quarta-feira, 28 de julho de 2010

Não te menosprezes, Zé

«Acho que sou um treinador com sorte»


O Campeonato e a UEFA perdidas na mesma semana, e o apuramento para o Mundial falhado num último minuto, não foram sorte. Foram mérito teu, pá!

Even though I walk through the valley of the shadow of death, i fear no evil


The Book of Eli parece-me um filme injustamente underrated. Não era fácil de fazer, partindo do homem solitário no futuro pós-apocalíptico, e nem se dá muito a explicações estruturais, ou a tentar marcar pela diferença um contexto tão comum como esse, mas é um filme sempre despretensioso que, sem querer ser criativo nos cenários ou na cor, e mesmo a ser exagerado aqui ou ali, tem um fundo simples, cativante e interessante de seguir. A sensação que fica é que não tem maestrias na realização, que até é apressado em certas alturas, mas que é um filme sobretudo bem escrito, e dotado duma expressividade religiosa não tão comum quanto isso.

Depois, ao nível do cast, as coisas acertaram. O Denzel é uma segurança quase a toda a prova, e faz um papel francamente bom, de um homem de fé, com um mundo às costas, que se fez a caminhar, mas que nunca, apesar dalguma acção incentivar a isso, se apresenta como um super-herói. O Gary Oldman também se enquadra bem, como sempre, mesmo que não se exija muito dele, tal como o Ray Stevenson aparece sólido como secundário. A conjugação é feliz ao ponto de até a Mila Kunis, apesar da muito deslocada ponta final, conseguir vingar, surgindo com uma pureza já madura no grande ecrã. Recomendado.

domingo, 25 de julho de 2010

Quando o poster é, a boa distância, a melhor coisa presente


Não tenho nada contra blockbusters, pelo contrário. Ao invés das pessoas que acham que os orçamentos milionários nunca rendem filmes decentes, acredito nos bons blockbusters e, sobretudo, acredito que estes podem ser filmes realmente de notar. Aliás, pese todo o dinheiro envolvido, será tão ou mais difícil fazer um filme comercial que não seja descerebrado, do que fazer um bom drama independente. Que ninguém duvide que é um talento, e temos aí os Batmans do Nolan, ou o primeiro Transformers do Michael Bay, para o provar. Um bom blockbuster é um filme que dá gosto ver, e, especialmente, que cumpre uma vertente que está nas entranhas do cinema: entreter, impressionar e alhear pelos efeitos e pela acção.

2012 não é, no entanto, nada disto. É, simplesmente, uma brincadeira de mau gosto que, acabada, só dá a sensação de que poderia ter sido feita por qualquer pessoa, tal é a falta de argumento, de ideias, e de um pingo de consideração estética. Não era preciso ter sido Rolland Emmerich que, no género, até já fez coisas decentes como The Day After Tomorrow, para torrar os 200 milhões do orçamento. Talvez até seja deslocado criticar um filme que não foi feito com quaisquer propósitos à excepção de ser javardão e molhar a sopa a toda a gente, e que portanto não teve de arriscar uma unha que fosse, e pôde ser feito duma ponta à outra em piloto automático, by the book, e com todos os clichés, e momentos populachos, e tontices típicas de qualquer filme rasca para arrancar uma gargalhadazita. Mas, mesmo que já tenha quadriplicado o investimento, pelo menos para quem tem alguma consideração pelos filmes comerciais, é triste ainda saírem coisas assim.

No meio de todos os efeitos especiais abrutalhados, e da estória do pai-divorciado-com-problemas-com-o-filho-cujo-padrasto-é-rico-mas-a-mãe-não-ama-mesmo-a-sério, chegou-se ao cúmulo de, em 2 horas e meia de filme, 2 HORAS E MEIA, só se ter mencionado 2 vezes o mito Maia do fim do mundo que supostamente inspirou a acção, uma através duma espécie de animação em cartoon, outra com um sibilar "Mayas knew it all". 2012 é qualquer coisa entre cinema rasca e prostituição intelectual.

