segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Quero morrer em um domingo e com o Corinthians campeão"


Disse-o Sócrates... há 28 anos. Ontem, domingo, dia da sua morte, o Timão honrou-o com o 5º título da sua história.

É por isto que o futebol é diferente de tudo. Apaixonante, místico, arrepiante, incomparável. Isto só existe aqui. "Doutor" Sócrates chegou ao Corinthians aos 24 anos, só depois de se licenciar em Medicina, e, enquanto se celebrava como um dos melhores playmakers da história do jogo - também no Brasil de 82, a melhor selecção de todos os tempos - tornou-se no símbolo político de uma geração.

O seu punho cerrado ao alto foi a imagem suprema da Democracia Corinthiana, o movimento nascido no clube para combater a ditadura militar que vigorava no Brasil dos anos 80. "Era um grupo de jogadores inteligentes, cultos, que tinham estudado e defendiam ideais. Os militares proibiam-nos as mensagens, coagiam-nos e perseguiam-nos. Mas pessoas de todas as áreas juntaram-se à luta. Jorge Amado escrevia sobre nós, Gilberto Gil dedicou-nos uma música, Rita Lee cantava com a camisola do Corinthians" lembra Washington Olivetto, vice-presidente da altura.

"Doutor" Sócrates era um daqueles bigger than life, um dos que mostrou, inequivocamente, a verdadeira dimensão do fenómeno futebol. Mereceu ser relembrado como o foi ontem. E mereceu partir na sua própria profecia.


Sem comentários: