"I have no choice but to direct my energies toward the acquisiton of fame and fortune. Frankly, I have no taste for either poverty or honest labor, so writing is the only recourse left for me." Hunter S. Thompson
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
The American

É o pior Clooney que já vi. Assustadiço, distante, descaracterizado, e muito longe da assinatura tão particular pela qual sempre se faz notar.
No género, e mesmo sabendo, à partida, que o feedback não tinha sido muito famoso, The American é uma desilusão. Anton Corbijn, com uma carreira em Documentários, investiu muito a nível estético, mas acabou com um filme parado, chato e pretensioso, incapaz de ultrapassar o cliché do mercenário-galã em fim de carreira. Além de também falhar nas cenas de acção, o filme é, acima de tudo, um falhanço rotundo de argumento (responsabilidade de Rowan Joffe - 28 Semanas Depois): a história é pouco coesa, e é desligada e incoerente, como se não fosse importante tudo aquilo ter uma linha e fazer sentido.
Salva-se o charme de Castel del Monte, a cidadezinha italiana onde o filme foi rodado, e a extrema sensualidade de Violante Placido. No resto, é um dos filmes mais fracos do ano.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
True Grit

É excelente, e, definitivamente, o melhor que alguma vez vi dos Coen.
Desta vez os irmãos controlaram o devaneio, e fizeram um filme fortíssimo, sustentado, e absolutamente cativante. True Grit é remake dum filme homónimo de 1969, com o lendário John Wayne, baseado na obra de Charles Portis, e conta a história dum velho caminhante, ao tempo US Marshall, que decide ajudar uma jovem rapariga a apanhar o assassino do pai. Mais ou menos adaptado, rendeu um argumento de todo o tamanho que, sem ser especialmente inovador, nem investir em grandes twists, consegue ser intenso e apaixonante, e agarrar-nos ao ecrã desde o primeiro minuto.
Disse que Colin Firth era um candidato de peso ao Óscar, mas que Bridges teria sempre uma palavra a dizer, e tenho de confessar que prefiro o californiano. Firth é fantástico pela maleabilidade da interpretação, e por dominar aspectos quase técnicos, mas Bridges volta a meter coração e o seu profundo carisma, e é incontornável. Depois do seu primeiro Óscar, por Crazy Heart, torço para o bis, este ano.
Num rol de secundários de renome, quem saltou à vista foi uma miúda de 14 anos, escolhida num casting, dentre 15 mil candidatas: Hailee Steinfeld estreou-se no grande ecrã num papel exigente, com mais de principal do que do secundário para o qual a Academia a nomeou, e foi toda ela atitude. Apesar do largo e justificado favoritismo de Melissa Leo, é, das quatro que vi até agora, a única que merece discutir a estatueta com a nova-iorquina.
A banda sonora também é magnífica, e só fica fora dos Óscares por não ter sido integralmente composta para cinema.
True Grit foi uma grande surpresa, e só é batido por Inception e Black Swan como Melhor do Ano.
Desta vez os irmãos controlaram o devaneio, e fizeram um filme fortíssimo, sustentado, e absolutamente cativante. True Grit é remake dum filme homónimo de 1969, com o lendário John Wayne, baseado na obra de Charles Portis, e conta a história dum velho caminhante, ao tempo US Marshall, que decide ajudar uma jovem rapariga a apanhar o assassino do pai. Mais ou menos adaptado, rendeu um argumento de todo o tamanho que, sem ser especialmente inovador, nem investir em grandes twists, consegue ser intenso e apaixonante, e agarrar-nos ao ecrã desde o primeiro minuto.
Disse que Colin Firth era um candidato de peso ao Óscar, mas que Bridges teria sempre uma palavra a dizer, e tenho de confessar que prefiro o californiano. Firth é fantástico pela maleabilidade da interpretação, e por dominar aspectos quase técnicos, mas Bridges volta a meter coração e o seu profundo carisma, e é incontornável. Depois do seu primeiro Óscar, por Crazy Heart, torço para o bis, este ano.
Num rol de secundários de renome, quem saltou à vista foi uma miúda de 14 anos, escolhida num casting, dentre 15 mil candidatas: Hailee Steinfeld estreou-se no grande ecrã num papel exigente, com mais de principal do que do secundário para o qual a Academia a nomeou, e foi toda ela atitude. Apesar do largo e justificado favoritismo de Melissa Leo, é, das quatro que vi até agora, a única que merece discutir a estatueta com a nova-iorquina.
A banda sonora também é magnífica, e só fica fora dos Óscares por não ter sido integralmente composta para cinema.
True Grit foi uma grande surpresa, e só é batido por Inception e Black Swan como Melhor do Ano.
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Foi bonito pra caramba

