisio), tem o laivo de génio de Balotelli, que pode dar para tudo, mas, com tamanha pressão, a Azzurra não é mais do que uma grande incógnita, e tem o 2º pior grupo da competição. Irónica, ou misticamente, da última vez que houve um escândalo de corrupção no Calcio... o resultado foi um título mundial.

Finalmente, a Inglaterra, a tragédia que não acaba. É, de todos os grandes, quem chega ao Euro em pior estado: 4 titulares lesionados, Rooney suspenso 2 jogos e, sobretudo, Capello despedido estapafurdiamente há meia dúzia de meses, com o veterano Roy Hodgson a ser o que se arranjou. Para surpreender, a única esperança para a selecção dos Três Leões residirá na surpreendente nova geração de futebolistas que se afirmou este ano: Young, Chamberlain, Carroll, Phil Jones, Welbeck. Sinceramente, porém, é de esperar o pior, e se der para bater a Suécia e chegar aos quartos, a campanha já não terá sido mal sucedida.

No resto, a Rússia volta a surgir muito promissora num Europeu, como há quatro anos, e pode voltar a surpreender, depois de ter falhado o último Mundial. A Grécia de Fernando Santos parece-me o segundo melhor outsider, e é quem deverá acompanhar os russos para os quartos. No grupo de espanhóis e italianos, também merecem atenção o futebol sempre perfumado dos croatas, e a manha da Irlanda de Trapattoni.

Como não podia deixar de ser, ficam aqui as apostas:
Meias-finais: Portugal-Espanha e Alemanha-França.
Final: Espanha-Alemanha, e a Mannschaft é campeã da Europa.

Acima de tudo, que o Euro valha a pena. 

sábado, 2 de junho de 2012

O nosso Euro que está para vir


Pondo-o de uma forma clara, é o seguinte: ir lá ficar nos grupos é não ir.

Nunca estivemos num grupo da morte que reunisse o 2º e o 3º do Mundial anterior. É provável que este seja o pior de sempre. Mas, nos últimos 16 anos, nunca deixámos de passar uma fase de grupos, e, em 2000, ganhámos um grupo da morte quando ainda não éramos ninguém. Não pode ser mais difícil do que isso. Acho que somos uma das 4 melhores selecções europeias da actualidade, o problema é que duas das outras três estão no nosso grupo, e um de nós ficará sempre irremediavelmente aquém do seu potencial. Não há é ninguém que me convença que não somos equipa para alemães e holandeses.

Não temos de ganhar o Euro, não temos de ir à final, mas temos de passar os grupos e, digo mais, por ingrato que isso possa soar, tendo em conta que o adversário nos quartos sai do grupo A (Polónia, Rússia, Rep. Checa e Grécia), não chegar às meias neste Polónia-Ucrânia vai saber a pouco.

É possível que esta selecção não esteja ao nível de 2000, 2004 ou 2006. Não sei. Mas sei que temos 2 ou 3 melhores do mundo, que seriam titulares em qualquer selecção, mais uns quantos do que a Europa tem de melhor, um grupo equilibrado, jovem e fiável, e que, não é dizer pouco, respira saúde.

Acima de todos, Ronaldo, claro. Óbvio que não vai marcar 60 golos como no Real, mas ao melhor jogador europeu da actualidade exige-se que não seja menos do que isso. Os camaradas desvalorizam, mas Ronaldo joga mesmo a Bola de Ouro neste Europeu. Para o bem e para o mal, nosso e dele, tem de corresponder.

Depois Pepe, Meireles, Coentrão, Moutinho e Nani. Os dois primeiros depois de uma época magnífica, os outros três num momento da carreira em que é obrigatório dizerem presente. Nesta espinha dorsal de luxo temos o que de melhor se vê no continente.

Finalmente, é justo falar de Patrício e Postiga, a virem ambos de um ano de alto nível, e a poderem ser fiéis da balança verdadeiramente determinantes, em duas das nossas lacunas históricas. De Patrício, é quase unânime que vai explodir no Euro; se estiver ao nível de Eduardo na África do Sul, será mais do que suficiente. Postiga tem o ponto de interrogação eterno sobre as costas, mas provou, entre os melhores do mundo, que pode fazer a diferença.

Quem chega ao nível a que chegámos na última década, perde o direito de conformar-se. Ser eliminado por Alemanha e Holanda até pode ser normal; para nós, pelo menos, não pode ser suficiente.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Séries 11-12: Raio-X


The Walking Dead 2, parte 2
Teve um único pecado: ter querido ser hollywoodesca no penúltimo episódio. Depois da monumentalidade de fim da primeira parte da temporada, a bitola estava alta, e a série correspondeu com mais uma fortíssima mão de episódios. Se dúvidas houvesse, The Walking Dead é mesmo a melhor série da actualidade. Só falhou, realmente, o excesso de espectáculo do clímax, ainda que o desenlace do season finale tenha sido bom, e aberto grandes perspectivas para o que está para vir. Sensacionais os desempenhos de Andrew Lincoln e Jon Bernthal.

