quarta-feira, 13 de junho de 2012

O nosso Euro #2: O abismo a olhar para nós


Dinamarca-Portugal, 2-3

Foi dramático, mantém-nos vivos e, hoje, é só isso que interessa. Mas não há como ficar satisfeito com esta quase tragédia.

Fizemos uma segunda-parte absolutamente pavorosa que, com uma das outras duas selecções do grupo, teria rendido uma colecção de golos a Patrício. A defender, parecemos amadores. João Pereira e Coentrão foram um desastre, e Veloso não pode jogar na cabeça da área: não tem jogo aéreo, não apoia os centrais, e não tem um pingo de agressividade. Perante uma Dinamarca que não tem propriamente um talento farto, parecíamos juvenis a zelar por um milagre inconcretizável. Só não foi pior, porque Pepe fez um jogo de outro mundo, e foi adiando o inevitável. Bento não pode ver a equipa de joelhos e querer jogar aos dados: Custódio tinha forçosamente de ter entrado, e Ricardo Costa teria sido uma opção lúcida para as laterais. Antes de precisar do terceiro golo, Viana também já devia estar em campo, porque Meireles não anda pela Ucrânia. A pressão não justifica nada: pela 2ª parte, Portugal não mereceu ganhar, e se o fez deve agradecer a todos os deuses. A jogar assim, não acontecerá muito mais vezes.

Depois, toda a gente sabe a opinião que tenho de Ronaldo. Mas a sua exibição hoje não é admissível sob nenhuma circunstância. Falhar, todos falham; dias maus, todos têm; Ronaldo, no entanto, é quem é por alguma razão, e tem obrigatoriamente de estar à altura. Não pode ser constantemente inconsequente, não pode olhar para os colegas como se lhe devessem alguma coisa, e não pode, nunca, falhar dois golos isolado num jogo de vida ou morte. A realidade crua é que, hoje, Ronaldo esteve a uma unha negra de eliminar Portugal. A exigência é maior com ele porque tem de ser; e Ronaldo tem de viver com isso, e tem de viver para corresponder. O melhor do mundo não pode ser o que Ronaldo foi hoje.

Sinceramente, esta vitória desmoralizou mais do que a derrota com a Alemanha. Que tenhamos aprendido alguma coisa. Que Paulo Bento actue na equipa, que Ronaldo seja o que tem de ser, e que estejamos à nossa altura de uma vez por todas. Contra à Holanda não teremos outra opção, e milagres não acontecem todos os dias.

Portugal - Pepe fez um jogo inenarrável, absolutamente monumental. Foi melhor, sozinho, do que toda a defesa junta, deu para tudo o que foi possível, e ainda foi marcar o primeiro. Além de carismático, é um jogador de rendimento brutal, quase infalível. É um privilégio tê-lo por cá.

Nani também foi admirável. Solidariedade fantástica na defesa, e o mais consequente do ataque. Sabe estar nestes jogos, o que é impagável.

Se esteve catatónico na contenção, Paulo Bento acertou no ataque. Nélson Oliveira provou hoje que merece a titularidade: é um jogador fiável para jogar em 50 metros de campo, fortíssimo, rápido e com toque de bola, que dá dimensão ao ataque. E abençoado seja Varela por aquele pontapé fenomenal.

Moutinho voltou a ser o melhor do miolo, mas teve de jogar a solo: Veloso não é suficiente, e Meireles está irreconhecível. Coentrão foi o que se pede no ataque, mas péssimo a defender. Postiga merece o crédito pelo golo, mas não chega.

Dinamarca - Bendtner é um daqueles casos de macumba. Um tipo relativamente mal-sucedido, dispensado pelo Arsenal, mas que nos marca golos aos bis. Independentemente disso, foi tudo o que os dinamarqueses poderiam querer de um 9: o 2-2 é excelente. Krohn-Dheli voltou a evidenciar talento no último terço: grande bola para o 1-2. Lars Jacobsen (32 anos, Copenhaga, depois dos anos na Premier League) e o desequilibrador Mikkelsen (25 anos, Nordsjaelland), pela ala direita, deram muito trabalho.

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