Só posso dizer que tenho pena de não ter visto muito mais.
É ingrato: vi muitos anos dum grande ponta-de-lança, viu-o ser galáctico e ser outra vez Melhor do Mundo, mas já não fui a tempo de ver o monstro que assombrou Eindhoven, Barcelona e Milão. A lenda.
Ver esses vídeos, é ver o maior de todos, depois de Maradona. Para quem só se lembra do El Gordo, dos joelhos ou dos escândalos, são obrigatórios.
Romanticamente, como Maradona, Garrincha ou Best, saíu sozinho. Perdeu, como disse, não para o álcool ou para as drogas, mas para o próprio corpo, o tal que o atormentou durante tantos anos. Tamanho talento nunca se compadece com finais bonitos, e o Fenómeno forjou a lenda até ao fim.
Com Zizou, é o adeus dos dois maiores génios da minha geração.
Até sempre.
É ingrato: vi muitos anos dum grande ponta-de-lança, viu-o ser galáctico e ser outra vez Melhor do Mundo, mas já não fui a tempo de ver o monstro que assombrou Eindhoven, Barcelona e Milão. A lenda.
Ver esses vídeos, é ver o maior de todos, depois de Maradona. Para quem só se lembra do El Gordo, dos joelhos ou dos escândalos, são obrigatórios.
Romanticamente, como Maradona, Garrincha ou Best, saíu sozinho. Perdeu, como disse, não para o álcool ou para as drogas, mas para o próprio corpo, o tal que o atormentou durante tantos anos. Tamanho talento nunca se compadece com finais bonitos, e o Fenómeno forjou a lenda até ao fim.
Com Zizou, é o adeus dos dois maiores génios da minha geração.
Até sempre.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O Discurso do Rei, ou já faltarem quase só duas semanas

Acima de tudo, é muito bem filmado. Tom Hooper deu uma grande demonstração de classe, numa categoria bem tratada este ano (O. Russel, Aronofsky e, acima de todos, o incrivelmente esquecido Chris Nolan), e guia-nos pel'O Discurso do Rei, num sem número de planos, enquadramentos e momentos belíssimos, sempre aliados a uma excelente cinematografia. É um deleite e, sem demérito para o nível elevado de tudo o resto, é a chave do filme. Apesar de achar que Darren Aronofsky merece o Óscar, não era injusto se a estatueta ficasse com Hooper.
O argumento é bom - a história do improvável rei Jorge VI de Inglaterra, monarca durante a 2ª Grande Guerra, e do terapeuta que curou a sua profunda gaguez -, mas é ofuscado pela consistência das interpretações: Colin Firth voltou a provar que é um dos maiores da actualidade e, depois de ter perdido o Óscar para Jeff Bridges, no ano passado, é novamente um adversário de peso para o californiano, reforçado com o Globo de Ouro que arrecadou no fim de Janeiro. Certo é que Firth bate claramente Jesse Eisenberg e James Franco, e saca uma performance de um nível muito alto, poderosa, genuína e convincente.
Geoffrey Rush é um grande secundário, uma daquelas personagens eminentemente cativantes, mas tem o azar de, este ano, ter um Chris Bale num daqueles papéis-ícone, em The Fighter. Bonham Carter encaixa como sempre, mas o seu papel não me parece suficiente para a nomeação como Melhor Secundária.
A banda sonora também não desilude, apesar de me parecer inferior ao Inception e ao 127 Horas.
Num adjectivo, The King's Speech é um filme elegante, forte a todos os níveis, com boas interpretações, e uma excelente realização, que justifica absolutamente ser visto. É um dos melhores filmes do ano.
O argumento é bom - a história do improvável rei Jorge VI de Inglaterra, monarca durante a 2ª Grande Guerra, e do terapeuta que curou a sua profunda gaguez -, mas é ofuscado pela consistência das interpretações: Colin Firth voltou a provar que é um dos maiores da actualidade e, depois de ter perdido o Óscar para Jeff Bridges, no ano passado, é novamente um adversário de peso para o californiano, reforçado com o Globo de Ouro que arrecadou no fim de Janeiro. Certo é que Firth bate claramente Jesse Eisenberg e James Franco, e saca uma performance de um nível muito alto, poderosa, genuína e convincente.
Geoffrey Rush é um grande secundário, uma daquelas personagens eminentemente cativantes, mas tem o azar de, este ano, ter um Chris Bale num daqueles papéis-ícone, em The Fighter. Bonham Carter encaixa como sempre, mas o seu papel não me parece suficiente para a nomeação como Melhor Secundária.
A banda sonora também não desilude, apesar de me parecer inferior ao Inception e ao 127 Horas.
Num adjectivo, The King's Speech é um filme elegante, forte a todos os níveis, com boas interpretações, e uma excelente realização, que justifica absolutamente ser visto. É um dos melhores filmes do ano.
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