Nolan, sempre o maior de todos


Inception é um filme difícil de abordar por muitas razões. Desde logo porque é de Christopher Nolan, e porque se criou uma expectativa imensa à sua volta, ou não tivesse Nolan deslumbrado com todos os seus 5 filmes, e não fosse o último uma obra-prima chamada The Dark Knight. Mas será difícil de abordar, sobretudo, pela incrível densidade do argumento, não necessariamente ao nível da emotividade ou da reflexão moral, mas da própria acção. Inception é um filme sobre a realidade e sobre a percepção que temos dela, com a diferença de que Nolan ignorou quaisquer ângulos ao nível da loucura ou das psicopatias, para o elevar a um pico de ficção científica, numa recriação portentosa do que alguma vez se entendeu por lavagem cerebral, ao que ainda juntou a manipulação de sonhos e os truqes do nosso inconsciente, a desorientação mental pura, e as questões sobre a própria noção da realidade. O filme é totalmente poderoso, absolutamente cativante ao espectador, e tem a capacidade de se passear sempre como que um passo à nossa frente, insinuante, como se fosse impossível acompanhá-lo. Isto é arte, e Nolan, que não só realizou, como, principalmente, escreveu sozinho todo o filme, já nem precisava deste monstro para se afirmar como o melhor criador de cinema da actualidade.

Mesmo assim, e mesmo sendo um sacrilégio querer criticar coisas deste nível, não posso deixar de dizer que estava à espera de algo mais. O filme é fantástico, sublinhe-se, mas a Nolan temos de exigir sempre um pouco mais do que isso. Não digo que faltem morais de fundo, ou quaisquer coisas francamente reflexivas, porque Nolan é muito mais de criatividade do que de morais, mas a sensação que ficou foi que, a dada altura, o próprio Nolan acabou por se perder no hermetismo do filme, e não o conseguiu depois fechar com a maestria de sempre. O fim não é desadequado, fraco, e nem sequer assenta mal, mas é previsível, sobretudo um tanto ou quanto fácil, e isso tem pouco a ver com Chris Nolan.

Ao nível das interpretações, e ao contrário do que seria de esperar, Di Caprio não conseguiu ter o poder de ecrã dos últimos tempos. Mesmo com as especificidades do personagem, acabou por ficar estranhamente distante do ícone que cada vez mais tinha habituado a ser, num papel perturbado, escuro, e pouco intenso. Sem ninguém brilhar muito alto, merecem a nota Gordon-Levitt e Tom Hardy, bons secundários. Marion Cotillard, sem tirar o fôlego, assentou bem ao papel. Ellen Page não é para estas coisas.

Inception será, por certo, o argumento com mais potencial do ano, e definitivamente o mais criativo. Mas faltou maior emotividade à acção, maior propósito para o crime em que tudo aquilo assenta, e, sobretudo, um acabamento de outro campeonato, no fundo, o campeonato de Chris Nolan. E não, ao contrário do que pelo menos o imdb parece fazer crer, este não é, claramente, o melhor filme do génio londrino.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Um gajo percebe que isto é grave, quando é o AJJ quem tem de vir chamar à razão

"Alberto João Jardim declarou esta terça-feira estar «frontalmente contra» a proposta de revisão constitucional do PSD e disse que o partido fazia um favor se o expulsasse.

«Esta não é a ideologia do meu PSD. Estou frontalmente contra e estou no direito de estar contra. Expulsem-me, que é um favor que me fazem», disse o líder do PSD-Madeira aos jornalistas, em S. Vicente.

(...)
Jardim declarou rejeitar «o despedimento sem justa causa», incluído na proposta de revisão constitucional do PSD.

Entre as razões para discordar do projecto do PSD, defendeu que «o Estado tem que ter responsabilidades para com as classe mais desfavorecidas, nos domínios da saúde da e educação» e referiu entender que «qualquer mudança de governo tem que estar sujeita ao povo português»."

Bom entretenimento, boa televisão e, acima de tudo, profissionais de quem se gosta


domingo, 18 de julho de 2010