sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei, ou já faltarem quase só duas semanas


Acima de tudo, é muito bem filmado. Tom Hooper deu uma grande demonstração de classe, numa categoria bem tratada este ano (O. Russel, Aronofsky e, acima de todos, o incrivelmente esquecido Chris Nolan), e guia-nos pel'O Discurso do Rei, num sem número de planos, enquadramentos e momentos belíssimos, sempre aliados a uma excelente cinematografia. É um deleite e, sem demérito para o nível elevado de tudo o resto, é a chave do filme. Apesar de achar que Darren Aronofsky merece o Óscar, não era injusto se a estatueta ficasse com Hooper.

O argumento é bom - a história do improvável rei Jorge VI de Inglaterra, monarca durante a 2ª Grande Guerra, e do terapeuta que curou a sua profunda gaguez -, mas é ofuscado pela consistência das interpretações: Colin Firth voltou a provar que é um dos maiores da actualidade e, depois de ter perdido o Óscar para Jeff Bridges, no ano passado, é novamente um adversário de peso para o californiano, reforçado com o Globo de Ouro que arrecadou no fim de Janeiro. Certo é que Firth bate claramente Jesse Eisenberg e James Franco, e saca uma performance de um nível muito alto, poderosa, genuína e convincente.

Geoffrey Rush é um grande secundário, uma daquelas personagens eminentemente cativantes, mas tem o azar de, este ano, ter um Chris Bale num daqueles papéis-ícone, em The Fighter. Bonham Carter encaixa como sempre, mas o seu papel não me parece suficiente para a nomeação como Melhor Secundária.

A banda sonora também não desilude, apesar de me parecer inferior ao Inception e ao 127 Horas.

Num adjectivo, The King's Speech é um filme elegante, forte a todos os níveis, com boas interpretações, e uma excelente realização, que justifica absolutamente ser visto. É um dos melhores filmes do ano.

3 comentários:

karmatoon disse...

Bebé, nunca te esqueças do Bardem, se fazes favor...

Paulo Pereira disse...

É vero! Mas a sensação que fiquei é que ele está a correr por fora, e que o filme é pouco mais do que a interpretação dele. Mas ainda não vi, e tenho de ver, claro. Como ainda nem vi o True Grit, estava só a especular por comparação com o ano passado, e com a dimensão dos filmes em que cada um se meteu ;)

unintended disse...

Concordo! Espero que Colin Firth vença este ano. Ainda não vi 127 Horas e True Grit, mas acho que o senhor já merece.