Game of Thrones 2
Mais uma temporada de nível alto, como era de prever. A série respira grandiosidade e uma indiscutível capacidade para cativar, e, individualmente, a temporada foi colossal para o soberbo Peter Dinklage, e para o venerável Charles Dance. Ficam, contudo, em espera algumas linhas fortes da primeira temporada, e esta denota alguma dificuldade em concretizar um ou outro episódio. Também ao contrário da season 1, o tradicional episódio-clímax desiludiu um pouco, fruto de uma realização sofrível, na primeira grande batalha. As expectativas seguem, porém, muito altas.

Downton Abbey 2
Teve algumas dores de crescimento como sequela, isto é, não foi tão natural como a primeira temporada, tão bem pensada e ponteada, e algumas narrativas perderam-se aqui ou ali. O resultado global, no entanto, continuou a ser muito bom, com a reverência do romance que lhe é tão característica a ter os horrores da guerra como pano de fundo. Temporada magnífica para Michelle Dockery, muito bem secundada pelos veteranos Jim Carter e Maggie Smith.

How I Met Your Mother 7
As últimas duas temporadas foram uma desilusão. A série perdeu a frescura, a simplicidade, quis ser muitas coisas grandes ao mesmo tempo, e gastou-se. Sobrava alguma expectativa para perceber as nuances do fim da season 7, mas manteve-se a redundância, a insistência em narrativas que já vimos vezes de mais. HIMYM é a melhor sitcom que já vi, foi o meu Friends, mas, como House, não soube sair.

Modern Family 3 e The Big Bang Theory 5
Grande temporada para ambas. Estão bem e recomendam-se. Acho que Modern Family ganhou os prémios antes de os merecer, mas hoje é uma comédia de fino quilate, com uma identidade própria, que dá gosto ver. Sem presunção nem grandes malabarismos, afirmou o seu espaço plenamente (ainda que o fim de temporada tenha sido um pouco recheado de mais). A Big Bang há que reconhecer o mérito de manter a chama, e continuar a estender-se imperturbável no tempo. A história evoluiu, mas de uma forma inteligente e subtil, sem exageros, e, no fim da season 5 (muito bem conseguido) conserva-se no auge, ainda com muito para dar.

The Amazing Race 20 e Survivor 24
Opostos. Não acabei Amazing Race, não por peculiaridades da temporada, mas porque a série tem uma durabilidade reduzida, e acaba por maçar. Tinha visto duas temporadas antes, e foi inevitável a sensação de mais do mesmo. Survivor, pelo contrário, é um vício inapagável. Depois da brilhante season 23, mais uma temporada ligada à máquina, com excelentes personagens e um óptimo jogo. Não há reality-tv que se lhe compare.

Os melhores da temporada 11/12

1 - The Walking Dead
4 - Game of Thrones
5 - Downton Abbey
6 - Modern Family
7 - The Big Bang Theory
8 - Boss

O mais unânime do pódio é quem cai


Chocante a rescisão do Braga com o melhor treinador do campeonato.

Sondagens do Porto, enquanto se cozinha a saída de Vítor Pereira? As decisões que parecem abruptas costumam ser muito mais do que isso, e se Jardim estava receptivo ao Porto para essa eventualidade, é legítimo que Salvador não tenha querido continuar a preparar a época com quem pode vir a não contar em breve. Neste momento, contudo, esse é um cenário com tanto de conspiratório como outra conspiração qualquer.

Quanto ao que é público: no início da semana, a notícia era que Salvador não teria ficado agradado com o facto de Leonardo Jardim ter dito que a relação de ambos era "profissional". A polémica pareceu bacoca, mas este pode muito bem tratar-se de um caso de falta de empatia.

Aliás, a primeira sensação segura que fica é que António Salvador deixa cair um treinador de alto nível - que fez do Braga a equipa mais equilibrada do campeonato, a espaços com o melhor futebol, uma série de jogadores valorizados, um título disputado até à última, e uma qualificação para a Liga dos Campeões -, por uma certa falta de carisma e de imagem. Jardim não é um treinador da moda, não é polémico, não é uma marca, e essa esterilidade parece chocar com a imagem que o presidente do Braga deseja que o clube projecte. Nesta lógica, por exemplo, faz todo o sentido que se insista no nome de Sérgio Conceição.

Leonardo Jardim provou o que tinha a provar. É verdade que lhe faltou estaleca para jogar o título com os maiores, mas o nível táctico, a valorização de jogadores e a produtividade garantem-lhe um lugar no banco de um grande no espaço de dois anos.

Conceição fez um trabalho muito bom em Olhão - melhor, aliás, do que Jardim tinha feito em Aveiro -, e não espantará ninguém se for uma aposta bem sucedida. O problema é que mudar de treinador não é como mudar de camisa, e este é o tipo de decisões que afecta uma equipa, muito mais do que a costuma beneficiar.

segunda-feira, 28 de maio de 2012