domingo, 12 de janeiro de 2014

Globos 2014. O telegrama


Com toda a pompa e com toda a circunstância, os Globos de Ouro darão, como sempre, o luxurioso mote a mais uma viciante temporada dos prémios grandes do cinema. Daqui a pouco, no salão de festas do Beverly Hilton Hotel, começará a ser escrita a crónica de um 2013 generoso e marcante. Vamos, então, a ele, em jeito de bloco de notas:

- Gravity sobre 12 Years a Slave, pelo conceito inovador, pela criatividade, pela densidade do seu ideário e pela experiência cinematográfica. 12 Years é um clássico instantâneo, executado brilhantemente, mas sempre mais majestático do que cativante.

- Tom Hanks sobre Chiwetel Ejiofor, não para pungir a implicância, mas porque Hanks fez o filme ao nível dos velhos tempos e Ejiofor foi feito por ele, jamais conseguindo transcender o personagem.

- Sandra Bullock sobre Cate Blanchett, não porque esta não tenha tido uma performance admirável, tão genuína na forma como agarrou a escrita de Woody Allen, mas porque o alcance bestial de Bullock foi demasiado significativo para que passe em claro.

- American Hustle sobre The Wolf of Wall Street, já que, pese a vitalidade de Scorsese e o festival de DiCaprio, o contrário seria um escândalo. Wolf é bom mas só de uma forma exaustiva, Hustle é irresistível e contagiante, espectacularmente bem escrito, com uma grande realização e performances ainda melhores.

- DiCaprio sobre Chris Bale, porque ficando rendido a Bale, DiCaprio é pornograficamente bom.

- Amy Adams sobre Julie Delpy. Ficava contente se os Before se despedissem com um grande prémio, mas Adams foi claramente superior.

- Michael Fassbender sobre Jared Leto, para premiar a verdadeira e palpável excelência interpretativa, e não um papel que, no fundo, se cozinhava a si próprio.

- Lupita Nyong'o, por merecimento, ainda que nunca ninguém me verá escrever que Jennifer Lawrence não justifica qualquer prémio do sistema solar.

- Steve McQueen sobre Alfonso Cuarón, David O. Russel e Paul Greengrass, na categoria mais notável da noite, porque, não tendo feito o melhor filme assinou, com um requinte inacreditável, uma obra-prima estética.

- American Hustle para Argumento. Porque, caso contrário, a Associação de Imprensa Estrangeira merece uma bomba. 

- Na Televisão, racional era que House of Cards e Breaking Bad dividissem Melhor Drama e Melhor Actor. Porque Breaking Bad é o colossal obrigatório, mas pelo carisma, pela novidade e pelo génio de Cards.

- Vou deixar escrito "Masters of Sex", pela ingratidão que era não falar dela nesta hora. Aliás, conto que ainda vão a casa de Lizzy Caplan entregar-lhe o Globo de Melhor Actriz, justificando com um erro técnico a sua idiótica ausência nas Nomeações.

- Zooey Deschanel com um ano de atraso.

- Aaron Paul, compulsiva e absolutamente.

- E, finalmente, aplaudir de pé o Cecil B. DeMille Award para Woody Allen. Ele não quer saber, mas nós ficamos orgulhosos na mesma. E matamos saudades de Diane Keaton.

A partir da meia-noite, num canal que aparentemente se chama SIC Caras.

1 comentário:

Anónimo disse...

Confesso, estou ansiosa por ler algo sobre o Ronaldo. Algo grandioso, à sua altura!