sábado, 6 de março de 2010

Until then, im just gonna stay Bad


As comparações com The Wrestler eram incontornáveis. Do passado de relevo à estória de auto-destruição presente, até ao protagonista como ícone e ao peso de uma grande música na acção (apesar da surpresa nos Óscares do ano passado, Mickey Rourke ganhou Globo do Ouro para melhor Actor e "The Wrestler", do Springsteen, ganhou para Melhor Música Original), tudo se conjugou para que este Crazy Heart nascesse sob uma sombra muito grande. Por isso, vale a pena dizer, desde logo, duas coisas: primeiro, toda esta semelhança nunca invalidaria, à partida, que Crazy Heart fosse um grande filme, porque, como é óbvio, não se lembraram de o fazer depois de verem The Wrestler, em menos de um ano, e, sobretudo, porque esse exemplo tão próximo implicaria, pela lógica, um cuidado redobrado na abordagem, justamente para recusar qualquer tipo de colagens. Acredito, assim, que havia, ao contrário do que muita gente terá pensado, mais prós do que contras, num filme de espectro tão próximo de outro (no drama e nas linhas gerais), feito tão pouco tempo depois. Segundo, Crazy Heart é, realmente, inferior a The Wrestler, como só seria lógico que fosse, não estivéssemos a falar de uma obra-prima. Isto não invalida, no entanto, que este seja um grande filme, diria mesmo, injustamente esquecido, na corrida de 10 nomes, deste ano, a Melhor Filme para a Academia.

Crazy Heart é um filme, acredito, muito mais do que de realização ou de argumento, que vive da interpretação, e, apesar de ser justo mencionar a maneira como Maggie Gyllenhaal cumpre graciosamente um papel que puxava por ela (lembrava-me da pequena expressão que tinha tido em The Dark Knight, por exemplo, e surpreendi-me pela positiva), é Jeff Bridges que surge tão bom como o reconhecimento que tem tido sugeria. Apesar da concorrência fortíssima do Colin Firth, pelo que se anuncia (não vi A Single Man), há de ser ele a vingar o Óscar que foi espoliado a Mickey Rourke, no ano passado. Assim como esta majestosa The Weary Kind merece o reconhecimento que "The Wrestler" não teve. Estou a torcer.

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